Procuramos visitar os museus porque eles costumam testemunhar a história.
Muitos museus estavam fechados para reforma. Mas a gigantesca Catedral Metropolitana, que fica na principal praça no centro de Santiago estava aberta. É escandalosamente bela e grande. Uma grande obra de arte, de ostentação. Sempre aberta aos populares que chegavam, acendiam velas, descansavam e saiam. Fazem, inclusive, velório dentro da catedral, costume que percebemos em outras igrejas que visitamos.
Igrejas de portas abertas. A catedral possui 5 grandes corredores, cada um deles é uma Igreja dentro da Catedral. Sempre sob o som de cantos gregorianos, com luminosidade discreta e incenso criam um ar nostálgico, misterioso e reflexivo. Bem no centro entre as grandes colunas há um altar central com 4 lados, incrivelmente belo. Na porta das igrejas, e da Catedral também, sempre tem mendigos e a maioria velhos. Os chilenos são muito religiosos.
Saindo da Catedral a gente está na praça e nas ruas. Ruas com amplas calçadas, sem demarcação do que seja calçada ou rua, não há degraus.
Nos atrapalhamos um pouco porque trafegam carros e pensamos que era um grande calçadão. Na praça central há, sempre, muitos artistas de rua, cantores, pintores, muita gente circulando, com crianças. Gente que se banha no chafariz.
Nos chamou a atenção as raras pessoas utilizando celulares ou tablets bem como vimos pouquíssimas motocicletas. Isso em toda parte do Chile, que andamos.
A população usa muito o metrô, que tem estações muito próximas, as paradas são muito bem sinalizadas e no subsolo das estações há outra cidade em termos de lojas, cafeterias, bares, etc.
A gente andava e perguntava. Percebemos os jardins sempre verdes, embora fosse um período de estiagem. Tudo irrigado.
Constatamos a importância das geleiras. A água para abastecer as cidades e as plantações vem das geleiras.
Chove pouco. De dia a temperatura atingia até 30 graus, mas à noite a temperatura caia bastante. Não era necessário ar condicionado e nem ventilador para dormir. Não vimos mosquitos, nem moscas e nem outros insetos.
Santiago é um centro financeiro e turístico, por isso as lojas e comércio existentes objetivam atender esse tipo de demanda: gastronomia inclusive. Mas nós não gostamos muito da comida. Comem muito frango (polo) e batatas (papas).Há nas ruas muitas bancas de frutas e nas mercearias a gente encontrava queijo de cabra, barato. Para nossa janta a gente fazia lanches, com frutas e quijos. O pão não era bom. Meus pães fariam sucesso por lá!
Fomos à cordilheira ver os locais onde, no inverno é só gelo, tem estação de esqui. Lá há luxuosos hotéis, restaurantes. Tomamos um requintado lanche lá nas alturas. Caro! Subimos e descemos as 40 curvas assustadoras ao longo dos 3.200 mts. acima do nível do mar. A cordilheira é linda, mesmo sem o gelo.
Nas ruas do centro de Santiago há banheiros públicos em quantidade. Muitas floreiras com petúnias. Bem agradável.
Na rua Ahumada ficam as agências de Câmbio: muitas e a gente tem que procurar porque há diferença entre os valores de uma em relação a outra.
Também fomos assistir a apresentações de danças típicas, agendado pela Turistik e jantamos. Essa janta sim, mostrou que os chilenos sabem cozinhar. Claro que comemos salmão, que é farto e barato por lá. Depois da janta teve baile. Constatamos, mais uma vez, que os chilenos dançam bem e que ouvem muita música brasileira, principalmente axé.Têm gingado latino. Gostam das músicas de Ivete Sangalo e Claudia Leite. Cantavam em português e dançavam. E todo mundo vai para o salão e dançam juntos e separados. São muito animados.
Achei curioso que quando a banda fazia intervalo um animador que falava 4 idiomas, fazia animação com aeróbica. E o povo saracoteava muito. Muito animados mesmo!
quinta-feira, 25 de abril de 2013
quarta-feira, 24 de abril de 2013
SOBRE O CHILE
Conversando com professores e populares, aprendemos muitas coisas sobre o Chile.
A economia chilena baseia-se na exploração do cobre, do turismo, da produção de frutas e de vinho.
A concentração das terras é muito grande e os setores públicos produtivos foram praticamente todos privatizados. A pobreza é grande. Apesar da grande produção de vinho, a população bebe, em média, uma gota de vinho diária, por pessoa. Os chilenos gostam de uma bebida denominada PISCO: destilada, forte, parecida com a nossa graspa.
Descobrimos que 70% dos turistas chilenos são brasileiros. Mesmo assim muitos não falam e têm dificuldade de entender o português. Muitos falam inglês.
No país inteiro as universidades foram privatizadas e mesmo as públicas, como a Universidade do Chile, precisam ser pagas. Isso tem motivado grandes mobilizações de estudantes e de professores.
Em relação ao trânsito, em Santiago é bem organizado, com semáforos em cada esquina. As vias são largas e bem conservadas.Há metrô para toda parte de Santiago, e de boa qualidade. Andamos muito de metrô.
Santiago tem muitos prédios antigos, de belíssima arquitetura. Muitos edifícios cujas paredes são forradas de gramíneas coloridas, parecem árvores gigantes. Muitas plantações em sacadas e terraços.
Os morros, dentro de Santiago são muito arborizados, transformados em espaços turísticos, em parques, em mirantes, santuários, museus, grutas, locais de rezas. Entre eles destaca-se o Morro Santa Lúcia, antigo mosteiro, bem no centro e o Bairro Bela Vista, com mercado de artesanato de ótima qualidade, parque de diversões para populares, ótima gastronomia, danceterias, oficinas que transformam em jóias a pedra LAPISLAZULI, uma pedra azul que só existe no Chile e no Afganistão.
Uma noite fomos dançar a Kumbia e a Salsa. As danceterias funcionam todas as noites e os prédios são todos grafitados. Fomos muito bem recebidos, nos comunicamos com casais que nos ensinaram dançar a salsa. Conversamos com professores da Universidade do Chile, trocamos informações sobre filmes e livros.
Um desses professores foi aluno de Maturana, autor conhecido e lido por nós. Perguntaram muito sobre o Brasil. Têm uma grande admiração sobre o Lula.
Em decorrência do sinistro na Kiss, em Santa Maria, soubemos que nas boates houve adaptações para melhorar saídas e sinalizá-las. Isso nos informaram na boate em que estivemos.
Em decorrência do sinistro na Kiss, em Santa Maria, soubemos que nas boates houve adaptações para melhorar saídas e sinalizá-las. Isso nos informaram na boate em que estivemos.
Diariamente as calçadas enchem-se de gente que almoça, janta na rua e fica ocupando as ruas, conversando e tomando suas bebidas.Nesse bairro fica a casa de moradia que foi do poeta Pablo Neruda, hoje um museu, ponto turístico obrigatório.
Visitamos as feiras populares e nelas encontramos os índios MAPUCHES que fazem um belíssimo artesanato. São muito organizados e críticos do sistema político e econômico do Chile. Ouvimos relato de sua luta principal: serem reconhecidos como uma nação. Eles usam o slogan: "Nem chilenos, nem argentinos: mapuches"! Na sua luta, enfrentam a violência policial e dizem:"não somos terroristas! Queremos liberdade, queremos nosso território e nossa cultura".
Em Santiago quase não se vê negros e de acordo com o prof. Ivan, não houve tráfico de escravos negros. Os europeus, que chegaram ao Chile, escravizaram os indígenas, principalmente o povo Mapuche.
Na rua Londres, a rua em que fica o nosso Hostel, visitamos o museu da tortura. Hoje uma fundação. A casa foi o local de interrogatório e tortura em Santiago Visitamos suas salas macabras. Conversamos com os atendentes que iam nos mostrando e contando. O local é aproveitado para abrigar reuniões de mobilizações populares. Na calçada em frente à casa, há muitas lajotas com os nomes de torturados e desaparecidos gravados, de modo que os transeuntes podem ler os nomes, preservando a memória histórica. Impossível não notar. O que me chamou a atenção é que a maioria tinha menos de 30 anos.
Conversando fomos obtendo informações sobre a realidade atual do Chile, sobre as lutas atuais, principalmente a dos estudantes, pelo ensino público e gratuito. Respondemos, também, muitas perguntas sobre o Brasil, principalmente sobre o ensino público.
Ficamos dez dias no Chile, viajando, perguntando e por isso temos muito a falar sobre ele. Sobre o norte do Chile. O Chile sem gelo, pois nossa viajem foi no forte do verão. Meses que não chovia e tudo estava verde. Segredo? Tudo irrigado via canais que herdaram dos indígenas. Estes deixaram um enorme legado ao atual Chile.
Na rua Londres, a rua em que fica o nosso Hostel, visitamos o museu da tortura. Hoje uma fundação. A casa foi o local de interrogatório e tortura em Santiago Visitamos suas salas macabras. Conversamos com os atendentes que iam nos mostrando e contando. O local é aproveitado para abrigar reuniões de mobilizações populares. Na calçada em frente à casa, há muitas lajotas com os nomes de torturados e desaparecidos gravados, de modo que os transeuntes podem ler os nomes, preservando a memória histórica. Impossível não notar. O que me chamou a atenção é que a maioria tinha menos de 30 anos.
Conversando fomos obtendo informações sobre a realidade atual do Chile, sobre as lutas atuais, principalmente a dos estudantes, pelo ensino público e gratuito. Respondemos, também, muitas perguntas sobre o Brasil, principalmente sobre o ensino público.
Ficamos dez dias no Chile, viajando, perguntando e por isso temos muito a falar sobre ele. Sobre o norte do Chile. O Chile sem gelo, pois nossa viajem foi no forte do verão. Meses que não chovia e tudo estava verde. Segredo? Tudo irrigado via canais que herdaram dos indígenas. Estes deixaram um enorme legado ao atual Chile.
VELHOS VIAJANDO PELA AMÉRICA DO SUL
Primeira viagem. Pretendemos conhecer toda América do Sul e Brasil, que conhecemos pouco.
Eu, o Irineu e uma prima (Veronice) saímos a viajar pelo Chile, Bolívia e Perú, por conta, sem agência.
Saímos dia 4 de fevereiro. Chegamos no Chile às 20h. A viagem já é uma boa experiência. No aeroporto de São Paulo tive de jogar no lixo o hidratante e o shampoo porque tinha mais que 120 gr. No mais, é a experiência de trocar dinheiro, falar espanhol ou nos fazer entender em português. Viagem linda, sem turbulência.
A visão da Cordilheira dos Andes é lindíssima, mesmo sem a neve. É a Cordilheira que separa o território da Argentina do do Chile. Quando se vê a cordilheira sabe-se que se está chegando em Santiago do Chile.
Pegamos uma lotação que custou o equivalente a 20,00 cada um e percorremos os 20 km até Hostel que havíamos reservado pela Internet.
O Hostel fica na rua Paris Londres, no centro de Santiago. Uma rua romântica, que foi habitada por imigrantes europeus, com casas antigas e belas. Próxima à Igreja São Francisco, um dos pontos turísticos que a gente encontra nos catálogos. Construída em 1560 conserva ainda as pedras e estrutura original.
PLANO DE VIAGEM INICIAL
Pensávamos em ficar de 4/2 a 7/2 em Santiago. Dia 8/2 iríamos a La Serena e de lá a Calama e de Calama a São Pedro do Atacama, mais ou menos 150km de Calama. No deserto de Atacama conheceríamos o Vale de La Luna, o Vale da Muerte, El Tatio (os gêises e as lavas vulcânicas) e iríamos nos banhar nas águas mornas e outros atrativos.
De São Pedro, rumaríamos à Bolívia: Copacabana, às margens do Lago Titicaca e daí para as ilhas flutuantes ( já no Peru). Voltaríamos à Bolívia e aí iríamos conhecer os salares, depois a Santa Cruz de La Sierra e descendo em direção ao Brasil, via pantanal (Corumbá, Campo Grande, Dourados) e de ônibus a Santa Maria.
REALIDADE
Tudo estava acontecendo como prevíamos. Compramos passagem para La Serena e na véspera descobrimos que nevou e que chovia torrencialmente ( o que não acontecia a décadas) no deserto do Atacama. Vimos pela televisão que os turistas estavam ilhados, sem poder sair de São Pedro. Muitos turistas haviam saído de Santiago, que estava muito quente (para eles, porque era bem menos quente do que no Brasil) e acamparam em São Pedro do Atacama Já estávamos preocupados com hospedagem e aí vimos pela televisão que a situação estava catastrófica em São Pedro. A chuva derrubou barreiras, inundou casas e hotéis, interrompeu o tráfego e, enfim, não tínhamos como ir a São Pedro.
Pensamos: vamos conhecer mais a Bolívia e o Perú. No entanto, só conseguimos voo para La Paz (Bolívia) para daí a 6 dias. Até lá tínhamos que permanecer no Chile.
No Chile também era sentido o efeito das chuvaradas na Cordilheira. O barro desceu às barragens e por conta disso, ficamos sem água por um dia inteiro e então nenhum restaurante ou lancheria abriu as portas. Comemos lanches e frutas no Hostel, comprados nas bancas de rua.
PASSEIOS NO CHILE
Logo que chegamos fomos à praça central de Santiago, que fica entre os palácios oficiais. Aí está o povo e certamente encontraríamos as informações que pretendíamos: casa de câmbio, empresas de turismo que nos levassem a conhecer Santiago e arredores. Após algumas informações concluímos que a empresa Turistik era o que precisávamos. E, de fato,são muito profissionais. Iniciamos circulando pela grande Santiago para ver o tradicional: palácios, praça de Las Armas, Catedral, Mercado Central, Palácio de La Moneda, Museu Nacional, Avenida Brasil, Rua Maturana, Estação Ferroviária Central, Estação Rodoviária, etc.
Para o dia seguinte marcamos um passeio a Val Paraíso e Viña Del Mar.
Val Paraíso e Viña Del Mar
O guia era ótimo e foi fornecendo informações sobre a história, a economia, os costumes do povo chileno. Passamos pelos vales dos vinhedos, das plantações de frutas (cítricos, abacate, maçã, pêssego, etc.) tudo com irrigação através de canais que coletam e conservam a água que vem das geleiras. Ainda aproveitando os canais do tempo dos Incas, claro que ampliados.
O Chile importa bananas, manga, abacaxi, o resto eles produzem. Frutas boas e baratas. Conhecemos a vegetação local (escassa e baixa, diferente do Brasil). Constatamos o ótimo estado das rodovias.
Valparaísio é uma cidade histórica, uma das mais antigas do Chile. É um importante centro universitário com vibrantes atividades culturais. Cidade com belíssimas construções antigas, luxuosas outrora, quando Valparaíso era o porto onde chegavam e saiam os navios que vinham e iam à Europa. Navios que aportavam no Pacífico. (Relato do Guia).
Posteriormente, com a abertura do Canal do Panamá, Valparaíso empobreceu, perdeu renda e os ricos foram se abrigar em Viña Del Mar e lá construíram seus luxuosos refúgios.
Valparaíso chama a atenção pela beleza, por sua curiosa arquitetura, toda encravada nos morros, em 3, 4 andares, respeitando a geografia. Essa característica fez com que a população construisse elevadores mecânicos (hoje tem alguns elétricos) para se deslocarem de baixo para cima e vice-versa.
Valparaíso foi declarada patrimônio da humanidade por respeitar a geografia, isto é: as casas adaptarem-se aos morros, sem escavações ou terraplanagens que destruíssem a configuração da natureza.
As casas são muito coloridas e isso se deve à tradição de identificar em cada rua, o local de residência de cada família pela cor das casas. Junto com isso o costume da boa vizinhança de se emprestarem pertences e mantimentos. Hoje perde-se essa característica e alguma casas estão à venda e valem milhões pela beleza e pelo valor turístico, graças à beleza arquitetônica. Chama a atenção em Val Paraíso ( e também em Santiago) o abundante uso do grafite nas fachadas, muito coloridos. Há pichações mas a grafitagem é predominante.
Em Valparaíso está a Casa Sebastiana, residência de veraneio do poeta Pablo Neruda, toda grafitada.
É em Val Paraíso que funciona o Congresso Nacional do Chile, a 120 Km de Santiago.
Já Viña del Mar é uma praiazinha fria, profunda (imprópria para banhos). Casas lindas, castelos quase dentro do Mar. Passeios de Vitorias (carruagens francesas). Não tem a importância histórica de Valparaíso.
Apreciamos o delicioso almoço à beira mar, cujo cardápio era de frutos do mar. Retornamos já noite.
Outro dia continuo o relato. Vou escrever sobre a economia e costumes do povo chileno.
Eu, o Irineu e uma prima (Veronice) saímos a viajar pelo Chile, Bolívia e Perú, por conta, sem agência.
Saímos dia 4 de fevereiro. Chegamos no Chile às 20h. A viagem já é uma boa experiência. No aeroporto de São Paulo tive de jogar no lixo o hidratante e o shampoo porque tinha mais que 120 gr. No mais, é a experiência de trocar dinheiro, falar espanhol ou nos fazer entender em português. Viagem linda, sem turbulência.
A visão da Cordilheira dos Andes é lindíssima, mesmo sem a neve. É a Cordilheira que separa o território da Argentina do do Chile. Quando se vê a cordilheira sabe-se que se está chegando em Santiago do Chile.
Pegamos uma lotação que custou o equivalente a 20,00 cada um e percorremos os 20 km até Hostel que havíamos reservado pela Internet.
O Hostel fica na rua Paris Londres, no centro de Santiago. Uma rua romântica, que foi habitada por imigrantes europeus, com casas antigas e belas. Próxima à Igreja São Francisco, um dos pontos turísticos que a gente encontra nos catálogos. Construída em 1560 conserva ainda as pedras e estrutura original.
PLANO DE VIAGEM INICIAL
Pensávamos em ficar de 4/2 a 7/2 em Santiago. Dia 8/2 iríamos a La Serena e de lá a Calama e de Calama a São Pedro do Atacama, mais ou menos 150km de Calama. No deserto de Atacama conheceríamos o Vale de La Luna, o Vale da Muerte, El Tatio (os gêises e as lavas vulcânicas) e iríamos nos banhar nas águas mornas e outros atrativos.
De São Pedro, rumaríamos à Bolívia: Copacabana, às margens do Lago Titicaca e daí para as ilhas flutuantes ( já no Peru). Voltaríamos à Bolívia e aí iríamos conhecer os salares, depois a Santa Cruz de La Sierra e descendo em direção ao Brasil, via pantanal (Corumbá, Campo Grande, Dourados) e de ônibus a Santa Maria.
REALIDADE
Tudo estava acontecendo como prevíamos. Compramos passagem para La Serena e na véspera descobrimos que nevou e que chovia torrencialmente ( o que não acontecia a décadas) no deserto do Atacama. Vimos pela televisão que os turistas estavam ilhados, sem poder sair de São Pedro. Muitos turistas haviam saído de Santiago, que estava muito quente (para eles, porque era bem menos quente do que no Brasil) e acamparam em São Pedro do Atacama Já estávamos preocupados com hospedagem e aí vimos pela televisão que a situação estava catastrófica em São Pedro. A chuva derrubou barreiras, inundou casas e hotéis, interrompeu o tráfego e, enfim, não tínhamos como ir a São Pedro.
Pensamos: vamos conhecer mais a Bolívia e o Perú. No entanto, só conseguimos voo para La Paz (Bolívia) para daí a 6 dias. Até lá tínhamos que permanecer no Chile.
PASSEIOS NO CHILE
Logo que chegamos fomos à praça central de Santiago, que fica entre os palácios oficiais. Aí está o povo e certamente encontraríamos as informações que pretendíamos: casa de câmbio, empresas de turismo que nos levassem a conhecer Santiago e arredores. Após algumas informações concluímos que a empresa Turistik era o que precisávamos. E, de fato,são muito profissionais. Iniciamos circulando pela grande Santiago para ver o tradicional: palácios, praça de Las Armas, Catedral, Mercado Central, Palácio de La Moneda, Museu Nacional, Avenida Brasil, Rua Maturana, Estação Ferroviária Central, Estação Rodoviária, etc.
Para o dia seguinte marcamos um passeio a Val Paraíso e Viña Del Mar.
Val Paraíso e Viña Del Mar
O guia era ótimo e foi fornecendo informações sobre a história, a economia, os costumes do povo chileno. Passamos pelos vales dos vinhedos, das plantações de frutas (cítricos, abacate, maçã, pêssego, etc.) tudo com irrigação através de canais que coletam e conservam a água que vem das geleiras. Ainda aproveitando os canais do tempo dos Incas, claro que ampliados.
O Chile importa bananas, manga, abacaxi, o resto eles produzem. Frutas boas e baratas. Conhecemos a vegetação local (escassa e baixa, diferente do Brasil). Constatamos o ótimo estado das rodovias.
Valparaísio é uma cidade histórica, uma das mais antigas do Chile. É um importante centro universitário com vibrantes atividades culturais. Cidade com belíssimas construções antigas, luxuosas outrora, quando Valparaíso era o porto onde chegavam e saiam os navios que vinham e iam à Europa. Navios que aportavam no Pacífico. (Relato do Guia).
Posteriormente, com a abertura do Canal do Panamá, Valparaíso empobreceu, perdeu renda e os ricos foram se abrigar em Viña Del Mar e lá construíram seus luxuosos refúgios.
Valparaíso chama a atenção pela beleza, por sua curiosa arquitetura, toda encravada nos morros, em 3, 4 andares, respeitando a geografia. Essa característica fez com que a população construisse elevadores mecânicos (hoje tem alguns elétricos) para se deslocarem de baixo para cima e vice-versa.
Valparaíso foi declarada patrimônio da humanidade por respeitar a geografia, isto é: as casas adaptarem-se aos morros, sem escavações ou terraplanagens que destruíssem a configuração da natureza.
As casas são muito coloridas e isso se deve à tradição de identificar em cada rua, o local de residência de cada família pela cor das casas. Junto com isso o costume da boa vizinhança de se emprestarem pertences e mantimentos. Hoje perde-se essa característica e alguma casas estão à venda e valem milhões pela beleza e pelo valor turístico, graças à beleza arquitetônica. Chama a atenção em Val Paraíso ( e também em Santiago) o abundante uso do grafite nas fachadas, muito coloridos. Há pichações mas a grafitagem é predominante.
Em Valparaíso está a Casa Sebastiana, residência de veraneio do poeta Pablo Neruda, toda grafitada.
É em Val Paraíso que funciona o Congresso Nacional do Chile, a 120 Km de Santiago.
Já Viña del Mar é uma praiazinha fria, profunda (imprópria para banhos). Casas lindas, castelos quase dentro do Mar. Passeios de Vitorias (carruagens francesas). Não tem a importância histórica de Valparaíso.
Apreciamos o delicioso almoço à beira mar, cujo cardápio era de frutos do mar. Retornamos já noite.
Outro dia continuo o relato. Vou escrever sobre a economia e costumes do povo chileno.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
PAIXÕES TRISTES DESPOTENCIALIZAM A VIDA
A violência dos assassinatos, das mortes nos acidentes de trânsito, das negligências com a vida, da banalização da morte, da corrupção, do abandono de menores, das agressões às mulheres, do racismo, entre tantas outras formas de violência, já bastam para nos entristecer profundamente e nos envergonhar. Será que basta? Parece que não, tal o esforço dos meios de comunicação para amplificar os acontecimentos tristes com a ampla e bem explorada divulgação. Tão ampla que nenhum acontecimento triste ou trágico que ocorre em qualquer parte do mundo fica sem ganhar enorme visibilidade.
Muitos ainda são reproduzidos insistentemente no facebook.
Contamina-se a vida com o medo, ampliam-se as paixões tristes. Quanto mais isso é produzido, reproduzido, mais aumenta o medo e a inércia. Menos ações coletivas e mais cercas, grades, armas, guardas, câmaras e isolamento. Mais isolamento, mais perigo!
É pertinente lembrar Espinosa que tinha muita razão ao afirmar que as paixões tristes nos despotencializam. Medo, desconfiança, ódio, ressentimento, remorso, tristeza...nos fazem encolher e produzem sociedades doentes, violentas. A gente vê isso nos atiradores e no belicismo da sociedade norte americana ou na sociedade israelita, tão intolerante com o mundo árabe, tão armada e tão violenta e em toda parte, nos modos de vida que produzem e reproduzem a violência.
Leiamos Espinosa, comentados por Deleuse:
"Espinosa oferece uma imagem da vida positiva e afirmativa, em detrimento dos simulacros com os quais os homens se contentam. Não só os que com eles se comprazem, mas tamnbém o homem cheio de ódio à vida, envergonhado da vida, o homem da autodestruição que multiplica os cultos à morte,que faz a união sagrada do tirano e do escravo, do sacerdote, do juis e do guerreiro, sempre prestes a encurralar a vida, a mutilá-la, assassiná-la lenta ou bruscamente, que a recobre ou a sufoca com leis, propriedades, deveres, impérios, eis o diagnóstico que Espinosa faz do mundo, esta traição do universo e do homem."(Deleuze, 2002: Espinosa, filosofia prática. Pág. 18. Edit.Escuta)
É preciso produzir alegria, divulgá-la, reproduzi-la: alegrias das paixões alegres. As alegrias da partilha, da frugalidade, da simplicidade, dos cuidados com as crianças, com a terra, com as águas, com os todos os seres vivos. As alegrias da fraternidade, do perdão, da arte, e de tudo o que potencializa a vida.
Muitos ainda são reproduzidos insistentemente no facebook.
Contamina-se a vida com o medo, ampliam-se as paixões tristes. Quanto mais isso é produzido, reproduzido, mais aumenta o medo e a inércia. Menos ações coletivas e mais cercas, grades, armas, guardas, câmaras e isolamento. Mais isolamento, mais perigo!
É pertinente lembrar Espinosa que tinha muita razão ao afirmar que as paixões tristes nos despotencializam. Medo, desconfiança, ódio, ressentimento, remorso, tristeza...nos fazem encolher e produzem sociedades doentes, violentas. A gente vê isso nos atiradores e no belicismo da sociedade norte americana ou na sociedade israelita, tão intolerante com o mundo árabe, tão armada e tão violenta e em toda parte, nos modos de vida que produzem e reproduzem a violência.
Leiamos Espinosa, comentados por Deleuse:
"Espinosa oferece uma imagem da vida positiva e afirmativa, em detrimento dos simulacros com os quais os homens se contentam. Não só os que com eles se comprazem, mas tamnbém o homem cheio de ódio à vida, envergonhado da vida, o homem da autodestruição que multiplica os cultos à morte,que faz a união sagrada do tirano e do escravo, do sacerdote, do juis e do guerreiro, sempre prestes a encurralar a vida, a mutilá-la, assassiná-la lenta ou bruscamente, que a recobre ou a sufoca com leis, propriedades, deveres, impérios, eis o diagnóstico que Espinosa faz do mundo, esta traição do universo e do homem."(Deleuze, 2002: Espinosa, filosofia prática. Pág. 18. Edit.Escuta)
É preciso produzir alegria, divulgá-la, reproduzi-la: alegrias das paixões alegres. As alegrias da partilha, da frugalidade, da simplicidade, dos cuidados com as crianças, com a terra, com as águas, com os todos os seres vivos. As alegrias da fraternidade, do perdão, da arte, e de tudo o que potencializa a vida.
domingo, 28 de outubro de 2012
“PARTO NORMAL? Não acredito!”
De tanto
ouvir expressões de espanto sobre o fato de minha filha Lúcia (foto) ter parido o Antônio
de parto normal, fui investigar o assunto.
Parto Normal -Normalmente interpretamos como
normal algo que é muito adotado e reconhecido por todos, por ser rotineiro.
Trazendo isso como premissa, na questão dos partos, no Brasil, parto normal
significa parto por cesariana porque é a forma mais adotada para trazer à luz
os bebês. Portanto, no Brasil, o parto normal é a cesariana, o parto vaginal
deixou de ser o normal, tornou-se exceção.
Qual a realidade brasileira em
relação aos partos?
De acordo
com a OMC (Organização Mundial da Saúde) o Brasil é o país campeão mundial no
uso das cesarianas. Segundo essa órgão, as pesquisas mostram que em torno de
15% das gestantes realmente necessitam de cesarianas devido a algum tipo de
complicação, com a mãe ou com o bebê, tais como o posicionamento do bebê no
útero ou a falta de dilatação na mãe, para a passagem da criança, além de
outras complicações de saúde em que é recomendado a cesariana, pelo bem do bebê
e da mãe.
É um ótimo
recurso da medicina; o problema é que de exceção a cesariana passou à
regra geral.
Há países na
América Latina em que a cesariana é um acontecimento, causa espanto, pela sua
raridade. É o caso do Uruguai.
No Brasil as
regiões Sul e Sudeste são as que apresentam os mais altos índices de
cesarianas, superando os 50%. Há hospitais particulares onde os índices chegam
a 100% dos partos e na maioria dos hospitais particulares os índices superam os
70%. As pesquisas mostram que quanto maior o nível de renda, maior o índice de
cesarianas pré-agendadas, em que a gestante não espera entrar em trabalho de
parto e não chega a sentir nenhum tipo de manifestação dolorosa anunciando a
hora do bebê nascer. A hora é determinada pelos médicos assessorados pelos
ultrasons.
Os estados
em que o percentual de cesáreas é menor são o Acre e Amapá. Esses estados
ajudam a puxar para baixo o percentual de cesarianas do país, fazendo com que
fique em torno de 50%, ainda assim o maior do mundo.
Consegui com
uma médica, que obteve diretamente da fonte, a informação sobre o percentual
real de partos naturais (vaginais) realizados no Hospital de Caridade de Santa
Maria. De janeiro à metade de setembro
deste ano, o percentual chegou a 1,3% dos partos realizados nesse hospital.
Percebemos
isso no curto espaço de tempo em que minha filha esteve no referido hospital
para parir o Antônio. No quarto coletivo em que baixou por uma noite, havia
mais duas parturientes, tomando soro com medicação para pararem as contrações e
realizarem cesarianas. Conversando com elas sobre as razões, o argumento era de
que o parto por cesariana seria melhor para elas e para os bebês, segundo suas
obstetras. Pura produção de medo.
Produção do medo:
Medo da dor;
Medo de o
bebê passar da hora;
Medo de não
ter quem atenda o parto normal, em caso de demora;
Medo de
ficar com a vagina deformada e ser rejeitada, posteriormente, pelos
companheiros;
Medo que o
bebê sofra durante o parto;
Enfim, são
muitas as formas de instigar o medo nas pobres mães. Nesse sentido, parece que
nos últimos 30 anos não houve evolução. Vivi isso no passado. Ouvi os mesmos
argumentos que minha filha ouviu, senti as mesmas dúvidas e medos que ela
sentiu e não teve forma: fui forçada às cesarianas, frustração que carrego comigo
e indignação também. Isso teve muitas consequências na minha vida.
Os médicos não oferecem a tranquilidade que a
mãe necessita e procura no momento de maior temor e fragilidade de sua vida. Momento em
que você precisa confiar, em que você não quer o risco para a vida do seu bebê
e para a sua própria vida.
O que as
gestantes ouvem de médicos e outras pessoas durante esse período pré-nascimento
de seus filhos?
“Não posso ficar tantas horas do teu
lado, esperando o parto normal”;
“Isso vai te custar caro, pois o
plano de saúde não remunera esse tempo”;
“Anestesia só é coberta pelo SUS para
as cesarianas”;
“É difícil parto natural, as mulheres
não suportam a dor”;
“É arriscado para o bebê, ele pode
passar da hora e entrar em sofrimento e ficar com problemas”;
“Não faço
parto normal, só faço cesariana”!
Foi isso que
ouvi, foi isso que a Lúcia ouviu, de diversos médicos, até encontrar um que
concordou em esperar o parto natural. Além disso, os obstetras sabem que não há
ambiente adequado e nem preparação adequada que incentivem e facilitem os
partos naturais. A própria formação médica é precária nesse sentido, segundo relato
que obtive de uma médica.
Riscos e custos
De acordo
com informações que obtive em diversos blogs, pude concluir que:
- Os riscos de mortalidade materna
são 4 vezes maiores no parto por cesárea do que no parto vaginal. No Brasil,
campeão em cesáreas, morrem, de parto, 1 mulher por minuto.
- As
cesarianas custam mais caro ao SUS, pelo tempo maior de internação da mãe e porque
exige maiores cuidados com os bebês, principalmente nas cesáreas em que a mãe
não entra em trabalho de parto, há, comprovadamente, complicações respiratórias
no recém-nascido.
E o medo da dor?
Esse medo
tem sido alimentado.Durante
milênios as mulheres deram à luz, quando não havia procedimentos cirúrgicos.
Havia sabedoria no lidar com a dor.
Comprovadamente
a imersão na água relaxa e reduz a dor. Esse é um exemplo de um recurso muito
utilizado pelas mães indígenas e que a cultura médica ocidental pouco utiliza.
Desumanizaram,
burocratizaram e brutalizaram os partos:
Jogam as
mulheres numa cama dura, deitada de costas, constrangida pela presença de
estranhos, sem conforto, com medo, totalmente insegura.
Os obstetras
não orientam as mulheres em relação ao preparo anterior ao parto: exercícios (ilustração),
ginásticas, hidroginásticas, exercícios respiratórios, etc.
Nas cesarianas não tem dor?
Têm muitas
dores, diferentes, talvez menos intensas, mas muito mais prolongadas, acompanhadas
de outros tantos desconfortos: vômitos, dificuldade para urinar, para evacuar, mobilidade reduzida, além de outras
possibilidades de complicações que as cirurgias trazem.
Vantagens das cesarianas?
As
cesarianas são ótimas para evitar mortes de complicações em parturientes que
não poderiam parir naturalmente seus filhos.
Mas
atualmente seu uso abusivo certamente atende muito mais às agendas dos médicos,
que gastam menos tempo com os partos e podem atender um número bem maior de
mulheres.
Creio que
poderiam ser organizadas equipes de enfermagem, instalando ambientes com
recursos que oferecessem maior conforto para aliviar a dor, como banheiras de
água, por exemplo, além de investimento significativo na formação médica que
alterasse os atuais paradigmas. Obviamente teria que alterar a política de remuneração
aos profissionais e investir muito mais na estrutura necessária às mudanças no
tratamento destinado às formas de se acolher as novas vidas humanas, que
continuam nascendo.
Pergunta:
Por que o Sistema de Saúde não providencia
esses recursos para incentivar os partos naturais, que são mais baratos ao SUS
e trazem maiores benefícios à mãe e aos bebês?
É a pergunta
que incomoda e nos leva a pensar que a resposta esteja relacionada às mesmas
causas que historicamente sujeitaram as mulheres e as crianças à violência e ao
desrespeito.
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