quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Rixas matam mais que o crak ????????

Rixas matam mais que o crak. Essa é a manchete do Diário de Santa Maria.
Como interpretar essa manchete? Quem mediu esse indicador? Será que ele é relevante?
Mas o pior não é a manchete. O pior é o jornal gastar 4 páginas contando todas as mortes ocorridas nos últimos tempos. O relato inclui nome das vítimas, dos criminosos, forma de matar, incluindo os requintes de barbárie, do tipo: facada, martelada, queimado vivo, enterrado, etc. Um horror!
No que isso ajuda na vida e na formação das pessoas? Que importância construtiva tem esse tipo de informação?
É um lixo! Uma opção jornalística asquerosa.
Estão sem assunto? Será que não há ninguém que faça análises sobre questões ambientais, sobre a solidariedade das populações que resistem aos cataclismas ambientais, sobre o Haiti, sobre o Fórum da Economia Solidária, que aconteceu em Santa maria, e que teve debates muito significativos em assuntos que envolvem a vida de todos nós, tais como a segurança alimentar e o meio ambiente.
Ou será que a ninguém interessa os conteúdos dos temas que estão sendo debatidos no Fórum Social Mundial em Porto Alegre e região Metropolitana?
Pelo menos poderiam fornecer informações necessárias à população sobre a constante falta de água que tem ocorrido em Santa Maria, bem como se a Corsan está consertando as adutoras.Se não sabem como encher as páginas do jornal, saiam pelas ruas e falem com as pessoas, garanto que vão ter muita matéria.
O jornal tem se revelado muuuuuuuito pobre, em todos os sentidos. Lamentável!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Envelhecer é um desafio.


Em cada fase da vida a gente tem algum tipo de insegurança, tanto nos aspectos profissionais, quanto nos relacionamentos inter-pessoais. No entanto, para mim, nada se compara com a insegurança de envelhecer, não só porque é chato mesmo percebermos o declínio de nossa corporalidade. Não há como manter o mesmo vigor, a mesma força, já nem falo em beleza, porque essa é muito subjetiva. Mas o avançar da idade nos coloca limites sim: uma luta cotidiana para nos manter caminhando, trabalhando, pensando, produzindo...
A matemática é cruel com quem já passou dos sessenta anos. Coisas do tipo:
- você não é mais convidado para ser padrinho de criança, porque, é provável, a pobrezinha, não vai ter dindos por muito tempo;
- Você pensa em fazer um curso e logo reflete sobre a idade que vai ter quando concluí-lo. Será que vai valer a pena? Por quanto tempo vai aproveitar?
Administrar o provável tempo que resta é um problema: fazer opções, se possível, sem errar porque o tempo urge, é preciso aproveitá-lo bem. Agora, há tempo, ainda, para viajar e realizar algum projeto que antes não foi possível, por causa dos cuidados com a familia ou dos deveres com o trabalho.
Ainda há desejos de fazer muitas coisas que os jovens gostam: sair para um evento, para um festival, para danceterias, bares,participar de lutas diversas, etc. E aí vem a sensura explícita ou implícita. Explícita: "não é lugar para a idade de vocês" ou a implícita que se manifesta no esquecimento para os convites, nas escolhas dos lugares, as vezes sonsos, apropriados aos velhos.
E o sentimento de ridículo então? Entre tantos, demonstrar que ainda há sexualidade ativa...é difícil!
Eu, quase sempre, me sinto ridícula nas festas familiares, na hora das dançar, mas eu danço mesmo assim.
Opinar? Também é complicado. Percebe-se que perdemos a autoridade para falar e ser ouvidos, porque nossa época foi outra. Já criamos filhos, mas a experiência já é passado. Já fomos profissionais, mas agora estamos aposentados,...é a idade do fui, do fiz...Mas, que pena, a humanidade perde porque temos tanta potência de vida, tanta experiência e sabedoria!
Contar histórias? A gente gosta, mas percebemos que começamos a repeti-las e sempre tem alguem para "sutilmente" nos lembrar: "Ah não, pode parar, de novo não"!
E nós, idosos, ainda temos a temperatura alterada, principalmente as mulheres. Sempre com calor, a maquigem escorrendo, o rosto húmido. O que afasta os jovens de nos beijar, nos afagar.
E tem mais: não sei porque, quase sempre, destinam à nossa faixa etária a tarefa de cuidar dos mais idosos que nós. Deveria ser os mais jovens a fazer isso, já que alguns anos "perdidos" não vão retirar o tempo de vida, tão precioso para viajar, sair. Para nossa faixa etária, cinco ou seis anos são, talvez, os anos possíveis para ainda realizar algum sonho, pois temos pouco tempo para realizar essas atividades. Depois vem a doença e a "passagem".Pelo menos as tarefas de cuidados com familiares idosos, deveriam ser compartilhados.
Fora tudo isso nos desafiamos: como nos tornarmos agradáveis, criativos, alegres, bem humorados, engraçados, divertidos, bonitos, interessantes...? Esse é o desafio para que não reste, apenas, concorrer a raínha de algum grupo de terceira idade.
Vou me esforçar para, talvez, não passar pela solidão, que percebo todos os dias, os velhos são submetidos. É depressivo? É a vida como ela pode ser sentida. Mas, no meu caso, sou dura para constatar, mas esperneio, luto e tenho muito ainda para aprontar.
Bem, ajudada pelo meu querido Irineu, vai uma reflexão mais filosófica.
Somos enquadrados a viver nos esquemas da sociedade moderna, que disciplina a todos a ainda disciplina o viver dentro de esquemas pré-estabelecidos e estanques: infância, adolescência, maturidade (tempo produtivo) idoso (aposentado). Ou infância, escola, universidade, trabalho assalariado público, privado, aposentadoria.
Esta sociedade está indo pelos ares, tendencialmente se desmanchando no ar. Todos nós somos produtores de riquezas, através de nosso viver, desde crianças, até morrer.
A vida, desde a infancia, necessita de água, energia, moradia, alimento, comunicação, transporte, cooperação, afeto, acolhimento. E tudo isso acumula riqueza para o capital. O sobrevalor está saindo, principalmente, dos serviços básicos e cada vez menos das fábricas de mercadorias.
As crianças e os idosos sofrem muito mais a opressão das pessoas e do sistema: nos tratam como improdutivos.
Ora, improdutivo, parasita e vampiro é o Capital e as pessoas que assim se comportam e assumem esses enquadramentos.

Tereza, como tu reclamas!

Tereza, como tu reclamas! Reclamo sim, mas nem tanto. Deveria reclamar mais e depois, reclamando faço terapia, me stresso menos, frente a tanto abuso, desrespeito e incompetência, que a gente é submetido cotidianamente. Justifico. Ficamos dois dias sem telefone. Sabem por que? Porque a NET esteve no prédio onde moramos e ao "consertar" alguns problemas, enganou-se e ligou na nossa linha o telefone da vizinha, que é atendida pela GVT.
A GVT veio arrumou o da vizinha e o nosso ficou mudo. Ficamos dois dias atendendo chamados, que eram para a vizinha e tentando agendar com a NET uma visita técnica. Quanta musiquinha estridente tive que ouvir do telefone da NET.
Finalmente arrumaram. E o pior é que durante esses dois dias, estivemos sem água. Em casa, algumas horas, esperando a visita da NET e sem poder usar banheiro, fazer comida, fazer qualquer tipo de higiene.
Quanto à água, o racionamento continua. Ontem tomamos banho fora de casa, comemos fora e passamos o dia fora, depois de levar minha mãe de 84 anos na casa de outra irmã.
A Corsan pede paciência, pois com tanta chuva rebentaram duas adutoras. Claro, a gente entende. Precisavam de alguns dias de sol para consertá-las. Tivemos diversos dias de sol e o problema continua. Hoje veio um pouquinho, juntei nos baldes para por nos banheiros.
Aí lembrei-me do que a governadora Yeda divulgou amplamente: A Corsan é superavitária, isto é: dá lucro. Ou seja, gasta menos do que arrecada.
Quando estudei economia política, lá no curso de Ciências Contábeis, algumas décadas passadas, lembro-me de um princípio ético sobre as empresas públicas: O superavit não é ético porque significa que o Estado está arrecadando mais do que os serviços que deve prestar. Como as necessidades da população serão sempre infinitas, não é admissível que sobre dinheiro. Se sobrar é porque serviços estão deixando de ser prestados, com qualidade, porque a demanda é sempre crescente.
Essa era a concepção. Não é mais, certamente. Por que? Bem, não vou cansar ninguém com explicações sobre o Neoliberalismo e o seu Estado Mínimo. Todos já conhecem.
Na prática, os lucros da Corsan significam menos gente, menos equipamento, menos recursos para fazer, com eficiência, a água chegar a todos, em condições de potabilidade. Água, ainda temos, e agora com tanta chuva não há escassez. O que temos é problemas na sua distribuição, por causa das dificuldades técnicas da Corsan que está precarizada para dar lucro (superavit).
Claro que a gente aproveita e faz um exercício de reflexão sobre a importância de usar a água com respeito e parcimonia. Faz também a gente desenvolver, sempre mais, a solidariedade com aqueles que vivem em situação de escassez. Mas não se admite a escassez por causa do caixa que a Governadora fez e faz, para gastar em seu palácio e repassar a seus amigos, em forma de incentivo e isenções. Certamente não estou criticando os servidores que estão trabalhando na Corsan. Creio que fazem o que podem.Enquanto isso, acho que hoje vou matar o banho.Ah, e a gente não tem canais efetivos de reclamações. Claro, primeiro a gente tenta reclamar para as prestadoras de serviços, mas somos atendidos por gravações que mandam discar números. Não há possibilidades de dialogar, muito menos de expressar as merecidas xingadas, que, dá vontade e que são merecidas. Paciência, haja paciência!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Alegria e sensualidade

Não me lembro onde eu li que a tristeza despotencializa, paralisa as pessoas. Concordo e é por isso que eu e o Irineu, buscamos espaços e momentos de prazer e de alegria.Nós, que estivemos durante tantos anos, envolvidos na luta por uma educação de qualidade, na luta político-partidária e em alguns momentos nos movimentos populares, agora, já mais velhos,desarticulados de algumas antigas lutas, já aposentados,filhos criados e educados, ousamos tentar outros espaços, já com outra compreensão. Não desistimos de tentar nos engajar, onde possível, para construir espaços de liberdade, de democracia, de participação, de protagonismo.
Participar,escrever, ler, conversar, produzir comunicação, criar novas relações ...afetar e ser afetado, no cotidiano, sem a pretensão de ser modelo ou testemunho para quem quer que seja, nem para os filhos (que já são bem crescidinhos e que têm nos ensinado muito), tem que vir acompanhado de alegria, de cuidados com nossa vida, com o prazer de fazeres que ainda não tínhamos experimentado.
A satisfação de, tres vezes por semana, caminhar e fazer musculação, junto com outras pessoas de nossa idade e descobrir que lá a gente estabelece novas relações, novos encontros. O prazer de, duas vezes por semana, participar de um grupo que se encontra para aprender a dançar e com alguns sair para dançar.
Ontem à noite fomos no Skato bar, jantar e dançar.Gostamos muito da programação: jantar, dançar, encontrar conhecidos e apreciar a dança e o prazer dos outros.
A dança aproxima, é arte, alguns dançam para se exibirem.Alguns com razão, dançam bem, outros nem tanto...mas pensam que estão arrasando. Mostrar seus corpos dançantes, ágeis, leves, ...alguns desengonçados, mas todos sensuais.
Corpos mais ou menos juntos, concentrados na música ou no corpo do outro. Em alguns é notável o prazer de estarem abraçados, ao som da música, deslizarem pela sala, como se lá estivessem sós, um para o outro.
Algumas músicas românticas, chorosas, de dor de cotovelo, embalados pela voz meio rouca da cantora, eram mais apreciadas, a sala ficava repleta. Bonito, saudável. As pessoas, tenho certeza, enfrentam melhor a labuta e os dissabores da vida, após uma noitada de música, dança e sensualidade. Inclusive nós. Eu tinha tanta vergonha de dançar, ainda não me atrevo a faze-lo, se o ritmo for desconhecido.Descobrir esse prazer foi uma vitória para mim e creio que para o Irineu também. Ele dança muito bem. Adoro dançar com ele! A dança é, sim, revolucionária, me trouxe alegria, prazer que não imaginava. E o Irineu foi tão companheiro, ajudou a realizar esse meu pequeno sonho.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Covardia com o povo haitiano

Depois de acompanhar as notícias sobre a tragédia do Haiti,por mais de semana, a gente ouve desconfiada as afirmações e a manipulação de imagens feitas pela grande mídia.
Ouvi besteiras que evidenciam o preconceito com aquele povo. Vou citar algumas. "essa tragédia até vai ser boa pro Haiti, porque lhe dá visibilidade". "Eles atraem desgraças, talvez por suas práticas de macumba" Ou ainda: O povo do Haiti já era muito pobre, é um povo sem identidade - não são africanos, também não são franceses e, apesar de viverem próximos a Miami, também não são americanos" " É preciso reforços militares para enfrentar a violência e os saques" "eles não sabem se organizar"...
A lista poderia ir longe, mas creio que já chega para ilustrar os absurdos.Não acho necessário comentar essas frases. Já falam por si.
Quero crer que minhas impressões não sejam verdadeiras, mas creio que, deliberadamente, estão construindo uma idéia de caos sobre o povo do Haiti, deliberadamente a ajuda humanitária não está tendo prioridade.
Quando falam em saques "criminosos" a imprensa é imbecil ou canalha. Chamar de saque o direito fundamental de tentar comer e tomar água, depois de perder tudo, do pouco que tinham? De que saque estão falando?
Com tantos recursos tecnológicos, por que está sendo tão lenta a distribuição de ajuda humanitária (comida, água e socorro médico)? Desconfio que os representantes do Império (Estados Unidos), desejam e dificultam a chegada dos bens fundamentais de propósito, para levar a população ao desespero e irritá-la, e aí, sim, legitimamente, se indignar e cometer atos de "violência". É preciso justificar tantos militares e tantas armas hostensivamente chegando ao país.
Quem mandou os E.Unidos tomar conta dos aeroportos? Estão criando dificuldades com a chegada de ajuda humanitária. Estão dando espaço à chegada de mais soldados e armas.
Esse povo precisa de comida e não de armas. Eles não estão em conflito.
Quem e oque esses militares querem proteger? Certamente a propriedade privada. Aquele povo tão empobrecido vai precisar refazer suas casas, vai ter que botar sua tenda em algum lugar. Que lugares serão esses?
Não serão impedidos e reprimidos, para que não ocupem propriedades privadas? Certamente o aparato policial não é para garantir reconstrução da dignidade dos empobrecidos mas para garantir os bens, as propriedades dos ricos que por lá exploram e saqueiam. Ou para que os haitianos não reconstruam com autonomia seu país, afinal a história dos haitianos é uma história de resistência.
Resumindo: Os haitianos estão sofrendo, além das dores do terremoto, das perdas humanas, outra invasão. Isso é covardia.Estou indignada.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Onde estão as crianças?

Hoje dei-me conta que ha dias e dias não vejo crianças, não ouço vozes, risos e choro de criança. E como sinto falta! No prédio onde moro não há nenhum espaço para as crianças, como na maioria dos prédios, como nas ruas, por toda parte. Qual o espaço para as crianças?
Certamente vivem trancadas, sentadas na frente da televisão, comendo bolachas recheadas. Ou elas estão rareando mesmo.
E como nos faz falta conviver com crianças! Elas tem muito a contribuir com nossa alegria, elas tem muito a nos ensinar.
Ai, que saudades de meus filhos crianças, de meus sobrinhos. Que turma, que algazarra, que comilança! Quantas histórias, quanta diversidade juntas, quanto afeto!
Como era bom fazer bolo, bolinho de chuva, bolo formigueiro, refrigerante caseiro... E como comiam!
E como jogavam bola e nadavam no açude, e fugiam para o morro, escondido de nós. E as conversas, falando todos ao mesmo tempo, não sei como se entendiam.
Como gostavam de se juntar! Tinha de todos os tamanhos. Tenho saudades até do cheirinho de xixi, que as vezes escapava das fraldas ou de algum que se perdia e fazia xixi dormindo, durante aqueles sonos gostosos e profundos de quem estava acabado de tanto aprontar. Que saudade de criança! Acho que preciso ir pras vilas, onde moram os pobres. Lá, creio, vou encontrar crianças. Que bom!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Orgânicos?????

As coisas estão mesmo corrompidas e invertidas. Vi hoje, lá no BIG, o setor de verduras "Orgânicas", caríssimas. Aliás, todas as frutas e verduras estão muuuuuuito mais caras que na rede Super ou mesmo na Rede Vivo. Mas voltemos ao orgânicos. Dizia em alguns rótulos dos ORGÃNICOS', "SEM AGROTÓXICOS".Ou seja:para quem tiver dinheiro, existem alimentos que não tem veneno. Para a maioria dos mortais comuns, alimentos que NÃO SÃO ORGÃNICOS, que contém venenos. Significa que vão causar algum tipo de prejuízo ao organismo. Ora TODOS OS ALIMENTOS TEM A OBRIGAÇÃO DE SEREM ORGÃNICOS. Isso deveria ser rigorosamente fiscalizado: foi necessário algum tipo de veneno? Bem, de que tipo, quanto tempo deixará resíduos? Ou será que, de propósito, é preciso deixar um nixo de alimentos para quem tem dinheiro e DESEJA COMER DE FORMA DIFERENCIADA? Chegamos ao fundo do poço! Aquilo que deveria ser natural, direito de todos, virou excessão e um Mercado especial e caro. Precisamos protestar contra isso. Precisamos descobrir um modo de fazer isso, urgentemente.