quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

LA MISMA LUNA

Nestas noites de luar ( que ninguém deve se descuidar de observar, curtir e namorar ), lembrei-me de compartilhar com vocês o lindo filme que vimos.
La Misma Luna ( A mesma lua) é um drama, produzido no México e EUA, sob a direção de Patrícia Riggem, que aborda uma situação dramática, vivida por uma imigrante ilegal mexicana, nos Estados Unidos, longe de seu filho, que ficou com a avó, no México.
O menino,de 9 anos, com a morte da avó, decide entrar ilegalmente nos E. Unidos a procura da mãe. Bem, não vou contar a história, mas é um filme que aborda a situação dos mexicanos ilegais, das perseguições feitas pela polícia americana e da exploração a que são submetidos, mas o que comove é a solidariedade entre os imigrantes, a coragem de Rosário, a mãe do menino, interpretada pela atriz Kate del Castilo e a coragem, inteligência, solidariedade do menino Carlitos, interpretado por Adrian Alonso.
Ambos contaram com a ajuda de outros mexicanos corajosos e solidários. Muito bonito!
O filme me fez refletir, que a globalização deixou completamente livre a circulação dos capitais e tem tentado impedir os trabalhadores de andar livremente pelo mundo. Para estes, as fronteiras se fecham, erguem-se novos muros, novas legislações impeditivas, cresce a repressão e multiplicam-se os dramas humanos. Os Estados Unidos tem dificultado muito a vida dos estrangeiros, que vão em busca de trabalho. Pudera, os trabalhos, que antes eram desprezados pelos americanos, porque sujos, pesados, cansativos, agora são disputados, pois o desemprego, por lá, já chega a 10%. E não é só nos Estados Unidos, também na Europa cresce o xenofobismo, o fascismo e a rejeição aos africanos, latinos e outros povos, que são vistos como concorrentes e com preconceitos. Mas, voltando ao filme, eu recomendo aos que gostam de se emocionar. O Irineu e o meu filho Pedro viram comigo e gostaram. Eu e o Pedro choramos.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Visita do Presidente do Irã ao Brasil

A coluna OPINIÃO DA RBS do Diário de hoje tem o título: O EMISSÁRIO DA INTOLERÂNCIA. A coluna tem a pretensão de induzir qual deve ser o comportamento do governo brasileiro em relação a visita de Ahmadinejad. Menciona diversas supostas posições do Presidente do Irã, que considera negação aos princípios mais elementares dos Direitos Humanos. Diz literalmente que o Sr. Ahmadinejad "mantém o mundo sob a permanente ameaça nuclear".
Ora, me poupem! Claro que não precisamos concordar com a suposta pena de morte para homossexuais, entre outras idéias que não concordamos e que devemos publicizar nossa posição, mas daí a achar que é do Irã que vem a ameaça nuclear e os ataques aos direitos humanos, é muita hipocrisia. Sou da opinião que todos os países que possuem armas nucleares e de destruição em massa, devem destruí-las ( se é que isso é possível) e NÃO USÁ-LAS JAMAIS, antes de querer exigir qualquer coisa, nesse sentido, de outros países que não as tem. Se o Irã é ameaça, o que dizer do massacre de civis palestinos, realizado por Israel,diante dos olhos do mundo, neste ano? E a Invasão e mortes realizadas pelos Estados Unidos no Afganistão e no Iraque, com a utilização de armas de efeito radioativo, que tem matado e gerado câncer em crianças, mulheres e idosos? E onde estão as armas de destruição em massa do Iraque? Não foram encontradas, mas mesmo assim, milhares de cidadãos, civis, foram mortos, com esse pretexto. Isso sim, é ameaça concretizada! O Presidente do Irã é o emissário da intolerância? Não esteve aqui o presidente de Israel, que tem sido TÃO INTOLERANTE com os palestinos? Não li nenhuma recomendação sobre as intolerâncias e a periculosidade de Israel. Quanta hipocrisia! Ainda bem que o Presidente Lula é bem lúcido e sabe separar o joio do trigo e tem demonstrado competência e liderança no trato das questões internacionais!

sábado, 21 de novembro de 2009

Os estragos das chuvas

Aos sábados o Irineu e eu costumamos ir ao Centro de Comercialização da Medianeira, onde os agricultores Familiares vendem seus produtos. Ali, a gente encontra de tudo um pouco, para a alimentação da familia e ainda pode-se admirar e comprar artesanato da região. Tem verduras, frutas da estação, queijos, massas, pães, cucas, bolos, mel, melado, temperos, flores, galinha de colônia, salames, (embutidos em geral), geléias, etc. Além disso é um passeio e a gente sempre encontra conhecidos e amigos e conversa com os produtores sobre a qualidade dos produtos, sobre as dificuldades e progressos. Torcemos muito por esses agricultores familiares.
Hoje fomos lá para abastecer-nos para a semana. Ficamos tristes. O setor de verduras estava precaríssimo. Dava pena de ver o que restou depois da chuvarada! Numa banca, conversei com a trabalhadora rural sobre as alfaces, brócolis, rúcula, agrião, que haviam na semana anterior e ela me respondeu triste: " apodreceu embaixo d'água. E todas as bancas estavam muito precarizadas. Os preços também subiram. A gente pode sentir rapidamente o quanto a agricultura familiar é vulnerável. Por isso, creio, esses trabalhadores sempre precisarão de mais apoio, pois trata-se da comida que chega à nossa mesa.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Piso salarial ou teto, para professores e brigadianos.

A Governadora Ieda remeteu à AL projeto de Lei sobre remuneração ao magistério e Brigada Militar. Sobre a Brigada Militar não conheço direito a situação, só sei que a categoria não foi ouvida e que tem problemas, como no magistério.
No nosso caso (do magistério) é o mais sacana dos projetos que algum governo já enviou. Por que? Porque a curto prazo seduz boa parte da categoria, que, desesperada, vai dobrar o valor do mísero salário que recebe. Isso é tentador e humanamente compreensível que esses milhares de professores desejem que o projeto seja aprovado, mesmo sacrificando o futuro.
No entanto, todos os professores, da ativa e aposentados, que estejam recebendo acima de 1.500,00 não terão reajuste algum e não se sabe quando o terão. O projeto de lei não foi debatido com a categoria para que pudesse ser construído alternativas de preservação da carreira, mantendo estímulo à formação e qualificação. O Plano de Carreira, pelo que se ouviu do projeto, simplemente desaparece. Na verdade, se os 1.500,00 fosse piso, deveria ser contemplado com os benefícios da carreira, incidindo sobre ele os percentuais do Plano de Carreira. Isso seria muito mais do que a categoria reivindica. É claro que não se trata de piso, mas de TETO salarial.
Óbvio que, para teto, é um valor muito reduzido, para dedicação exclusiva. Quem se aposentou, depois de 25 ou 30 anos de serviço, fez especialização, dedicou-se, isso é um mau salário e, certamente, não dá conta do sustento digno da familia.
Com o projeto, Ieda institui e meritocracia, com o 14º salário por produtividade e já se sabe que isso vem junto com a implementação do ensino unificado, padronizado, com a utilização das Cartilhas. (já estão havendo treinamentos com os supervisores escolares sobre isso). Os professores TERÃO que seguir as cartilhas, pois sobre os seus conteúdos o Estado vai realizar a avaliação externa e identificar a tal de produtividade de cada professor. Isso está na contramão da LDB que indica que os Projetos Pedagógicos devem ser construídos pela comunidade escolar, considerando as especificidades de cada região ou comunidade. Muitas direções e professores vão gostar pois é mais comodo. Já vem tudo pronto.
Por outro lado, essa proposta pedagógica (se é que se pode chamar isso de pedagógico) está defasada em relação à atual tendência dos modos de produção. Essa proposta é Taylorista, segue a lógica da linha de montagem, já em declínio. Deixa-nos sem saber o que fazer. As perspectivas são muito ruins para a educação e para a categoria, que, certamente, sairá dividida, enfraquecida e sem vontade de estudar e de se aperfeiçoar. Precisamos derrotar o PSDB nas eleições ( e seus aliados) porque eles são, sob todos os aspectos, um retrocesso, a volta do entreguismo, do autoritarismo e da subordinação aos ditames do Capital e do Mercado. Precisamos encontrar a estratégia para continuar lutando. A greve, provavelmente, será difícil, exatamente porque muitos precisam urgentemente desse dinheirinho, mesmo sacrificando a carreira.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Eu vi o deboche ao grito dos pobres

Quarta-feira de manhã, ao cruzar a Praça Saldanha Marinho, deparei-me com uma mobilização de moradores das vilas periféricas de Santa Maria, clamando por melhor atendimento à saúde. Estavam com um caminhão de som e um coordenador explicava os motivos da manifestação. Moradores seguravam faixas, queixando-se da falta de médicos nos postos e de outros tipos de negligência, com o atendimento à saúde pública. Estavam presentes pessoas que fazem tratamento contra a Anseniase, conversei com algumas. Haviam muitas mulheres e crianças.
As alegações dos moradores eram muito pertinentes. Pareceu-me uma justa e digna mobilização por um direito fundamental, garantido em Lei.
Sobre isso, li no jornal de hoje (Diário de Santa Maria), que o Secretário de Saúde e vice-prefeito José A. Farré, recusou-se a recebe-los, alegando que não era uma manifestação séria.
Pergunto-me: por que não era séria? Será por que, visivelmente era uma manifestação de gente pobre, modestamente vestida, composta, na sua maioria, de mulheres e crianças?
O que me espantou foi a reação de populares que passavam: Houve gente que desviou o caminho para não passar pelos manifestantes. Dois guardas municipais comentaram com uma senhora e comigo, que aquelas crianças deveria estar na escola e "não aprendendo a fazer baderna". Outro senhor que varria a rua, falou em voz alta, para quem quisesse ouvir: "daqui a pouco esses vagabundos vão acabar presos". As pessoas que passavam, estudantes, senhoras, senhores (gente bem vestida) passavam, riam, sacudiam a cabeça de forma negativa e alguns criticavam a manifestação.
Pensei: O que há de errado com a manifestação? Ou há algo errado com esses populares, tão indiferentes às causas de defesa da vida? A que grau de desumanização ou de decepção se chegou para que uma reivindicação tão pertinente, tão necessária, seja percebida como baderna de gente desocupada? Continuo pensando e ainda não entendi. Alguém pode me ajudar a entender?

20 anos da derrubada do Muro de berlin

Esta semana a grande imprensa divulgou a comemoração dos 20 anos da derrubada do Muro de Berlin, que separava a Alemanha Ocidental (capitalista) da Oriental (socialista). Falaram no significado desse acontecimento, símbolo de libertação, de democratização do mundo, do avanço da humanidade, etc. etc. Ouvi alguns depoimentos de antigos moradores de Berlin Oriental e da decepção com as atuais condições de vida (desemprego, insegurança, etc.) e do muro invisível que ainda separa os moradores das duas Alemanhas.
Fiquei pensando por que os meios de comunicação do atual e hegemônico modo de vida, comandado pela total liberdade de Mercado, não falam dos muros do Capitalismo? Só para citar dois: O muro vergonhoso da Cisjordânia, imposto por Israel (com apoio dos Estados Unidos e seus comparsas) aos Palestinos, estes submetidos a humilhante precariedade de vida. Tanta é a opressão que até a água é racionada, por imposição de Israel.
E o muro que separa fronteiras do México com os Estados Unidos? O capital financeiro, as transnacionais, podem transitar livremente por todos os países, sem muros, sem respeitar fronteiras. Por que a livre circulação de pessoas não é permitida? O Capital não tem Pátria, não tem fronteiras, mas às pessoas, erguem-se muros.
Mas aí pensei também em outros muros, e cercas: as cercas do latifúndio, que separam os sem-terra e minifundiários das grandes extensões de terras, tomadas por estrangeiros, grileiros, banqueiros...e que tem provocado tanta pobreza e violência! E os muros impostos pela discriminação, pela intolerância, pela desigualdade econômica, social e cultural? Lembrei-me até de um muro construido num bairro de classe média de Santa Maria, para se separarem e se "protegerem" dos pobres das ocupações! E tem ainda os muros subjetivos, daqueles que não toleram o diálogo, as singularidades, as diferenças, a pluralidade.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

SOBRE O ATO DE FALAR E ESCREVER

Confesso, tenho dificuldades para transformar o "verbo" em "texto". Assim como a maioria dos professores eu falo muito e escrevo pouco. Nas escolas, muitas práticas significativas são realizadas e deixam de ser compartilhadas porque não são registradas.
Mesmo quando os professores participam de congressos e seminários, pode-se constatar que pouquíssimos fazem anotações. Observei, nos meus 30 anos de magistério que, de modo gera, os professores não gostam de falar em público. Quando falam, então? Na sala de aula. Aí é o seu espaço e aí eles teem dificuldades de deixar que outros falem.
Há uma queixa geral dos professores sobre a desatenção e excesso de barulho (conversas) em sala de aula, por parte dos alunos. Há professores que exigem silêncio e não dão chance ao diálogo.
Há momentos que o silêncio é reflexão, é a voz que ainda não se transformou em fala, porque silêncio e diálogo parecem estar relacionados.
Mas assusta-me o silêncio da omissão, da submissão, o silêncio que sufoca, que consente porque sufoca a vontade de gritar.
É absurdo pensar o ser humano sem a palavra, sem que possa expressar seus desejos, sem que possa intervir e dialogar.
É grande o número de estudantes que ingressam na escola falantes, alegres, curiosos, comunicativos, perguntadores e ao longo de anos de escolarização, vão perdendo a alegria, não gostam de ler, nem de escrever e muito menos de falar em público. A maioria se expressa com dificuldades. A escola é capaz de realizar essa façanha! Não haverá, aí, um tipo de violência institucionalizada? A de não permitir a liberdade de falar?
Mas o que é uma prática pedagógica que promove o diálogo?
Certamente o professor terá de coordenar esse processo para realimentar curiosidades, instigar pesquisas e argumentações, debater e resolver problematizações, etc. e isso só poderá acontecer se o diálogo constituir-se como negação do silêncio imposto, respeito às diversidades, desejo de conhecer, ouvir e aprender, apreço pelos saberes dos educandos, incentivo à oralidade, à manifestações de emoções, de opiniões, de afetos.