sábado, 11 de dezembro de 2010

WIKILEAKS: A quem incomoda?

Wikileaks é a organização mais comentada nos noticiários, principalmente na internet.
Ouvindo apenas as notícias da Grande Imprensa, geralmente afinada com as versões pró-Estados Unidos e seus aliados, cheguei a entender que era uma organização de Hackers que haviam praticado atos de espionagem, pirataria e que atuavam na ilegalidade.
Mas através da internet passei a ler textos de jornalistas que gozam de credibilidade e que me parecem mais autônomos em relação à divulgação das informações, percebi que essa organização gozava de respeito internacional e não atuava na ilegalidade.
Algumas perguntas me instigaram e passei a buscar informações em diversdas fontes.

Que organização é o WIKILEAK?

Trata-se de um meio de comunicação via internet, criado em 2007, sem fins lucrativos, registrada legalmente na Alemanha, mas operando a partir da Suécia. Possui 5 empregados, 800 colaboradores eventuais, centenas de voluntários em todo mundo: jornalistas, informáticos, advogados...Tem um orçamento de 300 milhões de euros anuais, fruto de doações confidenciais.

Qual o objetivo da organização?

Defender a comunicação livre, sem as tendenciosas interpretações e filtragens das notícias, e abraça a causa global de obter e divulgar informações secretas de governos, corporações e até de meios de comunicação que ocultam a verdade dos cidadãos.

Como tem sido a atuação da Organização?

Tem denunciado para todo o planeta, via internet, atos de corrupção, abusos, tortura e matanças em todo mundo, como exemplos, as lavagens de dinheiro ilegal, na Suíça, as atrocidades nas guerras promovidas pelos Estados Unidos, como os 70.000 documentos publicados em julho sobre as barbáries na guerra do Afeganistão ou os 400.000 sobre o Iraque, divulgados mais recentemente.

Como o WIKILEAKS obtém as informações?

Através de denúncias realizadas por soldados e agentes de segurança dos norte-americanos e verificadas por repórteres do Wikileaks em entrevistas com sobreviventes e arquivos fornecidos pelos denunciantes.

Quem é JULIAN ASSANGE?

É o diretor da organização. Tem 39 anos e desde a adolescência usa seus dotes matemáticos e informáticos em ativismo para causas políticas e de denúncias. Por isso incomoda muita gente graúda e vive na semiclandestinidade, deslocando-se de um país a outro, por razões óbvias.

A organização tem credibilidade?

O Wikileaks recebeu muitos premios internacionais pelo seu trabalho em favor da verdade, inclusive da Anistia Internacional.
De acordo com o sociólogo americano Manuel Castells:
" é uma organização de comunicação livre, assentada no trabalho voluntário de jornalistas e tecnólogos, como depositária e transmissora daqueles que querem revelar anonimamente os segredos de um mundo podre, enfrenta aqueles que não se envergonham das atrocidades que cometem, mas se alarmam com o fato de que suas maldades sejam conhecidas por aqueles que elegemos e pagamos".

WIKILEAKS MENTE?

Não vi nenhuma manifestação de governos ou autoridades desmentindo absolutamente nada do que foi revelado pela organização. Hillary Clinton condenou a publicação porque "coloca em risco a segurança de algumas pessoas", mas não comentou as denúncias de tortura e mortes reveladas pelos documentos.
Atacam o divulgador, o mensageiro, quando deveriam prestar contas dos atos de barbáries, mortes de inocentes (civis, incluindo crianças),sabotagens, traições, desrespeito aos direitos humanos.
Afinal, como pergunta Lula: "onde estão os que defendem a liberdade de imprensa?

Por que Assenge foi preso?

Óbvio que não é porque tenha praticado crimes sexuais, como forjaram na Suécia, para mante-lo preso. Mas não conseguem prender a organização. Inventaram uma situação, que disseram ser criminosa, exatamente porque não conseguiram encontrar nada de ilegal na organização.
A reação foi imediata: minifestantes apoiando Assenge no mundo inteiro. A organização dos "Anonimos" ou os" Sangue Frio" afirmam que vão continuar com a campanha pacífica pela liberdade de expressão e de Assenge e vão atacar os portais que "se submeterem às pressões dos Estados Unidos". Eles afirmam:
" que a internet seja para os jornalistas honestos e os cidadãos de qualquer país, independentemente do que pensam ou digam...o último bastião da liberdade neste mundo em acelerado desenvolvimento tecnológico node todos podemos nos unir e sermos fortes."

E concluo transcrevendo as sábias palavras de Castells:
"Tinha que acontecer. Há tempo os governos estão preocupados com sua perda de controle da informação no mundo da Internet. ...O ciberespaço, povoado de fontes autônomas de informações é uma ameaça decisiva sobre essa capacidade de silenciar sobre a qual a dominação sempre se fundou."

Quanto a mim, concluo que precisamos defender essa organização. O que está em jogo é a verdadeira oportunidade de autonomia sobre a capacidade que todos temos de nos informar e de fazermos midia independente e soberana.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

EXPLICANDO AUSÊNCIA

Fiquei dias ausentes, desculpem.
Nestes dias ando preocupada com o Natal e como diz minha cunhada Carla: "tensão pré-natal". É verdade.
E não é com presentes que estou preocupada. Minha preocupação é com os encontros familiares: resgatar e manter, nas famílias, o antigo costume que tínhamos de nos reunir, pelo menos, no dia de Natal e, no caso da família de meu marido, no final de ano.

Nesse sentido, estive viajando. Fomos ao interior de Caçapava do Sul, no Rincão de Lurdes, que fica à beira do riacho Picó, na antiga morada dos pais do meu marido Irineu. Casa velha, perto de 100 anos.
Lá varremos, aspiramos, concertamos, lavamos, arrumamos e deixamos tudo encaminhado para receber, nos últimos dias do ano, a enorme familia dos Dalmaso, apesar de alguns já terem deixado o plano terreste, segundo algumas convicções.

Quanto ao encontro familiar dos Copetti, conseguimos um lugar lindo para nos reunirmos no Natal, graças à genosidade de um casal de amigos: João e Sandra. Obrigada, queridos!
Estamos muito felizes porque poderemos estar, quase todos juntos no dia de Natal. Vamos comer, claro, mas vamos conversar, saber de cada um, cantar, brincar com as crianças . Vamos festejar os novos integrantes da familia, que é grande.

Mas esse envolvimento de preparativos não me tiraram a atenção em relação ao que está ocorrendo no mundo.
Entre tantas coisas que gostaria de comentar, o que me preocupou mais é a questão da favela do Alemão, no Rio de Janeiro.
Qualquer dia vou analisar isso. Hoje digo apenas que me preocupa o estado de ocupação da favela, da vulnerabilidade sobre a vida daquela população. Será que agora terão mais segurança? O que, de fato, aconteceu? Por que os bandidos praticaram ações tão provocativas? Queriam a ocupação das forças de repressão? Por que?

A população teve de abrir mão dos direitos individuais e deixar devassar suas casas, em nome da segurança. Estarão, agora, mais seguros?
Não terão, agora, um permanente controle sobre suas vidas? É um precedente perigos! E fica a pergunta: Onde, de fato, estão os chefes do narcotráfico? Aí tem!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Macondo Circus


Nesta Semana, estou comprometida com as atividades do Macondo Circus: um evento cultural, que surgiu a sete anos para divulgar Bandas de Rock, principalmente. Hoje, na sétima edição, ampliou muito as atividades musicais e culturais, constituindo-se numa semana em que, como diz no folder: " o palco onde as artes se encontram".

E não só as artes: plásticas, musicais, teatrais, grafiteiros, poesia, performance, cinema, etc., mas também diversas atividades de discussões.
Hoje, por exemplo, no SESC tem o que a coordenação chama de Cartografias da Cultura, que na verdade é uma discussão sobre "como viver juntos", com a presença de psicólogos, artistas, professores, ativistas sociais e público interessado.
Serão dias de oficinas e shows.

Minha colaboração é dar carona para os artistas que chegam de Buenos Aires, Recife, Porto Alegre e outros lugares. Pego na rodoviária, levo pro hotel, pros bares, pros eventos e vou conversando. O que me encanta é que esse povo vem, sem cachê, vem para se juntar a outros artistas, mostrar seu trabalho, trocar experiências e participar de todas as atividades.Isso torna o encontro mais rico. Com pouquíssimos recursos o festival vai acontecendo (a abertura foi ontem, muito legal) na base da colaboração, da coragem e comprometimento, de algumas pessoas, com a cultura e com a arte. São ativistas culturais e sociais.

Claro que tem os momentos no Macondo Bar, para uma cervejinha, música, dança, namoro...faz parte e é bom. Lá nós não temos ido, afinal somos um comportado casal na terceira idade.
Mas hoje nós vamos no Macondo Bar porque vai ter uma atividade que tem um nome pomposo: Mostra Internacional de Hipnose Audiovisiual, com artista de Recife. Até as 22 horas e aí tenho que dar carona pros artistas até o Hotel Morotin, lá fora. E encerro minhas atividades. Estou contente de poder colaborar.

sábado, 20 de novembro de 2010

De quem é a culpa?

Racismo, xenofobismo, fascismo...me escandalizam e me dão asco. Explico:
Dia 17 do corrente, no Jornal do Almoço da RBS de Santa Catarina, um jornalista comentava o elevado número de acidentes com mortes, ocorridas nas estradas brasileiras, no último feriadão. Forneceu os números e passou a palavra para um pseudo jornalista analisar a notícia.
Reproduzo aqui as infelizes frases do comentarista denominado LUIZ CARLOS PRATES.

De quem é a culpa dos trágicos acidentes? O comentarista energúmeno, entre outras barbaridades afirmou:

"O responsável é este governo espúrio que popularizou o crédito, oportunizando que qualquer miserável, que nunca leu um livro, mora apertado numa gaiola que chamam de apartamento, sem a menor qualidade de vida, casado, num tolera a mulher e ela não o suporta também, aí, para se distrair, pega o carro, bota a familia pra dentro, e sai a viajar. Carro velho, casal que não se tolera, a correr pelas estradas, sem as menores condições, para descarregar frustrações... dá nisso!"

É intolerável, a explícita manifestação de preconceito. Somado a isso, no mesmo dia, o jornal da Record divulga a carta homofóbica do reitor da Universidade MQuenzie, de São Paulo e a agressão (tentativa de homicídio) de alguns jovens, gratuitamente, contra um homosexual.

São manifestações de violência e de intolerância contra os seres humanos: ódio de classe, de opção sexual e de modo de vida. E esses incitadores à violência, ao pensamento segregador e fascista, não são gente sem instrução, sem informação, pobres. São comunicadores, educadores, gente que tem tudo, tem acesso às melhores escolas.

Isso parece estar crescendo e se escancarando, ultimamente. É preciso que educadores, autoridades, familias, se posicionem contra esse tipo de conduta.
O assalto à minha filha, que teve a mochila roubada por dois motoqueiros, me deixa menos preocupada e menos escandalizada, porque não mexe com a subjetividade e a formação de milhares de telespectadores, como pretendeu a RBS de Sta. Catarina. O que me consolou é que ouvi muitas manifestações de repúdio ao energúmeno Luiz Carlos Prates, que no mínimo, devia ser demitido da emissora, se realmente ela não compactua com esse tipo de pensamento.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Viver dá trabalho

Meu blog anda mais lento. Algumas coisas em compasso de espera, amadurecendo na minha cabeça, outras coisas não me envolvo e não gosto de comentar. Exemplo: Romarias, acidentes, doenças...
Mas a vida é feita disso também e todos somos afetados pelo modo de vida contemporâneo: a violência, por exemplo. Todos os dias alguém nos relata assaltos, sustos, medos...e a gente sente, de verdade, quando isso acontece com as pessoas que nos são próximas, com familiares. Aconteceu com uma filha nossa ( que foi assaltada). Mas ela está bem, é corajosa e está tomando as providências para cancelar cartões, readquirir docomentos, etc.

Estamos aí, enfrentando a vida: hoje o Irineu fez cirurgia de cataratas em um dos olhos, o outro já havia feito. Foi tudo bem. Os olhos são preciosos e não dá para descuidar. Vai um dinheirão: hospital, lente, anestesista, médicos...Mas creio que é um dinheiro bem aplicado. Estou contente porque correu tudo muito bem.

Também estamos ajudando na preparação de um grande seminário de educação e esta semana começamos a nos envolver no Macondo Circus. Vou ser uma das motoristas, a serviço dos músicos,o que muito me honra.

Vou ter pouco tempo pra escrever, mas na medida do possível vou comparecendo, dizendo que fico muito feliz quando alguém faz algum comentário. Aceito críticas e sugestões. Mesmo quando é algum anônimo, eu considero muito os comentários.

É isso, por hoje, vou levar o Irineu à clínica para o médico orientar os cuidados com a cirurgia: tem uma porção de colírios para serem ministrados. Cuidar do meu companheiro é fundamental e eu o faço com dedicação. Fui, abraços!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

REUNI EM SILVEIRA MARTINS

Tenho falado do Campus da UFSM em Silveira Martins neste blog e vou continuar falando, porque estou indignada com o que está acontecendo no referido Campus.

Lá foram aprovados cursos de tecnólogos pelo MEC e pelo Conselho Universitário, porque se tratavam de cursos compatíveis com as necessidades da região central e visando alavancar o desenvolvimento endógeno, a partir dos Sistemas Locais de Produção, com objetivo de geração de renda, para uma região que tem perdido renda e população. Houve muita pressão da comunidade da região para que esse Campus fosse aprovado.

Tenho ouvido e lido contestações ao REUNI, principalmente sob a alegação de que o governo estaria aproveitando estruturas físicas e recursos humanos existentes e com isso precarizando os cursos existentes nas universidades e que não investe dinheiro novo suficiente nos novos cursos do REUNI.
Pode ser que isso efetivamente aconteça e creio que, nesse caso, a comunidade universitária tem todo direito de pressionar.

No entanto o que acontece em Silveira não é isso.
Os cursos de Silveira estão correndo sério risco e a continuidade do Campus, a meu ver, também. Mas não porque o governo não tenha fornecido as condições exigidas.
Tenho informação fidedigna porque fiz parte do processo de discussão com a comunidade e de mobilização pela criação daquele Campus e venho acompanhando cada passo, cada acontecimento.

Na verdade houve um grande esforço inicial, coordenado por uma equipe, inclusive pelo professor Jorge Cunha, quando era pró-reitor de graduação, no sentido de garantir plenas condições de funcionamento e de projeto pedagógico pertinente aos objetivos.
Construído o Projeto Pedagógico, abriu-se concurso, com avaliações adequadas ao cumprimento do Projeto Pedagógico. Exigiu-se o melhor: doutourado.
Elaborou-se o projeto do prédio e instalações em área destinada para o Campus. O Edital de Licitação foi realizado e suspenso pelo atual reitor Felipe Muller.

Em resumo: O terreno está lá, a verba para construção do prédio foi destinada para outras finalidades, os professores (doutores) não estão cumprinco com o projeto pedagógico, faltam equipamentos para laboratório e a maior parte dos funcionários concursados para o Campus assumirão em Santa Maria.Os projetos de pesquisa, ensino e extensão previstos, não estão acontecendo. Muitos alunos já se evadem, em decorrência de expectativas frustradas.

Portanto, o governo Federal fez sua parte: liberou recursos para o prédio e equipamentos, professores e funcionários reivindicados, aprovou os projetos, etc.
Quem descaracterizou e desfigurou o Campus? A reitoria e a atual direção e coordenação pedagógica.
Ah, esqueci de dizer que não haverá vestibular em janeiro e nem em maio como estava previsto. Folga para os professores com dedicação exclusiva. Doutores que haviam se comprometido com a proposta pedagógica e que agora, acham-se no direito de não cumpri-la. Professores, que não se fazem presentes nos eventos do Campus da Universidade na comunidade, como ocorreu na seção solene da Camara de Vereadores, em comemoração aos 50 anos da UFSM. Professores e alunos que não lutam pela Unidade, ausentes e indiferentes.

E a comunidade? Parece-me que está sendo "enrolada" pela direção da Unidade. Lamentável! Por essas e outras que, talvez, o REUNI fique desmoralizado. Talvez, de fato, outros municípios da região lutassem e valorizassem mais essa, que deveria ter sido uma grande conquista!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

PONTO DE CULTURA


Sábado, dia 6, estive em Caçapava do Sul-RS, num encontro de professores.
Fazia parte da programação do encontro um "relato de experiência". O referido relato foi uma agradável surpresa. Lá, na periferia de Caçapava do Sul está operando, a todo vapor, um Ponto de Cultura.

Caçapava tem, pelo menos, dois CTGs (Centro de Tradições Gaúchas). Um deles, fundado e freqüentado praticamente por uma comunidade negra: CTG Clareira da Mata. Aí está funcionando um Ponto de Cultura, aliás, transformou-se nisso.

A partir do desejo de mães, que reclamavam ser o CTG um lugar em que só os homens tinham atividades ( jogo de bochas e de cartas), algumas pessoas passaram a pensar em movimentar o CTG, ampliando-lhe as possibilidades. As mães falavam em atividades para toda a família e, de preferência, que a família pudesse compartilhar.
Foi aí que duas professoras negras (que segundo dizem não são do Movimento Negro mas são Negras em Movimento)ouviram falar nos Pontos de Cultura do MINC. Informaram-se, fizeram Projeto para o Ministério da Cultura, foi aprovado, vieram os recursos.

As professoras, que haviam feito pesquisa na comunidade sobre os desejos e necessidades, buscaram parcerias e iniciaram o trabalho. Inicialmente com danças gaúchas com jovens e crianças e Coral para as mães. Depois, sempre a partir da demanda, foram melhorando as atividades e ampliando: Biblioteca - ponto de Leitura - ; Encontro de Raízes Gaúchas; Artesanato - em couro, tecido, palha e madeira, inclusive redescobrindo o artesanato em couro crú, já conhecido por antigos moradores, denominado de Guasqueiro, muito procurado e aceito, inclusive pelos jovens.

Ampliaram para culinária gaúcha (Receitas no Ponto) e o mais procurado pelos jovens: comunicador de rádio. Nesse último, eles se preparam para produzir programas de rádio e encenar lendas da região, estilo das antigas novelas de rádio. Fora isso tem ainda música, teatro e outras atividades pontuais. Algumas oficinas os alunos só podem participar se apresentarem boas notas e freqüencia na escola. Questionável isso, mas eles acham válido.

Não é preciso nem dizer que algumas pessoas já produzem renda, a partir da ampliação da culinária e artesanato. Claro que junto vem aquele discurso de "retirar os jovens das ruas, dos perigos, do crack", etc. Falo discurso porque não sei se isso é, realmente, uma realidade da comunidade em questão.
Segundo as professoras, existem ainda muitas outras demandas da comunidade, mas não conseguem dar conta. São infinitas possibilidades! Nos encantou o entusiasmo!

Tomara que o próximo governo acerte na escolha do ministro ou ministra da Cultura e que se aperfeiçoe, ainda mais, esse processo de democratização dos recursos, para possibilitar muitas outras atividades populares de cultura.

Ao final do relato fiquei me perguntando: Por que só fora dos espaços institucionais da escola, é possível realizar atividades de interesse, livres de notas, de hierarquias, de conteúdos homogênesos, da fragmentação dos tempos? Por que as atividades que dão prazer, quase nunca, são possíveis na escola? Quantos Projetos e "experiências pedagógicas" são realizadas fora da escola ou no turno inverso ao das aulas? Já ouvi muitos relatos! É como se paralelo à escola as comunidades estivessem inventando outras formas prazerosas e criativas de realizar educação. Quando vamos ter coragem de "explodir ou implodir" a escola tradicional e transformar num espaço em que as gentes gostam de estar?