Já deixei de ver novela e BBB da Globo, mas como eu me odeio, eu ainda vejo o Jornal Nacional.
Cada vez mais me convenço que o povo brasileiro, se assistir assiduamente o JN, vai ficar, ainda mais, mal informado.
Hoje o casal Bonner e seus editoriais, se superaram. Anunciaram o inusitado crescimento do PIB brasileiro, o terceiro maior do mundo. Motivo de alegria? Para a Globo, motivo de preocupações.
Passaram a palavra aos seus "preparados analistas" econômicos. Foi um festival de bobagens, ao fazerem afirmações sem nenhum fundamento em qualquer manualzinho inicial de economia.
Primeiro realçaram que o PIB cresceu, principalmente, no comércio. Isto é: o povo acreditou e se sentiu seguro e comprou, viajou, pagou escolas, comprou imóveis, automóveis, etc. Certo, até aí, mas não mencionaram os milhões de brasileiros, que com o Bolsa Familia, os PRONAFs e micro-créditos, puderam comprar alimentos e eletrodomésticos. Isso foi fundamental para aquecer todo circuito produtivo da economia interna.
Os ricos gastam fora do país. São os médios que gastam aqui e aquecem a economia.
Depois falaram que o governo vai cortar gastos, mas investe dinheiro no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Segundo eles um ato anula o outro e decorre daí um grande perigo do crescimento da inflação. Aí reside a maior bobagem.
Quando ocorre inflação? Quando os gastos são superiores à produção, pois a demanda maior que a produção, puxa os preços para cima. É preciso "esquentar" a moeda. Ora, os gastos em demasia, por conta de créditos, devem ser acompanhados de produção, para que a moeda não se desvalorize. Como aquecer o setor produtivo?
Injetando recursos na infraestrutura necessária à produção (Obras do PAC). Ou seja: esse é o papel do BNDES . É coerente o que a Presidente fez: mantem o poder mínimo de compra da base da pirâmide, reajustando o Bolsa-Familia e investindo recursos na infraestrutura produtiva.
Além disso, ela cumpre parte do que falou na campanha, que foi gerar oportunidades de trabalho, fazendo a economia crescer e cuidar de reduzir a extrema pobreza.
Existem aspectos do governo que ainda é cedo para julgar. Não estou gostando, por exemplo, da linha de atuação da ministra da cultura. Saudades do Gil! Mas isso é outro assunto, que ainda preciso de maiores informações.
Também ainda não dá para avaliar a retração dos concursos. Creio que é preciso frear o crescimento da máquina pública, aproveitando melhor o pessoal existente e pagando melhor. Isso ainda veremos. Em todo caso, alguns setores de servidores públicos devem se mobilizar. A luta para valorizar o trabalho continua fundamental.
Hoje me pareceu que os comentários foram, propositadamente, desqualificados. A TV Globo parece querer criar um clima de crise econômica, intencionando pautar as ações do Governo, numa tentativa de voltar aos princípios ortodoxos do mais tradicional neoliberalismo. Isso não é bom.
quinta-feira, 3 de março de 2011
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Notícia maravilhosa
Cada vez que eu descobria que estava grávida eu sentia uma enorme emoção, todas as quatro vezes. Eu ficava sensível, chorava facilmente: mistura de alegria com susto, diante da grandeza da alegria e da responsabilidade.
Curtimos muito nossos filhos e pensei que emoções daquela dimensão eu não mais sentiria.
Mas enganei-me. Hoje senti a mesma emoção, quando minha primeira filha, a Lúcia, anunciou que está grávida. Sinto-me grávida com ela.
Sei que o filho é dela (deles) mas também sei que os filhos não são só dos pais.
Estarei presente, respeitando os limites necessários.
Sei que minha filha está um pouco preocupada, mas filho é uma dádiva e só nos enriquece, nos humaniza. Estamos muito felizes, de verdade!
Congresso em El Pinar - Uruguai

Estivemos oito dias em El Pinar, Intendência (corresponde a município, no Brasil) pertencente à região metropolitana de Montevidéo.
Todos os anos o MOBREC (Movimento Brasileiro de Educadores Cristãos), organiza a Jornada de Verão, que une formação, convivência, troca de experiências e turismo.
Nos primeiros três dias o grupo (de 44 pessoas) relatou e avaliou o trabalho do ano referente às ações realizadas na educação e fez o planejamento para 2011. Nos dias restantes o grupo realizou passeios, com o objetivo de conhecer e interagir com outras culturas. Haviam professores do Uruguai e da Argentina. Quem tinha grana aproveitou para fazer compras, é claro.
Nossa primeira parada foi em Rivera e a última em Aceguá, adivinhem com que objetivo!
Em relação à formação, gostei de alguns relatos de experiências pedagógicas e tivemos uma reflexão com um professor uruguaio ( Langon) sobre a educação ambiental. Muito boa.
O planejamento foi bem produtivo. Quanto à convivência, é preciso ser generoso, tolerante, porque testemunha-se gestos de solidariedade mas também de muito egoísmo.
Andamos muito dentro de Montevidéo. Cidade bonita e, ao contrário do país, que tem praticamente só eucalipto e pinus no que se refere à vegetação de maior porte, Montevidéo é bem arborizada. Conseguiram preservar e plantar um tipo de árvore que é nativa, dentro da cidade. Ficou muito bonito. Cidade limpa, trânsito bem organizado. Claro que não fomos às periferias. Aliás as rodovias são ótimas, muito bem cuidadas.
Montevidéo tem lugares interessantes e a nossa guia tinha uma conversa boa, com bons e críticos comentários sobre a história do país. E foi nessas conversas que ela contou que não há indígenas no país, mas que havia, foram todos dizimados pelos colonizadores brancos. Negros? Muito poucos.
Vimos prédios históricos, como cassinos, palácio do Parlamento, a Catedral e outros. Entre eles o Shopping Punta Carretas que foi um grande presídio, onde a ditadura uruguaia, torturou e matou, como aqui. Lá esteve Mujica, o atual presidente uruguaio. O luxo do atual shopping soterrou a história horrenda que aconteceu no local.
Estivemos, também, na Colônia do Sacramento. Ali ainda está bem presente a arquitetura portuguesa e espanhola que marcaram suas diferenças nos prédios, nos calçamentos, na Igreja, etc.
Claro que passamos por Punta Del Este, a famosíssima praia. A cidade não tem muito de interessante, a não ser o luxo dos prédios e casas. A praia tem muita pedra, rochas enormes, como fala o nome de uma delas: Praia Brava. Mas são paisagens lindas, água fria, muito barco de luxo. Os preços são pela hora de morte. Quem não tiver bastante grana, passa até fome. A comida é muito cara.
Vimos algo interessante: na beira do mar, cravado nas rochas, o artista plástico Carlos Paez Vilaro construiu uma casa diferente, que é uma gigantesca escultura, denominada por ele de Casa Pueblo. Hoje, nesta grande casa (que foi ampliada mantendo a fidelidade artística), funcionam restaurantes, museus e hotel.
Foi um intenso passeio, viajamos de ônibus, numa turma grande, sem incidentes. Gastamos pouco, ficamos num antigo seminário católico. A comida era bem modesta e as instalações pouco confortáveis, mas passeamos, comemos comidas diferentes, tiramos fotos, rimos muito, conversamos bastante, alguns compraram muito (nós não). Nosso objetivo era conhecer um pouquinho o Uruguai, que aliás vive uma grande seca. Água não falta para abastecer as cidades, porque estão sobre o Aqüífero Guarany, mas para lavouras e pasto, está escassa.
Conhecemos uma festa popular, a Murga, que faz parte da longa programação do Carnavcal deles, que dura mais de mês. Nesse evento há apresentações e sátiras sobre a vida deles. E samba também. Muito interessante! E foi isso, estamos de volta, com muita vontade de viajar mais, conhecer outros lugares, outras culturas, aprender mais.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
APOSENTADO TEM FÉRIAS?
Estar aposentado da profissão não significa estar desocupado. As possibilidades se multiplicam e o desafio é conseguir, finalmente, autonomia para gerir o próprio tempo.
Durante décadas não fui dona do meu tempo: crescer, estudar, trabalhar, obedecer os ditames institucionais e submeter meu tempo de vida.
Estar aposentada, para mim, é poder fazer tarefas e projetos que não foi possível realizar antes, pelos compromissos com o trabalho, com a criação e educação dos filhos.
O bom é realizar projetos e tarefas no tempo que decido, mesmo assim tem compromissos com data e prazo determinados pelo Sistema: pagar impostos e taxas, frequentar eventos eticamente obrigatórios, fazer consultas e exames referentes aos cuidados com a saúde, cuidar de idosos e doentes, que acaba sobrando pra gente, etc.
Os lado bom é poder visitar pessoas, receber visitas dos filhos, sobrinhos, irmãos, amigos e acolher bem, curtir sem pressa. Fico feliz quando algum sobrinho (grande ou pequeno) nos visitam!
Mas, aposentado tem férias?
A vida dos aposentados, tem uma relação inevitável com a dos não aposentados. A gente se insere em grupos, participa de eventos, faz visitas, participa de cursos e seminários, etc., que têm, quase todos, os tempos ditados pelo ritmo de atividades e de férias sob os quais a sociedade está organizada.
Ajudar e frequentar festivais de música, ir a teatros, frequentar bar, são atividades que só agora estamos podendo realizar. Quantos prazeres estamos descobrindo!
Novas aprendizagens, fazem parte dessa nova etapa da vida. Novos ambientes, outras pessoas, outras relações.
Um dia destes fomos ao Boteco do Rosário, com a mãe, de 85 anos. Ela gostou, não quis tomar cerveja e nem refri, mas apreciou uma boa caipira. Adoramos! Com exceção da fumaça dos cigarros,que nos fez sair antes, pois era difícil suportar a ardência nos olhos e garganta.
No bar, é bom constatar o prazer de estar juntos, ao redor da mesa, comendo, bebendo e principalmente conversando, trocando informações. As pessoas se curtem, namoram, trocam idéias, se articulam e estão aí pelo prazer do encontro.
Claro que tudo isso é bom se ninguém abusar da bebida. O que vi é que o bar é um local de encontro e que muitos se articulam para irem no mesmo dia, para conversarem. Isso significa que não estão reféns do lixo cultural que as televisões tem apresentado, tipo Big-Brother.
É bom estar em casa, melhor ainda com os filhos chegando, convivendo.
Nestes dias estamos tendo o prazer de ter a presença da Silvana conosco, trabalhando na finalização da Dissertação de Mestrado. Procuro caprichar na alimentação.
Junto com tudo isso, rola leituras, debates familiares, comentários sobre os acontecimentos da realidade.
Ando impressionada com o que está acontecendo no Egito e mundo árabe. Que gente corajosa!
Temo pela população. Se Mubarak não sair e o exército abandonar a praça, os manifestantes terão de voltar para suas casas e aí, muitos serão capturados, torturados e mortos, não há dúvida. O mundo precisa pressionar. A causa é justa, aquele povo, principalmente os jovens, não tem mais saída, com o atual regime, que até agora foi patrocinado pelos Estados Unidos. É hora do Obama, finalmente, ter uma atitude que mostre que ele é diferente do Busch.
Não é possível ficar indiferente ao que está acontecendo, lá e aqui. Todos somos atingidos e todos somos responsáveis.
Gostaria que todos pudessem viver a vida que eu vivo: simples, confortável, amorosa. Não é possível a gente se conformar com a fome, a dor, a violência.
No mais, estamos viajando na madrugada de amanhã, para o Uruguai, num seminário internacional de educadores para planejar mais um ano de luta, no sentido de contribuir com a melhoria e humanização da educação no Brasil e no Continente. Voltaremos dia 14. Até lá.
Durante décadas não fui dona do meu tempo: crescer, estudar, trabalhar, obedecer os ditames institucionais e submeter meu tempo de vida.
Estar aposentada, para mim, é poder fazer tarefas e projetos que não foi possível realizar antes, pelos compromissos com o trabalho, com a criação e educação dos filhos.
O bom é realizar projetos e tarefas no tempo que decido, mesmo assim tem compromissos com data e prazo determinados pelo Sistema: pagar impostos e taxas, frequentar eventos eticamente obrigatórios, fazer consultas e exames referentes aos cuidados com a saúde, cuidar de idosos e doentes, que acaba sobrando pra gente, etc.
Os lado bom é poder visitar pessoas, receber visitas dos filhos, sobrinhos, irmãos, amigos e acolher bem, curtir sem pressa. Fico feliz quando algum sobrinho (grande ou pequeno) nos visitam!
Mas, aposentado tem férias?
A vida dos aposentados, tem uma relação inevitável com a dos não aposentados. A gente se insere em grupos, participa de eventos, faz visitas, participa de cursos e seminários, etc., que têm, quase todos, os tempos ditados pelo ritmo de atividades e de férias sob os quais a sociedade está organizada.
Ajudar e frequentar festivais de música, ir a teatros, frequentar bar, são atividades que só agora estamos podendo realizar. Quantos prazeres estamos descobrindo!
Novas aprendizagens, fazem parte dessa nova etapa da vida. Novos ambientes, outras pessoas, outras relações.
Um dia destes fomos ao Boteco do Rosário, com a mãe, de 85 anos. Ela gostou, não quis tomar cerveja e nem refri, mas apreciou uma boa caipira. Adoramos! Com exceção da fumaça dos cigarros,que nos fez sair antes, pois era difícil suportar a ardência nos olhos e garganta.
No bar, é bom constatar o prazer de estar juntos, ao redor da mesa, comendo, bebendo e principalmente conversando, trocando informações. As pessoas se curtem, namoram, trocam idéias, se articulam e estão aí pelo prazer do encontro.
Claro que tudo isso é bom se ninguém abusar da bebida. O que vi é que o bar é um local de encontro e que muitos se articulam para irem no mesmo dia, para conversarem. Isso significa que não estão reféns do lixo cultural que as televisões tem apresentado, tipo Big-Brother.
É bom estar em casa, melhor ainda com os filhos chegando, convivendo.
Nestes dias estamos tendo o prazer de ter a presença da Silvana conosco, trabalhando na finalização da Dissertação de Mestrado. Procuro caprichar na alimentação.
Junto com tudo isso, rola leituras, debates familiares, comentários sobre os acontecimentos da realidade.
Ando impressionada com o que está acontecendo no Egito e mundo árabe. Que gente corajosa!
Temo pela população. Se Mubarak não sair e o exército abandonar a praça, os manifestantes terão de voltar para suas casas e aí, muitos serão capturados, torturados e mortos, não há dúvida. O mundo precisa pressionar. A causa é justa, aquele povo, principalmente os jovens, não tem mais saída, com o atual regime, que até agora foi patrocinado pelos Estados Unidos. É hora do Obama, finalmente, ter uma atitude que mostre que ele é diferente do Busch.
Não é possível ficar indiferente ao que está acontecendo, lá e aqui. Todos somos atingidos e todos somos responsáveis.
Gostaria que todos pudessem viver a vida que eu vivo: simples, confortável, amorosa. Não é possível a gente se conformar com a fome, a dor, a violência.
No mais, estamos viajando na madrugada de amanhã, para o Uruguai, num seminário internacional de educadores para planejar mais um ano de luta, no sentido de contribuir com a melhoria e humanização da educação no Brasil e no Continente. Voltaremos dia 14. Até lá.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
MP 520: contém conteúdo privatista?
Após ler o artigo de Rondon de Castro no Diário de hoje, resolvi escrever.
A MP 520 de 31/12/2010, que autoriza o Poder Executivo a criar a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares S/A - EBSERH, tem gerado polêmica.
Temos lido e ouvido manifestações que enfaticamente garantem o "caráter privatista" da MP e que o "Hospital Universitário será fonte de lucro", uma vez que " o atendimento será dirigido àqueles que podem pagar".
Afirmam que a MP é clara: "preto no branco".
São afirmações gravíssimas, pois que o Hospital Universitário, por ser um hospital-escola do Governo Federal, mantido com recursos do Orçamento da Unição e com atendimento pelo SUS, JAMAIS poderá cobrar, sob pena de estar sujeito a imediata reação do Ministério Público e de protestos organizados pela população.
No entanto, procedendo leitura e análise da MP 520, verifica-se que os recursos e Capital Social serão integralmente públicos, conforme Art.2º, e o Art. 3º reza que a "EBSERH terá por finalidade a prestação de serviços gratuitos de assistência médico-hospitalar e laboratorial à comunidade..." e que "...inserir-se-ão integralmente no âmbito do SUS".
Lendo toda a MP não se encontra, a meu ver, de forma direta ou indireta, menção à possibilidade de cobranças dos usuários e nem de privatização. A MP, inclusive, atende ao Art. 37 da CF, que determina "impessoalidade e publicidade" nos atos da administração pública, pois que o Art. 11 reza que a contratação de pessoal da referida Empresa, será por "concurso público de provas e títulos...", mas pelo Regime da CLT. Isso, a meu ver, é bom, pois permite agilizar contratação, por prazo determinado, de pessoal para substituir as licenças, férias e laudos de servidores, sem prejuízo do atendimento ao público, e sem inchar a máquina pública.
Alguém se sente ameaçado com isso? Certamente isso agrada aos usuários e não atende a alguns conceitos corporativistas, que priorizam os interesses dos servidores, em detrimento do público, razão da existência do servidor público.
Alguns também confundem público com estatismo. A visão estatizadora e corporativista, a priori, não garante boa qualidade no atendimento ao público. Isso pode ser constado fartamente.
É abominável cobranças no SUS, mas eu gostaria de ver argumentos fundamentados na boa interpretação da Lei, para que as afirmações mencionadas na introdução, possam ter alguma credibilidade. Por hora, parecem boataria partidarizada, da oposição.
A MP 520 de 31/12/2010, que autoriza o Poder Executivo a criar a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares S/A - EBSERH, tem gerado polêmica.
Temos lido e ouvido manifestações que enfaticamente garantem o "caráter privatista" da MP e que o "Hospital Universitário será fonte de lucro", uma vez que " o atendimento será dirigido àqueles que podem pagar".
Afirmam que a MP é clara: "preto no branco".
São afirmações gravíssimas, pois que o Hospital Universitário, por ser um hospital-escola do Governo Federal, mantido com recursos do Orçamento da Unição e com atendimento pelo SUS, JAMAIS poderá cobrar, sob pena de estar sujeito a imediata reação do Ministério Público e de protestos organizados pela população.
No entanto, procedendo leitura e análise da MP 520, verifica-se que os recursos e Capital Social serão integralmente públicos, conforme Art.2º, e o Art. 3º reza que a "EBSERH terá por finalidade a prestação de serviços gratuitos de assistência médico-hospitalar e laboratorial à comunidade..." e que "...inserir-se-ão integralmente no âmbito do SUS".
Lendo toda a MP não se encontra, a meu ver, de forma direta ou indireta, menção à possibilidade de cobranças dos usuários e nem de privatização. A MP, inclusive, atende ao Art. 37 da CF, que determina "impessoalidade e publicidade" nos atos da administração pública, pois que o Art. 11 reza que a contratação de pessoal da referida Empresa, será por "concurso público de provas e títulos...", mas pelo Regime da CLT. Isso, a meu ver, é bom, pois permite agilizar contratação, por prazo determinado, de pessoal para substituir as licenças, férias e laudos de servidores, sem prejuízo do atendimento ao público, e sem inchar a máquina pública.
Alguém se sente ameaçado com isso? Certamente isso agrada aos usuários e não atende a alguns conceitos corporativistas, que priorizam os interesses dos servidores, em detrimento do público, razão da existência do servidor público.
Alguns também confundem público com estatismo. A visão estatizadora e corporativista, a priori, não garante boa qualidade no atendimento ao público. Isso pode ser constado fartamente.
É abominável cobranças no SUS, mas eu gostaria de ver argumentos fundamentados na boa interpretação da Lei, para que as afirmações mencionadas na introdução, possam ter alguma credibilidade. Por hora, parecem boataria partidarizada, da oposição.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Passione
Terminou a novela Passione, da TV Globo. Não me contenho, preciso fazer alguns comentários.
Gosto de novela, gosto de ver interpretar e de uma boa história.
Mas gosto de histórias bem contadas, que não subestimem a inteligência da gente e que as cenas, que querem imitar a realidade, sejam bem feitas: produzam prazer, tenham beleza, poesia, instiguem nossa imaginação.
Mas faz tempo que as novelas são uma constante improvisação, repetitivas e que usam de artifícios escabrosos para obter audiência. Pensando assim, repetem chavões tristes e macabros: cenas de brigas, mulheres mesquinhas, fúteis, disputando machos também medíocres. Suspenses que depois revelam bobagens, como a "tara" do personagem Gerson. Ou o velho esquema: Quem matou...? Dessa vez, foi quem matou Saulo, até o final.
Herói, que no último capítulo, encontra um romance compensando todas as babaquices que fez na vida: nessa história foi o Totó, que levou chifre da vilã Clara e pra não ficar no prejuízo, arrumou uma agrônoma "brasiliana" lá na Toscana, na última hora.
Aliás, com esse apelido de cachorro guaipeca, o pobre infeliz até que se deu bem, no final.
E tem mais do mesmo: Dondocas, mal amadas, desastradas, sem caráter, como a personagem Melina, que para fugir das barbaridades que cometeu, foi dar uma voltinha em Paris e, pronto, voltou madura, equilibrada, bondosa, altruista. E acabou ficando com o disputado Mauro, enquanto a personagem que tinha dignidade, morre e deixa uma filhinha e o marido para a vilã.
Assassinatos, traições, bigamia, falta de diálogo, mentiras...e tudo mal feito, mal explicado, improvisado.
Aquela metalúrgica Gouveia, era mesmo um fiasco, as pessoas faziam tudo, menos trabalhar. E quanto dinheiro produzia, para tantos roubarem e viverem na ostentação, mesmo tendo vendido seu melhor produto, que foi sabotado. Como é possível?
Fora isso o final foi um tremendo mau exemplo:
O personagem Berilo fica, ostensivamente com duas mulheres;
A avó Gouveia, matriarca moralista, casa com um e se faz amante do outro: o motorista e o jardineiro. O que o autor quis com isso: fazer rir? Não achei graça. Mostrar uma idosa pós-moderna? Ridículo! Poderia ter sido uma ótima amizade de três idosos que se admiram, se respeitam, se divertem e não escondem nada. Afinal, o que será possível realizar, de outra forma, com a idade avançada dos personagens?
Quanto à Clara, a vilã maior e que cometeu quase todos os assassinatos, foge e se dá bem.
Um exemplo de impunidade e de cenas mal resolvidas!
A mãe, abnegada, que saia à caça de amantes, se consola com um quase garoto (é quase uma pedofilia)! Falo da personagem Stela, muito mal interpretada por Maitê Proença, cujo cabelo esteve horrível durante toda novela (parecia uma vassoura).
Formadora de opinião?
Se considerarmos que a TV Globo fez o maior escarcéu quando o Lula falou que o povo não precisa de ninguém que lhe " forme opinião", reivindicando o papel de formadora de opinião e considerando que, no período eleitoral, a emissora protagonizou, de diversas formas, ataques à candidata Dilma, na questão moral, fica incoerente esse canal de Tv, que se diz formador de opinião, defender tanta liberalidade nas questões morais, como infidelidade conjugal, bigamia, por exemplo, impunidade e outros absurdos.
Sem falar na falta de estética e de ética, com episódios como o investigador transar com a investigada, como método de obter informações e como os episódios macabros protagonizados pela avó asquerosa das personagens Kelly e Clara.
Cenas grotescas, diálogos pobres, cenas mal feitas, como a simulação da morte do Totó.
Até a atriz Fernanda Montenegro, que é divina nas suas interpretações, teve momentos ruins, talvez por conta dos textos ruins e medíocres, que tinha que interpretar. Pena!
A TV Globo, que sabia fazer boas novelas, agora apresenta grandes porcarias para o público brasileiro. Quem sabe acerta uma hora destas! Mas precisa repensar a contratação do autor Silvio de Abreu, como novelista: Ruin, ruin, seus textos.
Gosto de novela, gosto de ver interpretar e de uma boa história.
Mas gosto de histórias bem contadas, que não subestimem a inteligência da gente e que as cenas, que querem imitar a realidade, sejam bem feitas: produzam prazer, tenham beleza, poesia, instiguem nossa imaginação.
Mas faz tempo que as novelas são uma constante improvisação, repetitivas e que usam de artifícios escabrosos para obter audiência. Pensando assim, repetem chavões tristes e macabros: cenas de brigas, mulheres mesquinhas, fúteis, disputando machos também medíocres. Suspenses que depois revelam bobagens, como a "tara" do personagem Gerson. Ou o velho esquema: Quem matou...? Dessa vez, foi quem matou Saulo, até o final.
Herói, que no último capítulo, encontra um romance compensando todas as babaquices que fez na vida: nessa história foi o Totó, que levou chifre da vilã Clara e pra não ficar no prejuízo, arrumou uma agrônoma "brasiliana" lá na Toscana, na última hora.
Aliás, com esse apelido de cachorro guaipeca, o pobre infeliz até que se deu bem, no final.
E tem mais do mesmo: Dondocas, mal amadas, desastradas, sem caráter, como a personagem Melina, que para fugir das barbaridades que cometeu, foi dar uma voltinha em Paris e, pronto, voltou madura, equilibrada, bondosa, altruista. E acabou ficando com o disputado Mauro, enquanto a personagem que tinha dignidade, morre e deixa uma filhinha e o marido para a vilã.
Assassinatos, traições, bigamia, falta de diálogo, mentiras...e tudo mal feito, mal explicado, improvisado.
Aquela metalúrgica Gouveia, era mesmo um fiasco, as pessoas faziam tudo, menos trabalhar. E quanto dinheiro produzia, para tantos roubarem e viverem na ostentação, mesmo tendo vendido seu melhor produto, que foi sabotado. Como é possível?
Fora isso o final foi um tremendo mau exemplo:
O personagem Berilo fica, ostensivamente com duas mulheres;
A avó Gouveia, matriarca moralista, casa com um e se faz amante do outro: o motorista e o jardineiro. O que o autor quis com isso: fazer rir? Não achei graça. Mostrar uma idosa pós-moderna? Ridículo! Poderia ter sido uma ótima amizade de três idosos que se admiram, se respeitam, se divertem e não escondem nada. Afinal, o que será possível realizar, de outra forma, com a idade avançada dos personagens?
Quanto à Clara, a vilã maior e que cometeu quase todos os assassinatos, foge e se dá bem.
Um exemplo de impunidade e de cenas mal resolvidas!
A mãe, abnegada, que saia à caça de amantes, se consola com um quase garoto (é quase uma pedofilia)! Falo da personagem Stela, muito mal interpretada por Maitê Proença, cujo cabelo esteve horrível durante toda novela (parecia uma vassoura).
Formadora de opinião?
Se considerarmos que a TV Globo fez o maior escarcéu quando o Lula falou que o povo não precisa de ninguém que lhe " forme opinião", reivindicando o papel de formadora de opinião e considerando que, no período eleitoral, a emissora protagonizou, de diversas formas, ataques à candidata Dilma, na questão moral, fica incoerente esse canal de Tv, que se diz formador de opinião, defender tanta liberalidade nas questões morais, como infidelidade conjugal, bigamia, por exemplo, impunidade e outros absurdos.
Sem falar na falta de estética e de ética, com episódios como o investigador transar com a investigada, como método de obter informações e como os episódios macabros protagonizados pela avó asquerosa das personagens Kelly e Clara.
Cenas grotescas, diálogos pobres, cenas mal feitas, como a simulação da morte do Totó.
Até a atriz Fernanda Montenegro, que é divina nas suas interpretações, teve momentos ruins, talvez por conta dos textos ruins e medíocres, que tinha que interpretar. Pena!
A TV Globo, que sabia fazer boas novelas, agora apresenta grandes porcarias para o público brasileiro. Quem sabe acerta uma hora destas! Mas precisa repensar a contratação do autor Silvio de Abreu, como novelista: Ruin, ruin, seus textos.
sábado, 15 de janeiro de 2011
TRAGÉDIAS: TODOS SOMOS RESPONSÁVEIS

Nossos grandes meios de comunicação tem tido, nestes últimos dias, muita matéria para fazer sensacionalismo com a dor provocada pelas enchentes no Rio. Nem é preciso explorar o corpo da mulher, nem inventar fofocas sensacionalistas, nem matar mais personagens nas novelas, em busca de audiência.
Entre propagandas de bebidas, carros, celulares, etc., as câmaras saem a buscar as imagens mais trágicas, mais horripilantes, os rostos mais desesperados, a imagem mais chocante. E aí fazem um texto superficial, melodramático, derrotista, rancoroso, chutando informações e hipóteses, contabilizando números de vítimas, repetindo imagens, mostrando duas, dez, vinte vezes...É a "alegria dos homens tristes"!
E procura-se culpados: "o governo federal nos últimos anos só tem prometido recursos, que chegam astrasados e pela metade do que foi previsto, etc..."
É verdade que os governos, nas três esferas tem sido incompetentes, não tem tratado desses problemas como se faz necessário, com urgência. As tragédias se repetem.
No entanto, é de se perguntar: Quem são os responsáveis, além dos governos? Onde estão as causas? Por que as pessoas constroem nas encostas? O que isso tem a ver com a ocupação do solo urbano, com o êxodo rural, com a reforma agrária, com a reforma urbana, com a monocultura, com a criação de gado extensivo, com o modo de produção e de vida de todos nós?
É preciso nos perguntarmos sobre a relação que existe entre as tragédias ambientais, com o nosso modo de vida e de produção. Porque não é só enchentes que nos assolam, temos, ao mesmo tempo as regiões de SECA terrível, de falta de água, temos as queimadas, os grandes e constantes desmatamentos, os assoreamentos dos rios, o aterro definitivo das fontes e dos pântanos, o desaparecimento de espécies, as pragas, as epidemias... Que relação existe entre esses diferentes fenômenos?
Como é possível, a qualquer governo, conter isso? Que legislação temos sobre os crimes ambientais?
Toda a agricultura não deveria ser orgânica e sustentável? Hoje paga-se caro para ter o privilégio de comprar alimentos orgânicos. Isso significa que nossa legislação permite o envenenamento, a má qualidade dos alimentos. Sem falar na forma devastadora do meio ambiente para produzi-los.
Todos somos responsáveis. Urge uma legislação mais rigorosa sobre o uso do solo, das águas. Temos que pagar aos pequenos agricultores para deixarem de cultivar suas terras nas encostas, nas beiras de rios, nos morros. Que eles recebam para cuidar e plantar vegetação! Isso custa caro. Temos que pagar por isso.
Que tal uma CPMF para a sustentabilidade?
Fazer reforma agrária, desconcentrando a terra, exigir que a produção preserve, de fato, as condições ambientais, sem popuir as águas e os alimentos.
Investir pesado no tratamento dos esgotos, construir moradias, subsidiadas a todos que estão em áreas de risco. Proibir construções, de qualquer espécies em áreas que devem ser preservadas, subsidiar o transporte dos trabalhadores que tiverem casas distantes de seu trabalho, não permitir produção agrícola e industrial que polua, etc. etc.
Isso precisa ser pago por todos.
E punir com multas, confisco de bens e cadeia para quem descumprir as leis ambientais (madeireiras, grandes criadores de gado, etc. )
É fácil fazer isso? É óbvio que não, uma vez que os interesses do Capital e do lucro sempre são os que orientam os legisladores, os governantes e a sociedade de um modo geral.
Em síntese, me parece que há, de fato, uma complexidade, que deveria ser considerada pelos que se apressam em achar que só os governos são os responsáveis. Isso nos retira todo o compromisso.
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