terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Aniversário de minha mãe

Dia 13 de dezembro de 1925, nascia Maria Lúcia Bonelli Lovatto, no interior de Cachoeira do Sul (Estiva). Hoje completa 86 anos.
Filha de descendentes diretos de imigrantes italianos. Sua mãe, Vitória Bonelli nasceu em um dos navios que trouxeram imigrantes da Itália, em plena travessia do Oceano Atlântico.
Seus pais, sem terras próprias, chegaram a tornar-se empresários de arroz, plantando em terras arrendadas. Foram bem sucedidos, plantando nas margens do rio Jacuí. Viveram períodos de fartura. Produziam com o que havia de mais moderno, na época. Chegaram a ter dezenas de empregados.

De acordo com os relatos de minha mãe, meu avô Joanin Lovatto mandou vir um bom professor de Santa Maria para dar aulas às filhas ( o filho estudava em S.Maria) e aos empregados. Foi assim que elas e os empregados se alfabetizaram a aprenderam conteúdos históricos e geográficos, bem como alguns cálculos matemáticos, aplicáveis às necessidades da vida.

Com a crise de 1929, que afetou o Brasil durante décadas, a empresa do "nono" quebrou.
Minha mãe, já casada com meu pai Delmiro Copetti, também sem terras ou patrimônio, teve oito filhos e ambos trabalharam muito. Juntaram um razoável patrimônio que também foi dilapidado por outra crise: o galopante procresso inflacionário que durou décadas e que se tornou nosso conhecido, fantasma que continua a nos assustar.

Mas, apesar das dificuldades, criaram os oito filhos e todos estudaram, se formaram e estão bem. Claro, que os mais velhos, trabalhando e estudando e ajudando a sustentar os mais novos.
No entanto, é preciso ressaltar os méritos de nossa mãe, que nos empurrou para a vida, nos ensinou a trabalhar e nos forçou a estudar.

Neste dia, quero homenageá-la, lembrando a força e a potência de vida desta mulher silenciosa, de poucas palavras, de poucos sorrisos, tímida, mas que fez um grande trabalho.
Tinha muita sabedoria.
Criou os filhos numa época difícil e é pertinente lembrar que foi com muito poucos recursos e conforto.
Não havia água encanada (tinha que puxar água de poço), lavar roupa na fonte, porque,obviamente, não havia máquina de lavar roupas, nem geladeira, nem fogão a gás.
Nem era possível sair às compras pois lá, no meio rural, não tinha mercado, mercearia, açougue, padaria. Pão ela os fez a vida toda, em forno de tijolo e barro. A carne era de galinhas, porcos, cabritos, criados na propriedade. Frutas, verduras, legumes., feijão, milho, etc. também eram produzidos nas roças caseiras, fruto do trabalho, principalmente da mãe, com a ajuda dos filhos mais velhos, que iam crescendo e ajudando.
O leite, o queijo também eram produzidos em casa.

As roupas, os acolchoados, ela fazia, todas, inclusive as bombachas do pai.
E é bom lembrar, não havia fraldas descartáveis, e nem posto de saúde, SAMÚ, etc. Ela tinha um livro: O Conselheiro Médico do Lar, que orientava sobre os sintomas das doenças e viroses e tinha os conselhos sobre o que fazer: chás, compressas, pomadas, charopes, hidroterapia.

Nos criamos num lugar denominado São Gabriel, hoje município de Ametista do Sul.
Nosso pai serrou as táboas e fez a nossa casa. Ele montou um engenho de serra e depois serrou a madeira para as casas da maioria dos moradores do lugar, naquela época. Isso, aproximadamente lá pelos anos 1955.
Foi a primeira casa com assoalho.
Lembro-me da admiração de uma visinha quando a mãe mostrou-lhe os talheres inoxidáveis que o pai havia trazido de São Paulo, onde viajava para vender madeira.

Nossa casa era toda de madeira, com áreas de ripinhas, bem pintadinha, bem bonita, com jardim e roseiras. Minha mãe era muito caprichosa. Lembro dos vestidinhos que ela nos fazia, bem bonitos e das camisas e calças de meus irmãos. Sempre bem limpos e bonitos.

Houve um tempo em que não havia escola e a mãe alfabetizou e ensinou os primeiros cálculos para os quatro irmãos mais velhos, inclusive para mim.
Também foi nossa catequista. Ela sempre gostou de ler e tinha uma letra muito bonita.
Também nos ensinou a cozinhar, lavar, passar, cuidar da casa, bordar e até um pouco de costura.

Quando a crise começou a apertar, ela foi a primeira a ir abrindo mão de nossa presença e de nossa ajuda para que ganhássemos o mundo em busca do estudo. Não nos deram tudo não, tivemos de trabalhar muito, mas nos viramos e estudamos.
Obrigada mãe, teus cuidados e tua confiança em nós nos fez crescer.

Como ela está durando tanto?
Bom isso é até cômico: me criei achando que a mãe era bem doente, ela se cuidava muito e quando começou a ser possível, ela buscou médicos e todos os recursos disponíveis para se renovar e "se curar" das hipotéticas doenças. Mora comigo a mais de 20 anos e descobri que ela não tem doença nenhuma e vai longe, ainda lúcida.
Sempre que posso tento conversar com ela e aos poucos ela me conta coisas que desconheço.
É uma matriarca forte e uma vencedora, embora não se dê conta disso.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O PIB mede a produção e circulação de riquezas no Brasil?

Hoje de manhã, fiquei em uma fila esperando abrir um cartório em S.Maria e fiquei escutando as conversas.
Chamou-me a atenção um rapaz conversando com um senhor sobre suas atividades econômicas. Pelo que entendi, ambos moradores do Bairro S.Marta, periferia de S.Maria.

O homem falava dos bem sucedidos negócios que lhe haviam rendido uns bons trocados. Falou de compra e revenda de carros, motos e sucatas. Mas o sujeito é muito versátil em matéria de negócios, pois comentou que vendeu muito bem o estoque de salame que havia produzido em sua própria casa. Comprou porcos e transformou em salame.

Depois me distraí um pouco e perdi o fio da conversa. Quando voltei a prestar atenção ele já falava de peixes, entendia tudo de criação, cuidados, etc. e também com peixes ele fazia negócios. O outro, que o escutava, deu seus palpites, demonstrando, também, muita experiência em bons negócios, todos informais, é claro.

Ambos nem cogitavam falar de emprego, empresa regular, etc.
Comentamos o Irineu e eu: O PIB efetivamente, não mede a riqueza que é produzida e que circula, de fato, por este Brasil afora.
Todo o dinheiro de aposentadorias, bolsa familia e outros recursos de políticas sociais, permite que o povo faça sua própria economia e tem que ser informal sim, pois quem é que pode conseguir dar conta da burocracia para se registrar, requerer o SIMPLES e pagar pouco imposto? Não requerer significa estar completamente inviabilizado.

Qualquer negócio, não enquadrado no SIMPLES e regularizado, vai cair no absurdo de, por exemplo, 9% de alíquota sobre faturamento bruto (não é lucro bruto, do qual são descontadas as despesas), a cada trimestre, fora IR (Imposto de Renda), PIS e COFINS, obrigações trabalhistas, previdenciárias, etc.

Por isso o povo faz tudo informal mesmo, compra vende, fabrica, biscateia e ganha dinheiro, muitissimas vezes mais que qualquer emprego de salário mínimo, com a tal carteira.
O crescimento medido pelo PIB, no Brasil, está em torno de 4%, medido sobre os registros legais. O crescimento informal está em torno de 15%. Eu acredito que isso é o que ameniza a crise.

Se a carga tributária e a burocracia não fossem tão elevadas, e se a avidez fiscal não fosse tanta, muitos poderiam contribuir com a previdência e com um imposto geral, pequeno, que creio, é relevante para que os governos garantam saúde, educação, obras, etc.

É preciso ter arrecadação, mas é preciso ser proporcional ao potencial econômico e distruibuída entre todos. Todos contribuindo, reduz para todos e não cai a arrecadação.

O povo brasileiro se vira e faz acontecer, apesar da crise, apesar dos governos. É muita criatividade! Me divirto ouvindo as conversas dos nossos "Pedros Malasartes" brasileiros, que vão dando um jeito de driblar a pobreza, de viver melhor e de se divertir.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

8 de dezembro, dia santo.

É dia santo, para mim por duas razões: pelo orgulho e admiração pela MULHER Maria, mãe de um grande homem: Jesus.
Mas é um dia abençoado porque foi em 8 de dezembro de l925, que um casal, filho de imigrantes italianos,pobres, Albino Copetti e Élide Dreon Copetti tiveram um filho que se tornou uma bela pessoa: Delmiro Copetti, meu pai e de mais 7 irmãos, todos também belas pessoas.

Nosso pai faria hoje 86 anos, idade que fará minha mãe, dia 13 deste mes. Ele já morreu faz mais de 20 anos. Ela mora comigo e goza de perfeita saúde.

Meu pai era alegre, falante, ótimo contador de histórias, teatral até. Era um belo homem, tinha uma voz potente e uma oratória muito persuasiva e empolgante. Convencia e cativava.
Tinha ouvido musical, tocava gaitinha de boca, dançava bem as músicas que aprendeu em sua época: valsa, bolero e até tango.
Gostava de política, tinha espírito revolucionário. Foi brizolista, do antigo PTB, mais tarde veio para o PT.

Mas o principal, para nós, é que era acolhedor, afetivo e gostava de aventuras. Nos dava liberdade e confiava em nós. Dava importância para o que nós queríamos e dizíamos.
Era uma pessoa de temperamento forte, briguento até, não levava desaforo pra casa e era bom de briga, forte e rápido, numa época que era preciso, mas jamais tirava proveito da fragilidade de alguém. Era justo, generoso e bom. Não deixava ninguém que o procurava de mãos vazias, emprestava dinheiro, sem juros, em época de muita inflação. Ficou cada dia mais pobre, obviamente.

Trabalhava muito, mas sabia se divertir. Tinha amigos, enturmava-se, ajudava a comunidade.
Foi um exemplo para mim. Sinto saudades e um amor eterno por aquele homem maravilhoso: meu pai.
Falar dele, para mim, o faz ressuscitar e queria compartilhar porque creio que o que torna o mundo melhor é saber que continuam pelo mundo muitos Delmiros bons, justos e generosos. Obrigada meu pai!

Talvez por ter vivido tão intensamente, ele gastou todas as energias e foi embora com 64 anos, pouco mais velho que eu.

Já minha mãe, trabalhou muitíssimo, mas não ria tanto, fez poucos amigos, também tinha preocupações sociais, é verdade, mas centrou a vida nos filhos e cuidava-se.
O pai era forte, nunca ia a médicos, se orgulhava da saúde e quando foi, já foi com câncer, um após o outro, até falecer.

A mãe, desde que me recordo da vida, queixava-se de pouca saúde: estômago, visícula, coração, parkinson, dores musculares, pés, etc. E haja médico, chegou a ter 7 ou 8 especialistas a cuidá-la.
Cuidou-se, não bebia, nem fumava, fazia exercícios e coisa e tal e chorou muito. Chorar é, até hoje a sua terapia.
Pouco se divertiu, pouco riu e nunca, pelo menos para mim, se disse feliz, apesar de ter tido a alegria de 8 filhos todos formados, nenhum doente ou drogado, ou criminoso ou aleijado. Teve 31 netos, tem 5 bisnetos. Todos os netos formados e todos absolutamente bem encaminhados.
Isso é razão de alegria? Para mim sim.

Essa mulher trabalhou muito, é certo. Tem todo conforto e cuidado, é certo. Mas me pergunto: O que a faz viver tanto? E vai longe, se depender de mim.
Procuro cuidá-la bem, mas não consigo dar a ela mais alegria porque sei que as alegrias dela são a presença dos filhos, que nem sempre podem estar mais presentes e porque não consigo ser, sempre, uma pessoa carinhosa e amável, sei que, ao querer cuidá-la, eu a incomodo. Não é fácil lidar com idosos, sabemos pouco deles, mas eu, honestamente, me esforço, me policio e me frustro muito quando fraquejo.

Dia 13 completará 86 anos, farei um bolo e esperarei que venham ve-la: é tudo e só o que ela pede. Aprendi muito com ela, mas faço minha seleção. Uma das coisas que ela me fez compreender é que não basta viver, é preciso ampliar a vida, ampliar o convívio para além da espera pelos filhos. É preciso ampliar nossa capacidade de buscar as pessoas e de não perde-las. É preciso seduzir as pessoas para que gostem da gente, é preciso acolher.

sábado, 19 de novembro de 2011

CONTRA A ALEGRIA E A FAVOR DO CONFINAMENTO

Muita gente não consegue dormir com o "barulho" da música dos bares e dos clubes e se incomodam com mesas sobre as calçadas.

Contudo existe gente que teima em fazer os ruidos da alegria: curtem música, encontro com amigos, dança e ambientes com gente, insistem em curtir a vida noturna.
Resultado? Os ressentidos, demitidos da vida, neuróticos e outros adjetivos, preferem denunciar ao ministério público e mandar fechar bares, impedir jovens de se encontrarem nas ruas, recolher mesas postas nas calçadas, desocupar as ruas e forçar todo mundo a se recolher cedo.

Penso que tem muito preconceito contra a juventude, nessas demandas judiciais. Falo juventude porque é a maioria. Mas tenho ido a bares e as vezes levo minha mãe que tem 86 anos e ela curte.
Afinal, a noite é feita para dormir, dizem alguns, depois, é claro, de congestionar a cabeça com a violência, a mediocridade, o mau gosto, o moralismo, o denuncismo, as promessas messiânicas, os apelos consumistas e tantas outras barbaridades que abundam os canais de televisão.

E os cidadãos de bem que desejam dormir, conseguem, com satisfação que a justiça mande lacrar bares e clubes. Hoje eu ia dançar no Clube Caicheral, ainda bem que passei por lá e vi as faixas e cartazes oficiais de interdição.
Certamente os denunciantes vão tentar dormir, pois não devem se incomodar com o barulho das motos que circulam com os canos de descarga abertos e andam longas distâncias roncando motor, e tantos outros ruídos de carros, sem nenhum respeito e sem que ninguem os moleste.

Por que será que as pessoas se incomodam tanto com o movimento de gente nas ruas, à noite?
Perigo são as ruas desertas: 21 horas já tem pouca gente nas ruas, perigo para quem precisa se deslocar, atração aos batedores de carteira.

O dia que as pessoas encherem as calçadas de mesas, que em cada quadra houver música e serenata, não precisaremos implorar aos governantes que lotem as ruas de policiais.
Quando vamos compreender isso? Falo porque agora parece que virou moda: li no Sul 21, que a justiça ameaça fechar os bares da cidade baixa de Porto Alegre. Vai ficar como o centro, lugar perigoso, entregue aos bandidos, onde os imóveis perderam valor.

Parece que cresce o número de pessoas que desejam o confinamento e o controle sobre suas vidas.
Que vivam os bares, as ruas movimentadas, a música, a dança e, com moderação, a boa cerveja e o bom papo.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

ANDEI SUMIDA. RETORNANDO.

Quando ando muito atarefada eu me atrapalho toda e não consigo escrever.
Me comprometi com 3 tarefas que tem tomado quase todo meu tempo e minhas energias.
A primeira é com uma editora, contribuindo com a avaliação pedagógica de uma coleção de história composta de 4 volumes. Isso requer uma média de 4 leituras cada volume e mais pesquisa, elaborações teóricas, leituras e reuniões. Gosto desse trabalho, a equipe é muito simpática e inteligente, mas envolve tempo, dedicação, leitura, reflexão e desgaste físico.
Dói o corpo quando fico horas no computador. Interrompo para cozinhar, sair um pouco e costurar.
A segunda tarefa é justamente costurar. Desafiei-me, por prazer e por amor a fazer umas roupitas bonitas para minhas filhas. Escolher modelos, fazer os moldes, cortar, alinhavar, provar, ajustar e finalmente dar os acabamentos e...admirar. É muito bom transformar um pano numa peça bonita! Já fiz diversas peças.
A terceira tarefa é ajudar a minha mãe a adaptar-se à nova morada e à moça cuidadora, que é um amor de pessoa.
Agora estamos morando numa casa, como era o desejo da mãe, que tem quase 86 anos. Ela não conseguia se acostumar a morar no apartamento. Ela costumava falar que sentia-se "empuleirada, engaiolada". Então nos mudamos e estamos tentando também nos acostumar. Já fizemos horta e já estamos colhendo alface, chicória e couve.
Plantamos flores e estão lindas e a mãe gosta muito.

Temos o compromisso de cuidar de um gato, o Gringo, que herdamos de nossa filha Alice, que não pode mante-lo no apartamento. O gato ganhou o mundo e estamos muito apegados a ele.

Ah, na morada tem um pé de jaboticaba, que se abarrotou de frutos. Comemos até nos empanturrar e fizemos licor. Demos de presente baldes pros visinhos e todos os dias o chão amanhece preto de frutas que caem. Uma raridade, ainda mais considerando que essa árvore rara deu num quintal de uma casa na cidade.

Tudo isso fez nossas vidas tomarem outro ritmo e desligamos de muitas coisas para reconstruir outros modos de viver.
Ainda é preciso dar conta de tantas outras pessoas e tarefas que a gente tem com as filhas e o filho, com irmãos, sobrinhos e outros parentes e amigos, além de reuniões em algumas escolas, a dança de salão, o Boteco do Rosário, que é uma delícia, algum baile e alguma viagem. Quanta coisa!

Um dia desses fui ao INSS com minha filha Lúcia. Cada vez que a gente fica lá, com a senha, esperando ser chamada no painel eletrônico, fico observando e conversando com algumas pessoas.
Quanta gente fazendo perícia médica, pedindo aposentadoria, pensão, auxílio doença! Examinam papéis, juntam documentos...quantos rostos cansados, contrariados, envelhecidos, sofridos! Puxando assunto a gente ouve cada história, de arrepiar! Fico pensando: o que seria desse povo sem a Previdência e a Assistência Social? Conquistas dos brasileiros que não podemos perder.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Pobre Líbia!

Temos ouvido falar da Líbia. Primeiro sobre a reação da população contrária à ditadura de Muammar Gaddafi, aproveitando a onda de movimentos na região contra as ditaduras, principalmente o bem sucedido movimento que derrubou o ditador egípcio.

Muito embora tenhamos que reconhecer que a ditadura significa alguém arrogar-se o direito de deter todo o poder, sem se submeter à vontade popular pelo voto, tem muita coisa assustadora nessa guerra e na intervenção da OTAN. Como no nosso conceito de democracia a ditadura é inconcebível, nem nos perguntamos muito sobre como vive o povo Líbio e tendemos a apoiar as forças de oposição a Gaddafi.

Depois soubemos que as forças da OTAN/EUA, Inglaterra e França, apoiados pela ONU invadem a Líbia, matam soldados e civis e sem preocupação de apresentar nenhum acordo de paz. Aí a gente começa a fazer perguntas.

Primeira pergunta: Os rebeldes líbios não teriam oportunizado um excelente pretexto para justificar uma invasão armada, pelo Ocidente, na Líbia?

Segunda pergunta: Que interesses EUA, França, Inglaterra, Itália, teriam nessa invasão?

Terceira pergunta: A guerra na Líbia tem alguma coisa a ver com a crise econômica do Ocidente (EUA e Europa)?

Na verdade os EUA e seus aliados costumam invadir e provocar guerras, fora de seus territórios, para resolver os seus problemas. É um negócio que gera muito lucro para a indústria bélica, na reconstrução dos países arrasados e no domínio sobre a exploração do petróleo e seus derivados.

Para legitimar as invasões é sempre pertinente algum pretexto: armas de destruição em massa, que Sadan teria no Iraque, caça ao Bin Ladem no Afganistão, defesa da democracia, etc. Hoje sabemos da farsa desses argumentos. O resultado disso? Bem, no Iraque sabe-se que tudo piorou para aquele povo, mesmo após os enormes sacrifícios: milhares de mortos, destruição de de moradias e prédios, milhares de refugiados de guerra, contaminação ambiental, doenças degenerativas, entre outras.

Sabe-se que Gaddafi não se submetia servilmente ao Ocidente, não quis fazer parte do Diálogo Meditarrâneo, junto com países como a Jordânia, Israel e outros, que, na verdade, formam uma aliança para explorar a África, proteger Israel. Isso significa também que grande parte de recursos de petróleo e gás ficam fora dos planejamentos de exploração ocidentais.

Gaddafi recusou-se a privatizar seus poços de petróleo. Os países da OTAN temem também que a abertura a empresas estrangeiras, proporcionada por Gaddafi, possibilite a entrada da China nos negócios da Líbia, o que ameaçaria a segurança dos interesses econômicos do Ocidente e isso apesar de ser uma economia majoritariamente estatal.
E mais, Gaddafi ousou ter autonomia financeira, não tomou empréstimos e não se submeteu ao FMI, o povo tem índices de qualidade e expectativas de vida altos, equivalentes aso chamado primeiro mundo, apoiou o Fundo Monetário Africano, tem altos investimentos na África, retirando dinheiro dos bancos americanos e aplicando-os em investimentos naquele continente.Tudo isso é muito difícil de ser digerido pelos EUA e seus aliados.

A Líbia derrotada será submetida à pobreza e humilhação. Vai ter que privatizar seus recursos naturais, abrir sua política econômica e fiscal, indenizar os prejuízos de guerra (a altíssimos preços) e pagar caro a reconstrução, desempregar milhares, inclusive de africanos.
Os prejuízos já se apresentam: existem cerca de 200 mil cidadãos do Niger, que trabalhavam na Líbia, desempregados.
Serão milhões de desempregados em toda região e de refugiados a espalharem-se pelo continente e fora dele.

Há um plano de ação proposto pela União Africana para o imediato cessar-fogo, que os rebeldes e a OTAN recusaram-se a examinar, porque não há interesse sincero na paz.

O plano propõe: Imediato cessar-fogo, intervenção humanitária por força externa ao conflito, governo de transição constituído de representantes dos dois lados em luta, cronograma para que formem partidos políticos, eleições, processo legal para investigar, identificar e punir os crimes de guerra.

Por que não se fala e se investe nesse plano? Porque a guerra é plano para extorção e dominação do povo Líbio, para dobrá-lo, faze-lo privatizar o petróleo e submeter todo o país ao sacrifício. É triste a indiferança do mundo.Cadê os Direitos Humanos? Os pacifistas e religiosos, tão militantes quando se trata de questões moralistas? É assustador que ninguém tenha considerado crime de guerra o que foi feito com o Iraque e Afganistão e o que continua acontecendo com os Palestinos. Quem será responsabilizado por tantas mortes e destruição?

Hoje é uma noite muito fria e fico pensando o que um dia foi um slogan:" o frio gela, a indiferença mata".

sexta-feira, 22 de julho de 2011

ASSESSORIA PEDAGÓGICA

Dia vinte deste mes, eu e o Irineu estivemos em Rosário do Sul, num trabalho de assessoria pedagógica a duas escolas estaduais.
De manhã, um uma das escolas, abordamos a questão do Ensino Médio, sob a ótica da legislação, das sugestões do MEC para possíveis alterações curriculares e das perspectivas do atual governo do Estado, ainda em discussão.

Obviamente que contextualizamos a temática em relação às transformações no processo produtivo e às demandas sociais e do trabalho.
Foi muito debatido, com boa participação dos professores.

Partindo dos Arts. 35 e 36 da atual LDB, que trata dos objetivos e finalidades do Ensino Médio, na Educação Básica, lembramos que as funções propedêuticas ( base para a continuidade dos estudos), de preparação para o trabalho, de formação para a cidadania e de conhecimentos tecnológicos, não podem ser estudadas de forma estanques e fragmentárias, pois estão interligadas e devem ser trabalhadas levando em conta os aspectos fundamentais do mundo hoje que é a cooperação e a comunicação, com todas as abrangências que as TCI( Tecnologias da Informação e Comunicação) proporcionam, na atualidade.

Como dar conta dessas dimensões? É possível a escola preparar para as demandas do trabalho? Para que tipo de trabalho é necessário preparar?
Impossível não constatar a crise da instituição escolar e não identificar a inadequação da mesma às necessidades e anseios dos sujeitos da realidade contemporânea.

As escolas estão muito empenhadas em construírem cursos técnicos, mas sabem os desafios que isso significa para o atual processo de produção e de trabalho, tão flexíveis, principalmente considerando o sucateamento físico das escolas e a defasagem tecnológica das mesmas, bem como a precária situação salarial dos profissionais da educação básica.

À tarde, em outra escola, o tema foi sobre Avaliação Emancipatória. Debatemos a temática tratando de algumas questões fundamentais. Partimos das seguintes perguntas e sobre ela construimos o debate:
1- Nossa educação é emancipatória?
2- Para que modelo de sociedade a instituição escolar que conhemos foi concebida?
3- Que avaliação foi concebida para a escola tradicional, que ainda temos?
4- Que mudanças ocorreram e estão ocorrendo e que demandam mudanças na escola?
5- Que características teria uma educação emancipatória?
6- Que características teria uma avaliação emancipatória?
Levamos escrito um bom material sobre essas questões e, é claro, as questões são polêmicas e significaram gatilhos para continuar estudando e debatendo.

Fio um dia exaustivo, mas gratificante, pois a gente constatou, mais uma vez, que apesar das hitóricas realidades adversas, os educadores resistem, fazem acontecer e realizam atividades emancipatórias com a comunidade escolar.
Agosto e setembro temos outros desafios, por isso continuaremos estudando e registrando as boas experiências que testemunhamos.