"Na sociedade pós-moderna a mulher se torna modelo para as formas de produção" (Negri)
Durante séculos os trabalhos relativos aos cuidados com a reprodução e manutenção da vida eram atribuições das mulheres. Cuidar de crianças, de idosos, dos doentes, dos portadores de deficiência: tarefas de mulher; Cozinhar, lavar, passar, costurar, limpar, ensinar, educar, lidar na horta e com animais domésticos: tarefas de mulher. Tarefas não remuneradas, desvalorizadas, invisíveis econômica e socialmente.
As mãos femininas, o corpo da mulher,foram treinados para servir, fazer as tarefas cotidianas, repetitivas, cansativas, em duplas ou triplas jornadas. Corpo para reproduzir, cuidar, acolher, nutrir. Corpo, historicamente, usado, explorado, manipulado, muitas vezes golpeado e morto.
Mas a mulher agigantou-se, conquistou legalmente acesso a todas as profissões.Ressalto, que falar legalmente, não significa ter superado as desigualdades, a violência e a exploração.
O que quero destacar neste texto, é que todos os fazeres que eram destinados à mulher, que envolvem cuidados, afetos, linguagem, enfim, que criam relações sociais e que foram historicamente desprezados, são hoje capturados pelo Mercado, pelo Capital e fazem parte do processo de valorização da Produção, da nova natureza do trabalho, cada vez mais conectado à produção de conhecimento, à dimensão linguistica e comunicacional, portanto, social, intelectual e afetivo.
O Mercado invade o setor de serviços: educação, saúde,cuidados com a infância e com idosos, intretenimento, cultura, cuidados com a vida em geral.
O verbo trabalhar conjuga-se mais no feminino que no masculino, segundo Negri.
O mencionado filósofo italiano, afirma que a sociedade mais rica, é a que consegue explorar, mais intensamente, os processos de reprodução social da vida,responsáveis por aumentarem a inteligência e potencializarem as capacidades de comunicação.
A matéria-prima que cria modos de vida, agregando valor aos serviços e às mercadorias, é a produção de subjetividades.
E quem estaria no centro da produção social da vida e, portanto, na produção de subjetividades, senão as mulheres?
Quem, majoritariamente, educa para valores da vida relacional e afetiva, senão as mulheres?
Quem organiza os serviços da vida social? No geral são as mulheres.
O trabalho se feminizou, não porque as mulheres estão massivamente presentes, mas porque " os próprios homens para produzir têm, de algum modo, que se feminizar" (Negri).
Diversos autores concordam que na sociedade pós-moderna (e pós-fordista) o trabalho produtivo dos serviços, ganham relevância e tornam-se cada vez mais "mulher". Finalmente as mulheres são maioria no modo de ser do processo produtivo: sensibilidade, comunicação, afeto, emoção e acolhimento: componentes imateriais, femininos, presentes no processo produtivo.
segunda-feira, 8 de março de 2010
quinta-feira, 4 de março de 2010
8 de março: Dia Internacional da Mulher
Sempre me ocorre questionar, as razões pelas quais temos que ter um dia para nós(só um dia?) e por que os homens não tem o seu dia? ( porque eles acham que tem todos?).
Bem, mas isso não interessa agora. Na verdade, durante décadas estive envolvida na comemoração desse dia, que as mulheres transformaram, quase sempre, num dia para dar visibilidade às lutas sociais, não só as essencialmente feministas.
Testemunhei muitas denúncias e depoimentos de opressão e de violência contra as mulheres. E não faz muitos anos (eu me lembro, e olhe que não sou tão idosa assim), as mulheres eram proibidas e barradas pela Lei e pelas práticas culturais, de terem acesso igualitário, em relação ao trabalho e à cidadania, de modo geral. Era grande o número de mulheres sem documentos, sem conta bancária, sem renda, sem acesso à saúde, à previdência, à educação, ao sindicato, ao partido,a serem chefes de família, a terem título de propriedade de terra nos assentamentos, etc.
Hoje é difícil encontrar alguém, que não reconheça as conquistas, frutos de lutas, durante séculos. Não foram presentes ou concessões. Participei ativamente de muitas delas, como, por exemplo, da aposentadoria da trabalhadora rural. Quantas vezes acampamos, fomos a Brasília, pegamos milhares de assinaturas... Conquistamos esta e muitas outras, que todos conhecemos.
As lutas não se extinguiram, porque ainda não estão superadas as discriminações e a violência contra as mulheres. Todas as semanas vemos nos jornais, notícias de agressões, estupros, abuso sexual, assassinatos de mulheres, porque, infelizmente,ainda vai demorar, para que se supere a cultura da propriedade e a idéia de direito de vida e de morte, sobre as mulheres e as meninas.
No entanto, hoje, pode-se dizer, vivemos o pós-feminismo, o que significa reconhecermos o êxito do feminismo, mas olharmos em direção ao presente e não ao passado. Ao dizer "SOU MULHER" significa reconhecer a conquista de minha subjetividade, livre, responsável, não mais carregada de significado vindo de fora, imposto e controlado.
Ao refletirmos sobre igualdade e diferença em relação ao homem,assumimos nosso direito de ser mulher e, principalmente, de dar a essa condição, o conteúdo que escolhermos, livremente, a partir de nossa capacidade de nos definir, de nos valorizar, em relação a nós mesmas.
Parece, que nós mulheres, cada vez menos, nos definimos em relação aos homens. E isso é bom e saudável. Nossa transformação não se opõem aos homens, mas concretizamos o desejo de afetar e de sermos afetadas por eles.
Entretanto, o inimigo principal continua sendo o ESSENCIALISMO, a ontologização sobre a natureza própria da mulher e do homem. Determinista, dualista: ou é isso ou é aquilo: ou é hetero ou é homossexual, por exemplo. Por que não os dois? É uma possibilidade, sem dúvida, assumida por muitas mulheres e homens e legítima. O determinismo essencialista, que defende uma essencial diferença entre a psicologia masculina e a feminina, não se sustenta mais, embora exista por aí,causando muito sofrimento, mas implodindo a cada dia. Hoje, é possível implodir todas as imagens de mulher e do homem. A construção de si é construção também de uma sexualidade, a partir da experiência do corpo, enquanto singularidades,capazes de construir nossas subjetividades, de nos tornarmos cada vez mais humanos.
Somos abertos:sujeitos a construir. Não às determinações externas, não ao UNO. Sim à diversidade, ao múltiplo.
O que importa, na verdade, não é definir nossa diferença em relação aos homens, mas entender que somos uma multiplicidade de corpos, de singularidades, de pessoas com capacidade de se construirem e de se individuarem. Mas precisamos continuar atentas, cada vez mais livres e felizes.
Bem, mas isso não interessa agora. Na verdade, durante décadas estive envolvida na comemoração desse dia, que as mulheres transformaram, quase sempre, num dia para dar visibilidade às lutas sociais, não só as essencialmente feministas.
Testemunhei muitas denúncias e depoimentos de opressão e de violência contra as mulheres. E não faz muitos anos (eu me lembro, e olhe que não sou tão idosa assim), as mulheres eram proibidas e barradas pela Lei e pelas práticas culturais, de terem acesso igualitário, em relação ao trabalho e à cidadania, de modo geral. Era grande o número de mulheres sem documentos, sem conta bancária, sem renda, sem acesso à saúde, à previdência, à educação, ao sindicato, ao partido,a serem chefes de família, a terem título de propriedade de terra nos assentamentos, etc.
Hoje é difícil encontrar alguém, que não reconheça as conquistas, frutos de lutas, durante séculos. Não foram presentes ou concessões. Participei ativamente de muitas delas, como, por exemplo, da aposentadoria da trabalhadora rural. Quantas vezes acampamos, fomos a Brasília, pegamos milhares de assinaturas... Conquistamos esta e muitas outras, que todos conhecemos.
As lutas não se extinguiram, porque ainda não estão superadas as discriminações e a violência contra as mulheres. Todas as semanas vemos nos jornais, notícias de agressões, estupros, abuso sexual, assassinatos de mulheres, porque, infelizmente,ainda vai demorar, para que se supere a cultura da propriedade e a idéia de direito de vida e de morte, sobre as mulheres e as meninas.
No entanto, hoje, pode-se dizer, vivemos o pós-feminismo, o que significa reconhecermos o êxito do feminismo, mas olharmos em direção ao presente e não ao passado. Ao dizer "SOU MULHER" significa reconhecer a conquista de minha subjetividade, livre, responsável, não mais carregada de significado vindo de fora, imposto e controlado.
Ao refletirmos sobre igualdade e diferença em relação ao homem,assumimos nosso direito de ser mulher e, principalmente, de dar a essa condição, o conteúdo que escolhermos, livremente, a partir de nossa capacidade de nos definir, de nos valorizar, em relação a nós mesmas.
Parece, que nós mulheres, cada vez menos, nos definimos em relação aos homens. E isso é bom e saudável. Nossa transformação não se opõem aos homens, mas concretizamos o desejo de afetar e de sermos afetadas por eles.
Entretanto, o inimigo principal continua sendo o ESSENCIALISMO, a ontologização sobre a natureza própria da mulher e do homem. Determinista, dualista: ou é isso ou é aquilo: ou é hetero ou é homossexual, por exemplo. Por que não os dois? É uma possibilidade, sem dúvida, assumida por muitas mulheres e homens e legítima. O determinismo essencialista, que defende uma essencial diferença entre a psicologia masculina e a feminina, não se sustenta mais, embora exista por aí,causando muito sofrimento, mas implodindo a cada dia. Hoje, é possível implodir todas as imagens de mulher e do homem. A construção de si é construção também de uma sexualidade, a partir da experiência do corpo, enquanto singularidades,capazes de construir nossas subjetividades, de nos tornarmos cada vez mais humanos.
Somos abertos:sujeitos a construir. Não às determinações externas, não ao UNO. Sim à diversidade, ao múltiplo.
O que importa, na verdade, não é definir nossa diferença em relação aos homens, mas entender que somos uma multiplicidade de corpos, de singularidades, de pessoas com capacidade de se construirem e de se individuarem. Mas precisamos continuar atentas, cada vez mais livres e felizes.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Com que roupa...
Qual a roupa que um "nobre edil" deve usar? Sobre isso, o Diário de hoje publica uma matéria, com destaque nas páginas principais. O traje foi motivo de debate do legislativo santameriense e ficou votado no novo regimento interno, que o mesmo deveria ser "a passeio". Agora eles fazem "profundas reflexões" sobre o que cada um entende, por traje a passeio. Só quatro vereadores afirmaram (segundo publicação do Diário) que o principal não é a roupa, mas o trabalho que o vereador ou vereadora realiza.
As afirmações de diversos vereadores, revelam que realmente eles precisam tentar maquiar a aparência, porque o conteúdo que sai pela boca é muuuuito pobre. Vale reproduzir algumas frases proferidas por alguns Edis, sobre vir de gravata ou Blazer (no caso das mulheres): "Acho ótimo, qualifica o trabalho", "Acho interessante porque dá uma impressão formal, e a gente vem melhor apresentado", "É importante, afinal nós representamos uma parcela grande da comunidade. Quanto melhor alinhado, melhor", "...é uma demonstração de respeito e educação à comunidade", "e não tem outra conotação, a não ser exaltar o Parlamento", "...e a gente ter uma postura melhor".
Ora, depende da roupa a qualificação do trabalho? Nem precisa comentar as frases. Fica evidente a preocupação de produzir impressão, exaltar a posição. É óbvio que o que qualifica o Parlamento é a sintonia com a infinidade de questões relativas à vida das pessoas, nas suas comunidades, nas suas necessidades. A participação efetiva dos vereadores intervindo nas questões de saúde, educação, transporte, cultura, lazer, etc. é que vão qualificar o Parlamento. Com tantos problemas nas escolas municipais,neste início de ano letivo,por exemplo, os vereadores vão debater o traje que devem usar? Me poupem!
Mas bem feito, vão morrer de calor de gravata, nos dias de calor tropical desta Santa Maria, que sabe ser quente e abafada. Castigo que eles mesmos se impõem.
Ah, ia esquecendo: Atenção mulheres, querem se tornar sedutoras irresistíveis? Querem comemorar o Dia Internacional das Mulheres? então não percam palestra da consultora Rita Rostirolla.Ela trata de coisas absolutamente fundamentais como "evitar lingerie bege - isso é mortal". Vou por fora as minhas, urgentemente.
Ah e se alguém deu calote na Prefeitura, deixando de pagar impostos, agora vai ser perdoado.Menos 15 milhões nos cofres da Prefeitura. Bem feito pra quem pagou!
E pra terminar ontem peguei um ônibus, já entrando pela porta da frente e com a nova pintura. Fundamental para o conforto dos passageiros! Pena que o calor era insuportável e desci com dor na bunda, tal o conforto dos bancos.
Ah sim, o Diário esqueceu de lembrar que a falta de professores nas escolas de Santa Maria, tem responsável: A governadora Ieda, que enturmou, fechou escolas, coloca alunos em escolas de latas, arrocha salários e se exibe proclamendo o Déficit Zero.Vou parar, porque teria mais uma porção de barbaridades, que os jornais publicam ou deixam de publicar, que me irritam muito.
As afirmações de diversos vereadores, revelam que realmente eles precisam tentar maquiar a aparência, porque o conteúdo que sai pela boca é muuuuito pobre. Vale reproduzir algumas frases proferidas por alguns Edis, sobre vir de gravata ou Blazer (no caso das mulheres): "Acho ótimo, qualifica o trabalho", "Acho interessante porque dá uma impressão formal, e a gente vem melhor apresentado", "É importante, afinal nós representamos uma parcela grande da comunidade. Quanto melhor alinhado, melhor", "...é uma demonstração de respeito e educação à comunidade", "e não tem outra conotação, a não ser exaltar o Parlamento", "...e a gente ter uma postura melhor".
Ora, depende da roupa a qualificação do trabalho? Nem precisa comentar as frases. Fica evidente a preocupação de produzir impressão, exaltar a posição. É óbvio que o que qualifica o Parlamento é a sintonia com a infinidade de questões relativas à vida das pessoas, nas suas comunidades, nas suas necessidades. A participação efetiva dos vereadores intervindo nas questões de saúde, educação, transporte, cultura, lazer, etc. é que vão qualificar o Parlamento. Com tantos problemas nas escolas municipais,neste início de ano letivo,por exemplo, os vereadores vão debater o traje que devem usar? Me poupem!
Mas bem feito, vão morrer de calor de gravata, nos dias de calor tropical desta Santa Maria, que sabe ser quente e abafada. Castigo que eles mesmos se impõem.
Ah, ia esquecendo: Atenção mulheres, querem se tornar sedutoras irresistíveis? Querem comemorar o Dia Internacional das Mulheres? então não percam palestra da consultora Rita Rostirolla.Ela trata de coisas absolutamente fundamentais como "evitar lingerie bege - isso é mortal". Vou por fora as minhas, urgentemente.
Ah e se alguém deu calote na Prefeitura, deixando de pagar impostos, agora vai ser perdoado.Menos 15 milhões nos cofres da Prefeitura. Bem feito pra quem pagou!
E pra terminar ontem peguei um ônibus, já entrando pela porta da frente e com a nova pintura. Fundamental para o conforto dos passageiros! Pena que o calor era insuportável e desci com dor na bunda, tal o conforto dos bancos.
Ah sim, o Diário esqueceu de lembrar que a falta de professores nas escolas de Santa Maria, tem responsável: A governadora Ieda, que enturmou, fechou escolas, coloca alunos em escolas de latas, arrocha salários e se exibe proclamendo o Déficit Zero.Vou parar, porque teria mais uma porção de barbaridades, que os jornais publicam ou deixam de publicar, que me irritam muito.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Não se assustem, mas é sobre a Morte
Acabei de ler um livro do Saramago sobre a Morte: "As intermitências da Morte". Esse escritor tem um modo estranho de escrever, não usa parágrafos e segue um português, digamos, bem português: formal, gramaticalmente rico. O autor brinca com a morte, fantasia situações, para fazer reflexões sobre a morte, para que se faça reflexões sobre a vida. Ele refere-se à morte, seguindo a crendice popular de que que há um destino predestinado para cada humano. Cria uma personagem feminina (uma velha senhora) dona da morte. Cria uma situação hipotética, que no romance acontece, de ninguém morrer, de pessoas que irão viver eternamente: não haverá mais mortes. E durante 8 meses ninguém morre em um determinado país. Aí ele descreve o caos que isso vai ocasionar. Mas o que me tocou foi a dificuldade das pessoas lidarem com o fato de que terão que cuidar de idosos e doentes. As pessoas usam até a Máfia para se livrarem dessas criaturas "incômodas" e as remetem a outros países em que se continua morrendo.
O romance faz-nos perceber o quanto existem estruturas em função da morte: parece que vive-se em função dela.
A leitura, embora romanceada, me fez refletir que vivemos com medo da morte, da nossa e da dos outros e, por isso, reduzimos nossa potência de viver plenamente.
E quando alguém muito próximo a nós adoece, aí sentimos pânico e a urgência de viver melhor: de curtir os familiares, de cultivar as amizades, de demonstrar amor em nossas atitudes.De amar,com abundância, com generosidade, de perdoar e buscar o perdão, de corrigir injustiças, de aceitar e valorizar a abundência de vida que temos.
O romance faz-nos perceber o quanto existem estruturas em função da morte: parece que vive-se em função dela.
A leitura, embora romanceada, me fez refletir que vivemos com medo da morte, da nossa e da dos outros e, por isso, reduzimos nossa potência de viver plenamente.
E quando alguém muito próximo a nós adoece, aí sentimos pânico e a urgência de viver melhor: de curtir os familiares, de cultivar as amizades, de demonstrar amor em nossas atitudes.De amar,com abundância, com generosidade, de perdoar e buscar o perdão, de corrigir injustiças, de aceitar e valorizar a abundência de vida que temos.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
As trapalhadas dos adultos com a infância
Quando começamos a namorar, o Irineu e eu planejamos ter tres filhos (nossos pais tiveram 8 e 10). Achávamos o número ideal e tivemos a graça de ter mais uma. Quatro filhos. A gente assinava revistas de formação, estudamos Piage, Vigotsky e outros, porque queríamos acertar. Acertar era viver uma vida que pudesse ser imitada, admirada pelos filhos e viver com alegria, compromisso comunitário, solidariedade com os mais necessitados, respeito e comunhão em relação à natureza.
Não sei se conseguimos, mas tivemos o cuidado de cuidar, cuidar e cuidar, no sentido de preservar a dignidade e a alegria da infância.
Hoje já não sei se não sou moralista, não desejo ser, mas não acho legal as crianças imitarem, por exemplo, os modelos que a televisão nos apresenta. A menina Rafaela, da novela da Globo (de Viver a Vida), que monstrinho, cheio de astúcia, fofoqueira e outras coisas mais, que a personagem está revelando. Será que é bom as crianças verem isso? Será que é bom para a menina-atriz? Será que, na idade dela, em que fantasia e realidade se confundem, ela vai conseguir separar a ficção de sua vida real? E o ambiente de trabalho que a menina é submetida é adequado à infância? Não é uma forma sutilmente perniciosa de "trabalho infantil"? Ou a Globo POOOODE! E as promotorias da infância e Juventude o que tem feito à respeito?
E no carnaval, as menininhas serem submetidas a sambar, até a meia noite ou mais, intertendo o público, subindo e descendo a avenida Liberdade, enquanto as escolas não chegavam para desfilar?
Foi muuuuito esforço, eu vi, eu percebi. E as vestes e danças (gestos eróticos) expondo a infância a uma função que sempre foi dos adultos e que, antes de existir o ECA, não era permitida à infância. Agora é? Tem algum estudo sobre isso? É bonitinho, mas me pareceu demasiada exposição e demasiado esforço, para as menininhas que participaram da corte municipal do carnaval.
Fala-se em escola de tempo integral, redução da idade para iniciar a educação infantil, proteção à infância, preconizada pelo ECA e ao mesmo tempo não se garantem espaços abertos, para que elas cresçam brincando, correndo, em segurança, com os cuidados que a infância merece. As cidades não são pensadas para que a infância tenha seus lugares.A infância não está sendo preservada, na sua inocência, liberdade, alegria e cuidados. Será que sou eu que envelheci e não entendo mais de criança? Eu pensava que entendia um pouco.
Não sei se conseguimos, mas tivemos o cuidado de cuidar, cuidar e cuidar, no sentido de preservar a dignidade e a alegria da infância.
Hoje já não sei se não sou moralista, não desejo ser, mas não acho legal as crianças imitarem, por exemplo, os modelos que a televisão nos apresenta. A menina Rafaela, da novela da Globo (de Viver a Vida), que monstrinho, cheio de astúcia, fofoqueira e outras coisas mais, que a personagem está revelando. Será que é bom as crianças verem isso? Será que é bom para a menina-atriz? Será que, na idade dela, em que fantasia e realidade se confundem, ela vai conseguir separar a ficção de sua vida real? E o ambiente de trabalho que a menina é submetida é adequado à infância? Não é uma forma sutilmente perniciosa de "trabalho infantil"? Ou a Globo POOOODE! E as promotorias da infância e Juventude o que tem feito à respeito?
E no carnaval, as menininhas serem submetidas a sambar, até a meia noite ou mais, intertendo o público, subindo e descendo a avenida Liberdade, enquanto as escolas não chegavam para desfilar?
Foi muuuuito esforço, eu vi, eu percebi. E as vestes e danças (gestos eróticos) expondo a infância a uma função que sempre foi dos adultos e que, antes de existir o ECA, não era permitida à infância. Agora é? Tem algum estudo sobre isso? É bonitinho, mas me pareceu demasiada exposição e demasiado esforço, para as menininhas que participaram da corte municipal do carnaval.
Fala-se em escola de tempo integral, redução da idade para iniciar a educação infantil, proteção à infância, preconizada pelo ECA e ao mesmo tempo não se garantem espaços abertos, para que elas cresçam brincando, correndo, em segurança, com os cuidados que a infância merece. As cidades não são pensadas para que a infância tenha seus lugares.A infância não está sendo preservada, na sua inocência, liberdade, alegria e cuidados. Será que sou eu que envelheci e não entendo mais de criança? Eu pensava que entendia um pouco.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Uma mulher chamada Eliza
Sei que ando escrevendo textos muito longos e ninguém anda me respondendo. Desculpem. Hoje vou comentar nossa visita (minha e do Irineu) e Foz do Iguaçú.
Minha irmã Eliza veio a S.Maria organizar a festa de formatura da filha Juliana, que se formou em Artes Visuais. Foi uma bela festa, alegre, cheia de encontros e tudo estava perfeito. A Juliana muito feliz e linda. Adorei! Parabéns Juliana.
Minha irmã veio de carro e para voltar precisava de alguém com ela. Nos convidou e nos tentou dezendo: Aproveito e arrumo os dentes de vocês. Lá fomos nós.
Eu dirigi até Porto Mauá, divisa entre Argentina e Brasil.Ela dirigiu no território argentino.Foi uma ótima viagem.
Ficamos uma semana em Foz do Iguaçú. Fizemos diversos passeios e, é claro, ao Paraguai. Compramos algumas coisitas, dentro da cota, é claro.
Mas o que desejo comentar é sobre o lado "virtuoso" da Eliza. Arrumou diversos dentes meu e do Irineu. E o que gosto é o profissionalismo da minha irmã: Ela faz a avaliação, tira radiografia, trata canal, faz as próteses, etc. etc. Se necessário, faz cirurgia, implante de osso e de dente. Não foi nosso caso, mas ela já fez implante no Irineu. O consultório é novíssimo, agradabilíssimo, aconchegante. Ela está sempre se atualizando.Voltamos com a boca absolutamente em ordem.
Quando minha irmã não está no consultório, está fabricando bijouterias. Cada coisa linda!Ganhei de presente diversas e trouxe outras para vender. Algumas ela fabricou na nossa presença e quando a gente falava:"esta aí vais vender fácil, é linda!" ela dizia," eu vendo, mas não faço para vender. Faço por prazer!"
Aí ela sai, vende nas lojas, compra também, constroi relações afetivas, de trocas, e arruma clientes pro consultório.
Fiquei comparando com tantos jovens que, desesperadamente, fazem concursos públicos na busca da estabilidade. Isso é bom, não precisa conquistar clientes, é seguro, se aposenta bem, etc. mas muitos queixam-se da rotina, da mesmice, da subordinação a chefes autoritários, etc.
No trabalho da Eliza, não há estabilidade, é preciso mãos que sabem fazer, conhecimento, comunicação, relações inter-pessoais, afetivas. Isso é que dá garantia. A pessoa precisa estar atenta, atualizada, conectada, criativa. Parabéns Eliza!
Minha irmã Eliza veio a S.Maria organizar a festa de formatura da filha Juliana, que se formou em Artes Visuais. Foi uma bela festa, alegre, cheia de encontros e tudo estava perfeito. A Juliana muito feliz e linda. Adorei! Parabéns Juliana.
Minha irmã veio de carro e para voltar precisava de alguém com ela. Nos convidou e nos tentou dezendo: Aproveito e arrumo os dentes de vocês. Lá fomos nós.
Eu dirigi até Porto Mauá, divisa entre Argentina e Brasil.Ela dirigiu no território argentino.Foi uma ótima viagem.
Ficamos uma semana em Foz do Iguaçú. Fizemos diversos passeios e, é claro, ao Paraguai. Compramos algumas coisitas, dentro da cota, é claro.
Mas o que desejo comentar é sobre o lado "virtuoso" da Eliza. Arrumou diversos dentes meu e do Irineu. E o que gosto é o profissionalismo da minha irmã: Ela faz a avaliação, tira radiografia, trata canal, faz as próteses, etc. etc. Se necessário, faz cirurgia, implante de osso e de dente. Não foi nosso caso, mas ela já fez implante no Irineu. O consultório é novíssimo, agradabilíssimo, aconchegante. Ela está sempre se atualizando.Voltamos com a boca absolutamente em ordem.
Quando minha irmã não está no consultório, está fabricando bijouterias. Cada coisa linda!Ganhei de presente diversas e trouxe outras para vender. Algumas ela fabricou na nossa presença e quando a gente falava:"esta aí vais vender fácil, é linda!" ela dizia," eu vendo, mas não faço para vender. Faço por prazer!"
Aí ela sai, vende nas lojas, compra também, constroi relações afetivas, de trocas, e arruma clientes pro consultório.
Fiquei comparando com tantos jovens que, desesperadamente, fazem concursos públicos na busca da estabilidade. Isso é bom, não precisa conquistar clientes, é seguro, se aposenta bem, etc. mas muitos queixam-se da rotina, da mesmice, da subordinação a chefes autoritários, etc.
No trabalho da Eliza, não há estabilidade, é preciso mãos que sabem fazer, conhecimento, comunicação, relações inter-pessoais, afetivas. Isso é que dá garantia. A pessoa precisa estar atenta, atualizada, conectada, criativa. Parabéns Eliza!
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
"Melhorismo da continuidade"????
Na revista Caros Amigos, de janeiro de 2010, João Pedro Stédile escreve uma matéria intitulada "É preciso debater um Projeto para o Brasil". Inicia afirmando que a opção brasileira não deve ser entre o "retrocesso da volta dos tucanos" ou o ""melhorismo" da continuidade".Defende que a situação dos pobres só vai melhorar com "mudanças estruturais" que viriam com a elaboração de "um projeto para o país". Afirma que é preciso que "se conscientize as massas, aglutine forças e motive o povo a lutar por ele".
A seguir cita o desemprego, a concentração da terra e da renda e segue listando tudo o que falta melhorar na realidade brasileira.
Ouço e leio o Stédile e as esquerdas brasileira dizerem isso a 30 anos e esse é, mais ou menos, o tempo em que João Pedro coordena o MST, o maior movimento organizado de luta pela terra nas Américas.Penso que ele já deveria ter percebido, que o discurso da "conscientização", do "acúmulo de forças" e da formação de lideranças (quadros dirigentes), que debatam e formulem Projeto ou Projetos para a diversificada realidade brasileira, não foram suficientes para realizar mudanças estruturais, porque é isso que o MST, a Via Campesina, os Movimentos Sociais Populares teem feito a décadas. O que faltou fazerem? Como fazer isso de forma a dar resultados diferentes agora? Que mudanças estruturais são essas?
Talvez ele queira dizer que é preciso derrotar o capitalismo e implantar outra coisa (o socialismo). Mudanças estruturais sugere mudanças na política econômica (intervenção nos bancos, estatização de setores da economia, redução de juros, não subordinação à lógica financeira global,reforma agrária massiva, etc.)Será isso?
O que confunde a esquerda e a direita fascista, foi o Governo Lula ter enfrentado a crise econômica, que assolou o mundo e o Brasil, sem fazer mudanças econômicas ortodoxas,e sim fazendo políticas sociais, distribuindo renda, em programas sociais, colocando nas mãos dos pobres, recursos que lhes deram acesso ao mais fundamental. Se é a vida que produz riqueza, é da vida dos mais pobres que Lula cuidou. Fortaleceu o mercado interno e fez o efeito da "multiplicação dos pães" na economia.
Mas na interpretação das expressões "mudanças estruturais" e "acumulação de forças", me induz a pensar na idéia de tomada de poder do Estado e então realizar as mudanças. Por outro lado "acumular forças" sugere que a forma de tomada de poder é ir construindo maioria nas estruturas estatais e institucionais e hegemonia de pensamento através da conscientização, realizada sob a coordenação de lideranças políticas e quadros bem formados. Já ouvi isso muitas vezes. Isso é o que já se tentou fazer. Por que não se fizeram mudanças? Porque o Lula traiu o povo e fez só "melhorismos"? Certamente que não.
João Pedro, muita coisa mudou:
- o latifundio já não é tão improdutivo;
- o crescimento econômico já não gera tantos empregos;
-o Presidente não tem o poder que se pensava ter.
Veja o caso das desapropriações. Acabei de ler, na mesma revista acima citada, que o Presidente Lula assinou o decreto declarando área de interesse social, para fins de Reforma Agrária, a área da Fazenda Monte Cristo, no Vale Jequitinhonha, no norte de Minas. Essa assinatura é o último passo para a desapropriação. Pois a fazenda está sendo vendida, com o consentimento do Ministério Público Estadual. Os conflitos são acirrados, morre gente e nem o Presidente conseguiu desapropriá-la.
O Estado não é o Presidente e o Sistema Capitalista é maior que o Estado. É necessário, sim, neutralizar ao máximo a força repressiva do Estado e por isso faz diferença escolher entre Lula e o PSDB e seus comparsas.
No entanto, o MST e o Movimento Popular e Sindical, precisam avançar em suas estratégias de luta.
Em lugar de conscientização, propor, organizar e realizar ações que inaugurem novos modos de vida,: com mais autonomia, menos dependência, subordinação e hierarquização. Novos modos de produzir,novas formas de trocas, de uso da moeda, de morar, de garantir segurança. Produzir comunicação, informação, lutar pela acessibilidade de tudo o que humaniza e dá qualidade de vida digna.Não no discurso, na prática, na vida, em ações concretas. Muitas coisas nesse sentido estão acontecendo, é preciso que os dirigentes dos movimentos populares vejam isso. Algumas o MST já faz, é verdade.
A Reforma Agrária, por exemplo,precisa ser feita com linhas de crédito para grupos cooperados, organizados em Projetos com o objetivo da Segurança Alimentar, com assessoria técnica, gerenciamento cooperado, visando boa e sustentável produtividade. Continuar defendendo lotes individuais, para integrarem-se a um tipo de mercado, em que o pequeno quase sempre vai à falência, com qualidade de vida péssima, sem acesso à formação, comunicação, saúde, cultura, não dá mais. É preciso reinventar a luta, reinventando a maneira de viver. Não é o Bolsa-Familia que impede a formação de novos acampamentos, é o sacrifício, o sofrimento, a humilhação e o medo que impera sob as lonas pretas. Acorda coordenador do MST!
A seguir cita o desemprego, a concentração da terra e da renda e segue listando tudo o que falta melhorar na realidade brasileira.
Ouço e leio o Stédile e as esquerdas brasileira dizerem isso a 30 anos e esse é, mais ou menos, o tempo em que João Pedro coordena o MST, o maior movimento organizado de luta pela terra nas Américas.Penso que ele já deveria ter percebido, que o discurso da "conscientização", do "acúmulo de forças" e da formação de lideranças (quadros dirigentes), que debatam e formulem Projeto ou Projetos para a diversificada realidade brasileira, não foram suficientes para realizar mudanças estruturais, porque é isso que o MST, a Via Campesina, os Movimentos Sociais Populares teem feito a décadas. O que faltou fazerem? Como fazer isso de forma a dar resultados diferentes agora? Que mudanças estruturais são essas?
Talvez ele queira dizer que é preciso derrotar o capitalismo e implantar outra coisa (o socialismo). Mudanças estruturais sugere mudanças na política econômica (intervenção nos bancos, estatização de setores da economia, redução de juros, não subordinação à lógica financeira global,reforma agrária massiva, etc.)Será isso?
O que confunde a esquerda e a direita fascista, foi o Governo Lula ter enfrentado a crise econômica, que assolou o mundo e o Brasil, sem fazer mudanças econômicas ortodoxas,e sim fazendo políticas sociais, distribuindo renda, em programas sociais, colocando nas mãos dos pobres, recursos que lhes deram acesso ao mais fundamental. Se é a vida que produz riqueza, é da vida dos mais pobres que Lula cuidou. Fortaleceu o mercado interno e fez o efeito da "multiplicação dos pães" na economia.
Mas na interpretação das expressões "mudanças estruturais" e "acumulação de forças", me induz a pensar na idéia de tomada de poder do Estado e então realizar as mudanças. Por outro lado "acumular forças" sugere que a forma de tomada de poder é ir construindo maioria nas estruturas estatais e institucionais e hegemonia de pensamento através da conscientização, realizada sob a coordenação de lideranças políticas e quadros bem formados. Já ouvi isso muitas vezes. Isso é o que já se tentou fazer. Por que não se fizeram mudanças? Porque o Lula traiu o povo e fez só "melhorismos"? Certamente que não.
João Pedro, muita coisa mudou:
- o latifundio já não é tão improdutivo;
- o crescimento econômico já não gera tantos empregos;
-o Presidente não tem o poder que se pensava ter.
Veja o caso das desapropriações. Acabei de ler, na mesma revista acima citada, que o Presidente Lula assinou o decreto declarando área de interesse social, para fins de Reforma Agrária, a área da Fazenda Monte Cristo, no Vale Jequitinhonha, no norte de Minas. Essa assinatura é o último passo para a desapropriação. Pois a fazenda está sendo vendida, com o consentimento do Ministério Público Estadual. Os conflitos são acirrados, morre gente e nem o Presidente conseguiu desapropriá-la.
O Estado não é o Presidente e o Sistema Capitalista é maior que o Estado. É necessário, sim, neutralizar ao máximo a força repressiva do Estado e por isso faz diferença escolher entre Lula e o PSDB e seus comparsas.
No entanto, o MST e o Movimento Popular e Sindical, precisam avançar em suas estratégias de luta.
Em lugar de conscientização, propor, organizar e realizar ações que inaugurem novos modos de vida,: com mais autonomia, menos dependência, subordinação e hierarquização. Novos modos de produzir,novas formas de trocas, de uso da moeda, de morar, de garantir segurança. Produzir comunicação, informação, lutar pela acessibilidade de tudo o que humaniza e dá qualidade de vida digna.Não no discurso, na prática, na vida, em ações concretas. Muitas coisas nesse sentido estão acontecendo, é preciso que os dirigentes dos movimentos populares vejam isso. Algumas o MST já faz, é verdade.
A Reforma Agrária, por exemplo,precisa ser feita com linhas de crédito para grupos cooperados, organizados em Projetos com o objetivo da Segurança Alimentar, com assessoria técnica, gerenciamento cooperado, visando boa e sustentável produtividade. Continuar defendendo lotes individuais, para integrarem-se a um tipo de mercado, em que o pequeno quase sempre vai à falência, com qualidade de vida péssima, sem acesso à formação, comunicação, saúde, cultura, não dá mais. É preciso reinventar a luta, reinventando a maneira de viver. Não é o Bolsa-Familia que impede a formação de novos acampamentos, é o sacrifício, o sofrimento, a humilhação e o medo que impera sob as lonas pretas. Acorda coordenador do MST!
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