sábado, 9 de outubro de 2010

Universidade, campus de Silveira Martins


Faço parte da diretoria de uma associação regional que pensa o desenvolvimento sustentável da região central e entre seus objetivos mais imediatos está a defesa e consolidação do campus da UFSM em Silveira Martins. Esse campus surgiu a partir do REUNI, que tem entre suas características não apenas a expansão de vagas das universidades públicas brasileiras, mas também para alavancar o desenvolvimento econômico e social de regiões empobrecidas, a partir de potenciais existentes nas comunidades.

O Campus de Silveira elaborou uma proposta de cursos e de modelo pedagógico, que pretende integrar ensino, pesquisa e extensão, implementados a partir da Pedagogia de Projetos, com Seminários Integradores, para cursos de formação de Tecnólogos, visando valorizar e melhorar, (agregando valores e conhecimentos tecnológicos), as atividades de agronegócios já existentes nos municípios da região central e do potencial turístico existente nos municípios de abrangência da Unidade.

Para isso, foi destinado pelo governo Federal 2 milhões e meio de reais, para construção do prédio do campus, que teve área destinada pelo município. Os recursos foram liberados, o projeto pronto, anunciado. Os alunos estudariam meio ano no antigo Colégio Bom Conselho e depois se mudariam, já em 2010, para o prédio novo, que teria laboratórios, biblioteca, etc. O edital de licitação estava em andamento. Assumiu o reitor Felipe e o edital foi suspenso. Os recursos foram para outras prioridades e a Unidade teve de se acomodar no colegio Bom Conselho, que foi doado à Universidade pela Prefeitura de Silveira Martins.

A Associação, mencionada acima, convidou o Diretor da Unidade e o Coordenador Pedagógico para explicar porque a Unidade não faria vestibular em janeiro de 2011. A explicação foi de que a suspensão foi determinada pelo Reitor da UFSM devido a falta de acomodações para mais turmas no prédio. É preciso, antes, reformar e ampliar o Bom Conselho para incluir novas turmas. Claro, com limites, uma vez que os recursos são mais limitados e a área também.

Perguntamos se havia planos de buscar mais recursos e utilizar o Terreno que a Universidade recebeu do município para futuras ampliações. A resposta é de que não há proposta da Reitoria nesse sentido e que, efetivamente, foi colocado um limite às instalações da Unidade.
Conclusão: O Campus tinha uma boa proposta, tinha recursos para implantação de um Campus de qualidade e agora ve-se limitado. Quem são os responsáveis? Reitoria, principalmente. Depois que não digam que o Reúne é uma proposta de cursos de má qualidade. O Governo Federal precisa contar com a competência dos Reitores, dos Prefeitos e da comunidade universitária.

Outro problema é a concepção de formação dos professores, que só querem realizar "ensino" nos moldes tradicionais. Pesquisa e Extensão, não faz parte de suas práticas. É difícil, para a maioria docente, corporativista, dedicar-se de forma integral às funções para as quais foram concursados e se comprometeram ao fazerem concurso.

Mas a associação vai continuar acompanhando, reivindicando, ajudando também. Isso foi reafirmado ao Diretor e vai convidar o Reitor para conversar.
Outros problemas foram apontados: falta de local para os alunos se hospedarem, restaurante universitário e transporte inter-municipal entre os municípios da quarta colônia. Outra dificuldade mencionada foi a precariedade da estrada que chega a Silveira Martins, que estava sendo melhorada e teve as obras interrompidas (pelo governo Ieda) exatamente quando entra no município de Silveira, no pé e na subida da Serra. Está realmente em estado precário e oferece perigo para quem se desloca diariamente.
Esse campus vai exigir muita organização e luta por parte da comunidade. Nossa associação tem essa tarefa prioritária.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Ainda sobre as eleições

Hoje estou vivendo sentimentos contraditórios. Não sei se vou conseguir expressar algo bem elaborado, em termos de análise, mas a gente não pode fugir da raia na hora das dificuldades.

Fiquei feliz com a vitória do Tarso, claro que no meu entendimento, não é a mesma coisa se fosse o Olívio, que tem a ver muito mais com as minhas concepções de política. Mas o Tarso realizou uma grande experiência no governo Lula e isso vai ser bom para o Rio Grande. Espero que se assessore bem.
O campo progressista elegeu uma grande bancada, apesar de terem ficaco fora, ou na suplência, pessoas de grande valor e terem se elegido criaturas que tem opções ideológicas com as quais não comungo, por serem pessoas que vão defender interesses de quem já tem demais. Mas, faz parte da democracia representativa.

Estou preocupada com a eleição a Presidente da República.
Tento refletir sobre as razões pelas quais parte do eleitorado migraram para a candidatura da Marina.
Claro que um percentual (em torno de 8%) que sempre esteve com ela desde o início, votou coerente com seu partido: os verdes e alguns com a sincera vontade de mudanças nas ações do governo, no que se refere à questão ambiental.

Preocupa-me os votos de fundo "moralista", fruto da boataria rebaixada, veiculada por setores das igrejas cristãs, de que a Dilma seria associada a idéias contra a vida e as liberdades religiosas: aborto, repressão às livres manifestações religiosas, associação da imagem dela com o terrorismo, comunismo, etc. Saiu muita boataria na internet e em panfletos anônimos jogados na rua.
Um absurdo!
Isso me lembra a ação da TFP (tradição, Familia e Propriedade), que se juntaram a setores conservadores da Igreja Católica, e em passeatas, denunciavam o perigo do comunismo, o que ajudou a estimular o Golpe Militar de 64.

Creio que Lula, a coordenação da campanha da Dilma e o PT cometeram alguns erros:

1- Subestimaram a força que a imprensa ainda tem. Foi ela que empurrou a Onda Verde, que fez a Marina crescer. A mesma imprensa que batia na Marina, quando ministra, por dificultar os licenciamentos ambientais para construção de grandes hidroelétricas. E foi assim que ela aprovou Belo Monte.
2- Erraram na tática do silêncio diante das absurdas acusações. Demoraram demais para dialogar com as Igrejas e esclarecer cada ponto, com honestidade, energia e clareza. E nisso ir pro confronto mesmo.
3- Aproveitaram mal os últimos programas de rádio e televisão, que foram mornos. Deveriam ter pontuado as diferenças em relação ao Serra, respondido devidamente à Marina a questão de um projeto estratégico para o Brasil e deixar claro as propostas do programa sobre as questões trabalhistas, previenciárias, fiscais, tributárias, e principalmente as questões ambientais. Dilma fez isso em relação aos programas sociais, à Segurança, aos projetos habitacionais, mas muitos pontos ficaram obscuros.
4- Sobre a política externa, as relações com a América latina, é preciso deixar claro as diferenças entre Dilma e o PSDB. Sobre a questão da corrupção, da mesma forma. Não é verdade que a corrupção foi inaugurada com o Mensalão, nem este foi inaugurado pelo PT.

O governo Lula não foi o de seguir com o neoliberalismo (privatista, de redução do tamanho do Estado e isso significa redução de gastos sociais) de submissão ao G8 e seus organismos, de Bases militares americanas nas Américas e inclusive no brasil, de implantação da ALCA, etc. Esse é o projeto que Serra iria dar seguimento, pois é o projeto do PSDB.

Na gestão do Estado, é óbvio que qualquer governo vai precisar fazer alianças, caso contrário não governa, e alianças é fazer concessões. Mas é preciso ir avançando e não retroceder. Com Serra, acredito, é retrocesso. Espero que a turma da Marina entenda isso.

sábado, 2 de outubro de 2010

NOSSO LAR


Hoje fomos ver o filme Nosso Lar, inspirado num romance de Chico Chavier (psicografado). Campeão de bilheteria. Fui ver de curiosa, porque não sou espírita e não acredito em reencarnação.
Filme bem feito, cheio de efeitos especiais.
Como não entendo muito de cinema, quero comentar sobre seu conteúdo.

O filme é muito fiel ao que eu já havia ouvido sobre o espiritismo. A crença em Deus, em outra vida, no lívre arbítrio sobre se as almas querem continuar se aperfeiçoando, ou não, e a possibilidade de reencarnação.

Ao morrer as pessoas passam para uma espécie de "purgatório" - parece-me influência da Igreja Católica- do qual vão sair, se assim o desejarem e suplicarem. Socorridas, já em estado lastimável de sofrimento (feridas, sujas, desvairadas, inquietas, sabendo que morreram, inconformadas), vão (são levadas em macas) para o outro lado (Nosso Lar) e lá são generosamente tratadas, numa espécie de hospital. O curioso é que se materializam, na forma humana e com o corpo e rosto que tinham no momento de sua morte terrena.
Podem encontrar os familiares, já mortos, e só encontram a possibilidade de saberem dos seus familiares da terra, fazendo esforço para se aperfeiçoarem, abandonando o egoismo, as vaidades: fazendo por merecer, e se TRABALHAREM.

Pareceu-me fazerem uma apologia ao trabalho e uma imitação de estruturas institucionais terrenas, tem ministérios, ministros e hierarquias. Tem gente que prega sermão. Há uma certa doutrinação.
Chamou-me atenção a abordagem platônica, que valoriza a alma, que a vida terrena é só passagem em função da chance de evoluir, a vida terrena, por si só, na pura imanência, não teria tanto sentido. Lá, após a morte, é que está a verdadeira vida. Isso é fé, não tem nada de racional.
Claro, fé não é racional.

Do outro lado, as pessoas vestem-se com roupas sempre claras, falam baixo, são meio piegas. Eu me pergunto: por que a imagem da evolução humana tem que ser o branco, evitando o preto, o colorido (vermelho, por exemplo)?
Sempre que se fala do céu é meio sem cor. As música também são clássicas. Não pode ter samba, rock, pagode, forró? Será que não combinam com a paz, o crescimento espiritual? Chatice não é?
Muita fantasia, tem uma influência da cultura ocidental cristã, platônica.
Mas é claro que agrada a idéia de ter outra vida, da gente continuar em outra dimensão. No meu caso preciso ser convencida.

Creio no amor ao próximo, na fraternidade, na solidariedade, no Evangelho de Jesus, mas não porque tenha certeza e pretenda conquistar as benesses gloriosas da outra vida. Creio que vale a pena por amor à vida e ao cosmo. Mas é um belo filme e teve um momento que o filme me envolveu e até chorei, o que não é muito difícil para mim. Tenho muita lágrima e não economizo. Choro mesmo.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

PRIORIDADE E HONESTIDADE DO SERRA COM DINHEIRO PÚBLICO


Durante toda a campanha, quem não ouviu o candidato Serra encher o peito, para falar da sua história de trabalho, competência e HONESTIDADE? Insinuou muitas vezes que a Dilma era a candidata do governo, acusado de ser muito corrupto e não saber gastar corretamente o dinheiro público. "Gasta muito e gasta mal". Repetiu isso muitas vezes.

Nenhum dos candidatos se atrevia, diretamente, fazer acusações frontais nos programas de televisão, para não cair na baixaria que o povo abomina. Bem, a Dilma não pode contar com a imprensa comercial, para fazer isso em relação ao Serra, já o Serra ficou numa posição confortável porque a referida imprensa fez "denúncias e acusações" tentando vincular os fatos ao governo e à candidata Dilma, para atingi-la eleitoralmente.

Pois bem, é claro que se ativarmos a memória, a gente vai lembrar, por exemplo, dos escândalos das ambulâncias. Lembram? De que época foi isso? Todo mundo sabe!
Mas será que algumas editoras não tinham "obrigação" de dar uma mãozinha ao Serra? Ao seu amigo e benfeitor governador de São Paulo, que foi tão generoso com algumas editoras!
Lendo o jornal Brasil de Fato, nº 395 de 23 a 29 de setembro de 2010, encontrei uma matéria do jornalista Altamiro Borges, que embasado no levantamento feito pelo blog NaMariaNews, que pesquisou os negócios do Serra no governo de São Paulo e tornou público um verdadeiro "Mensalão" tucano.
Fatos que foram denunciados ao Ministério Público daquele estado pelo Deputado Ivan Valente do PSOL.

Denunciaram as fortunas pagas pelo governo Serra ao Grupo Abril, Fundação Victor Civita, um barão da mídia, Jornal Folha de São Paulo, Jornal O Estado de São Paulo, Editora Globo.
Vamos à pesquisa feita nos Diários Oficiais do estado de São Paulo:

DO de 23/10/2007- F,Victor Civita - Rev. Nova Escola. 408.600,00;
DO de 29/3/2008 - Edit. Abril; Rev. Recreio - 2.142.000,00;
DO de 23/4/2008; Edit. Abril; Guia do Estudante; 2.437.9118,00;
DO de 12/8/2008; Edit. Abril ; Rev. Recreio; 1.840.335,00;
DO 22/10/2008; Edit. Abril; Guia do estudante; 4.363.425,00;
DO de 25/10/2008; Victor Civita; Rev. Nova Escola; 3.740.000,00;
DO 11/02/2008; Edit. Abril -Guia do estud. 2.498.838,00;
DO 17/04/2009; Edit. Abril; Rev. Recreio; 12.963.060,72;
DO 20/5/2009; Edit. Abril Rev. VEJA; 1.167.175,80;
DO 16/6/2009 - Guia do Estudante. Edit. Abrtil; 3.143.120,00;
Para o Grupo Civita Serra transferiu 34.704.472,52;

Atenção: Esses números acima são milhões de reais para editoras, só para o grupo Civita são trinta e quatro milhões de reais. (é a editora da revista VEJA). E olhem as assinaturas que o governador de São Paulo fez com os Jornalões "amigos" com dinheiro público.
Isso é gastar bem o dinheiro público?
É claro que não há nenhuma prioridade para as escolas e para a população em assinar revistas e jornais.
DO de 12/5/2009, Serra comprou 5.449 assinaturas da Folha de São Paulo;
DO 15/5/2009 Serra comprou 5.449 assinaturas do O Estado de São Paulo;
DO 21/5/2009 Serra comprou 5.449 assinaturasa revista Época da Globo;

Para justificar determinadas assinaturas, determinou que nas escolas de ensino médio as aulas fossem fundamentadas no encalhado Guia do estudante.

É por tudo isso que a gente não pode acreditar na neutralidade dessa imprensa.
Pessoalmente acho uma temeridade por parte de qualquer militante, de qualquer partido, afirmar que "no meu partido não tem corrupção". Já fiz isso e foi uma bobagem.
Honestidade é obrigação e SEMPRE haverá necessidade de averiguar, processar e punir quem cometer má versação dos recursos públicos, desvio de dinheiro, roubo, tráfico de influência, sonegação, em quelquer instância.

Isso não é programa de governo, é obrigação dos cidadãos e o Ministério Público, Polícia e Judiciário existem para isso. E com os peixes grandes também, doa em quem doer.
O fundamental neste momento é questionar a política social, a política externa, a relação com os movimentos sociais populares, a política fiscal, as políticas econômicas, habitacionais, trabalhistas, previdenciárias...O lugar e as prioridades que serão dadas aos pobres, aos índios, aos negros, às mulheres, à participação popular, à democracia e à liberdade.

DEBATE DOS CANDIDATOS


Acompanhei todo debate. Anotei tudo. A dinâmica adotada oportunisava que todos falassem nos 3 blocos (pois que o 4º bloco foi para despedida), mas os candidatos não tinham como falar de todos os temas abordados.

Resumindo: O candidato Serra respondeu sobre IMPOSTOS, DESASTRES AMBIENTAIS, SAÚDE.
A candidata Dilma respondeu sobre INFORMALIDADE, PARTIDOS, SEGURANÇA.
A candidata Marina respondeu sobre PREVIDÊNCIA, HIDROVIAS, FERROVIAS E HABITAÇÃO e o candidato Plínio respondeu sobre SANEAMENTO, METRÔ, FUNCIONALISMO PÚBLICO.

Claro que os outros candidatos também opinavam sobre o tema que perguntavam.
Vai aí uma síntese das principais respostas dos candidatos.

SERRA: Sobre os desastres ambientais falou que vai criar defesa civil nacional, remover população das áreas de risco. Sobre os impostos falou que vai retirar tributação sobre alimentos essenciais. Marina cobrou sua ineficiência no governo de São Paulo no que se refere às enchentes. Serra chega a irritar com as afirmações recorrentes sobre sua experiência e suposta honestidade, mas principalmente porque, segundo ele, criou quase tudo que existe na área social no Brasil e tudo ele diz que já fez, como governador ou ministro. "isso eu desenvolvi como governador", "isso fui eu que criei quando fui ministro". Bateu forte no governo Federal e na Dilma, sempre que pode.

Quanto à MARINA, é "cobra criada" como o Serra, experientes em eleições. Tem um discurso bem elaborado, políticamente correto. Fala de Planejamento Estratégico," olhando o Brasil de forma abrangente, sem fragmentar a realidade e sustentável do ponto de vista social, econômico e ambiental." Frase literal de Marina. Não explica o que isso significa e nem como pretende fazer isso. Reconhece que o programa Minha Casa e Minha Vida é bom, mas desconstitui sua implementação. Propos a flexibilização das leis trabalhistas para gerar mais emprego e afirma que é urgente a Reforma da Previdência e fala que vai criar um Regime de Capitalização, mas, como sempre, não diz como fará isso.
Também não poupou ataques ao governo Federal.

Quanto ao PLÍNIO, sai afirmando que os outros candidatos são todos iguais, porque são defensores das privatizações, das terceirizações, e só estão propondo "melhorias" que não vão resolver, de fato, nada na vida dos trabalhadores. Diz, literalmente, que os outros são representantes dos interesses capitalistas, dos ricos, etc.
Propõem tributar as grandes fortunas, acabar com o ICMS, aplicar 10% do PIB na saúde, fazer auditoria na Dívida Pública (não deixou claro se a externa ou a interna), reduzir a jornada de trabalho, sem reduzir salário, bem como ocupar moradias desocupadas (ocupação urbana), como proposta para reduzir o déficit de moradias no Brasil .Claro, ele já tinha dito outro dia, colocar limites na propiredade da Terra.
Realmente reformas estruturais, o problema é COMO fazer isso pela via eleitoral.

Quanto à Dilma, foi a mais cobrada, por ser governo. Algumas cobranças muito pertinentes. Dilma não se deteve a atacar os adversários, procurou reafirmar a continuidade dos programas sociais do governo Lula, implementar e potencializar o PAC 2, na questão de moradia, transporte e massificar dois programas que foram reconhecidos como bons, inclusive pelos outros candidatos: Minha Casa Minha Vida e a estratégia para a Segurança Pública. Sobre isso Dilma explicou no que consiste o Programa Polícia Pacificadora, a exemplo do que está sendo experimentado no Rio: combinar ações sociais, mobilizando a comunidade e ação repressiva eficiente contra a bandidagem, transformando os territórios de "guerra!" em territórios de "paz"
.
Dilma aproveitou para divulgar ações do governo. Quando perguntada sobre informalidade falou na geração de empregos dentro das formalidades legais, deixou de dizer que o micro-crédito possibilitou pequenos investimentos e geração de renda, talvez, uma alternativa aos que não querem ser empregados. Deixou de dizer também que está sendo possibilitado contribuição previdenciária para os informais, para que tenham benefícios da Previdência.

Dilma é muito concreta, tem boas propostas, mas carece de desenvoltura para explicar seu programa. Não apresentou um programa socialista, mas reafirmou respeito à democracia, ressaltando a necessidade de governar com a pluralidade, respeitando a diversidade brasileira, a liberdade de expressão e organização.

Eu, pessoalmente, creio que, no governo, se eleita for ( e eu deixei claro que vou votar nela) ela deveria dar alguns passos na direção de tributar as grandes fortunas, baixar os juros e auditar a tal dívida, de forma a não consumir fatia tão grande da arrecadação. Quanto às transformações propostas pelo Plínio, cabe à pressão popular, ir abrindo brechas no governo em direção à reformas mais estruturais, que realmente se fazem necessárias, para desconcentrar a renda e construir uma sociedade mais igualitária.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

ELEIÇÕES E O PSOL


Estou de mau humor porque, mais uma vez, fui acordada com a música "ilarilarie da Xuxa" só que com a letra ridícula, de um certo candidato. Essa músiquinha chata, martela minha cabeça o dia inteiro porque passa aqui na Av. Liberdade, onde moro, umas duas vezes por dia. Um tormento! Se eu tivesse alguma intenção, por maior que fosse, de votar nesse sujeito, que rima a palavra "afoito com 00008", eu não votaria mais por causa que ele, todos os dias, me acorda com essa chatice.

Mas quero comentar o programa do Plínio de Arruda Sampaio, que concorre sabendo que JAMAIS será eleito com o programa que apresenta. Mas por que ele o apresenta? "Para debater o Brasil, para enfrentar o capitalism". Ótimo, é um bom objetivo, mas que é enganador. Senão vejamos: Ele promete que se eleito vai acabar com o latifúndio colocando, definitivamente, limite nas propriedades (que terão, no máximo, 500 hectares). Também promete estatizar toda a saúde, a educação, e os bancos. Já isso não sei se é tão ótimo assim.
De qualquer forma, ele NUNCA diz COMO pretende fazer isso. Houve tempo que falávamos assim no PT, nos Movimentos sociais, e de fato, no capitalismo sempre teremos disparidades sociais, corrupção ( o Estado é corruptor e é um braço do Capital), desigualdades, produtivismo predador, etc.

Pela via eleitoral NÃO é possível transformações estruturais. Grandes transformações, SEMPRE foram fruto de grandes rebeliões. Então, se possível, é isso que precisa ser feito. Mas enfrentar o Braço Armado do Capital, nos dias de hoje? Ninguém se atreve e na via eleitoral, o último presidente do Brasil, que quis tocar na propriedade privada da terra, foi deposto e tivemos uma ditadura de 30 anos.

Ora, o Lula sempre soube disso, então no Estado se faz melhorias mesmo. E o povo quer fazer enfrentamento, sofrer perseguições, morrer pela causa socialista? Não, o povo quer comer, amar, morar melhor, se divertir, o povo quer VIVER. Por isso, é preciso alavancar condições de mais vida, foi o que Lula fez, a Dilma vai continuar a fazer e é o possível pela via eleitoral.

Ademais o capitalismo se tornou um modo de vida, um modo de ser. A cada momento precisamos combater o capitalismo, construindo outros modos de viver, de nos relacionar, de morar, de comer, vestir, aprendendo a COOPERAR, a viver de forma mais simples, a respeitar a natureza, etc. Por isso que cai no vazio o programa do Plínio e do seu PSOL.

Isso não significa que tenhamnos que desistir de reiventar outras formas de vida, não capitalistas, não produtivistas, não exploradoras, segregadoras, acumuladoras, poluidoras. Existem, sim, resistências, auto-organização, sendo gestada, vivida em milhares de lugares.
Os governos podem, sim, fazer prioridades, fortalecer as iniciativas populares da economia solidária, de cooperação, de produção não poluidora, de escolas comunitárias, de cooperativas de habitação, de economia de água, de energia. Pode sim, tributar mais o capital, fortalecer as iniciativas auto-gestionárias, ajudando com recursos públicos.

Pode investir mais em saneamento, em habitação, na agricultura familiar sustentável (ecológica), em educação, em iniciativas produtivas que reduzam a subordinação e fomente a autonomia e a cooperação. Se, hoje, é o trabalho vivo que se impõe sobre a máquina (o trabalho morto), a potencialidade está no conhecimento, na cognição, na corporalidade. Essa corporalidade precisa comer, morar, se informar, ter acesso às Tecnologias de Informação e Comunicação e se tornar produtiva, sem pedir a bênção aos patrões capitalistas. Por isso os programas sociais do governo Lula são mais revolucionários que o discurso sectário do PSOL e outros esquerdinhas ressentidos e arrogantes.

domingo, 26 de setembro de 2010

RECEITAS NOVAS

"Mãe não inventa". Frase do meu filho Pedro, frente ao perigo de não dar certo o almoço de um domingo qualquer. Gosto de inventar. Se ninguém arriscasse novas experiências a gastronomia seria muito pobre.

Cozinhar, fazer pães e doces, requer uma relação holística com os produtos da natureza. Precisa ter sensibilidade, observar as reações dos ingredientes, as texturas, etc. As receitas podem obter resultados bem diferentes de uma mão para outra, pois o modo de fazer altera, e muito, as texturas e os sabores. Até porque as medidas variam (tamanho das xícaras, das colheres...).

Neste final de semana eu e o Irineu experimentamos duas receitas que deram certo. Falo nós porque, quase sempre, preparamos os alimentos em regime de colaboração. Isso, inclusive, nos ajuda a manter diálogos interessantes e em meio aos fazeres na cozinha, rola algum carinho, algum aperitivo, chimarrão, e às vezes alguma impertinência mal-humorada de minha parte. Mas no geral, nosso astral para cozinhar é muito bom.

Vai aí uma receita que fizemos neste final de semana:
PÃO DE BATATA DOCE AROMATIZADO COM LARANJA
Ingredientes:
2 Kg. de farinha de trigo (sendo meio Kg. de farinha integral); Uma Xícara de açúcar, e meia colher rasa de sal. Duas colheres (sopa) cheias de fermento seco para pão. Meia xícara (chá) de azeite; Uma xícara (tipo caneca) de caldo de laranja e meia colher (sopa) de raspa da casca de laranja. Duas batatas doces médias cozidas e amassadas. Meia xícara de leite. Dois ovos batidos. Água morna, se necessário para dar consistência na massa.

Junte todos os ingredientes secos com o fermento, também seco, e misture. Junte em outra vasilha a batata, o azeite, o leite morno, os ovos batidos, o suco de laranja, a raspa de laranja. Misture tudo e junte aos ingredientes secos. Misture e se ainda estiver muito espesso junte um pouco de água morna, até que seja possível sovar a massa. (Isso é que depende de sensibilidade e experiência).
A massa precisa ser sovada até que comece a fazer bolhas. Aí deixe descansar em lugar sem vento para que cresça. Deverá dobrar de tamanho. A seguir faça os pães do tamanho que desejar, unte formas e coloque-os novamente para crescer, até que quase dobrem de tamanho. Tem quem goste dos pães menos crescidos. Crescer demais deixa os pães esfarelentos. A temperatura do forno é de, aproximadamente, 200 graus e cozinha em 35 minutos, talvez um pouco mais, a depender do tamanho dos pães. Se alguém experimentar, conte-me o resultado.

Fizemos e ficou uma delícia. Outro dia escrevo a outra receita de uma carne especial que preparamos. Espero que gostem. É muito bom comer um pão que fica amarelinho, macio, cheiroso e muito saboroso. Boa semana.