Terminou a novela Passione, da TV Globo. Não me contenho, preciso fazer alguns comentários.
Gosto de novela, gosto de ver interpretar e de uma boa história.
Mas gosto de histórias bem contadas, que não subestimem a inteligência da gente e que as cenas, que querem imitar a realidade, sejam bem feitas: produzam prazer, tenham beleza, poesia, instiguem nossa imaginação.
Mas faz tempo que as novelas são uma constante improvisação, repetitivas e que usam de artifícios escabrosos para obter audiência. Pensando assim, repetem chavões tristes e macabros: cenas de brigas, mulheres mesquinhas, fúteis, disputando machos também medíocres. Suspenses que depois revelam bobagens, como a "tara" do personagem Gerson. Ou o velho esquema: Quem matou...? Dessa vez, foi quem matou Saulo, até o final.
Herói, que no último capítulo, encontra um romance compensando todas as babaquices que fez na vida: nessa história foi o Totó, que levou chifre da vilã Clara e pra não ficar no prejuízo, arrumou uma agrônoma "brasiliana" lá na Toscana, na última hora.
Aliás, com esse apelido de cachorro guaipeca, o pobre infeliz até que se deu bem, no final.
E tem mais do mesmo: Dondocas, mal amadas, desastradas, sem caráter, como a personagem Melina, que para fugir das barbaridades que cometeu, foi dar uma voltinha em Paris e, pronto, voltou madura, equilibrada, bondosa, altruista. E acabou ficando com o disputado Mauro, enquanto a personagem que tinha dignidade, morre e deixa uma filhinha e o marido para a vilã.
Assassinatos, traições, bigamia, falta de diálogo, mentiras...e tudo mal feito, mal explicado, improvisado.
Aquela metalúrgica Gouveia, era mesmo um fiasco, as pessoas faziam tudo, menos trabalhar. E quanto dinheiro produzia, para tantos roubarem e viverem na ostentação, mesmo tendo vendido seu melhor produto, que foi sabotado. Como é possível?
Fora isso o final foi um tremendo mau exemplo:
O personagem Berilo fica, ostensivamente com duas mulheres;
A avó Gouveia, matriarca moralista, casa com um e se faz amante do outro: o motorista e o jardineiro. O que o autor quis com isso: fazer rir? Não achei graça. Mostrar uma idosa pós-moderna? Ridículo! Poderia ter sido uma ótima amizade de três idosos que se admiram, se respeitam, se divertem e não escondem nada. Afinal, o que será possível realizar, de outra forma, com a idade avançada dos personagens?
Quanto à Clara, a vilã maior e que cometeu quase todos os assassinatos, foge e se dá bem.
Um exemplo de impunidade e de cenas mal resolvidas!
A mãe, abnegada, que saia à caça de amantes, se consola com um quase garoto (é quase uma pedofilia)! Falo da personagem Stela, muito mal interpretada por Maitê Proença, cujo cabelo esteve horrível durante toda novela (parecia uma vassoura).
Formadora de opinião?
Se considerarmos que a TV Globo fez o maior escarcéu quando o Lula falou que o povo não precisa de ninguém que lhe " forme opinião", reivindicando o papel de formadora de opinião e considerando que, no período eleitoral, a emissora protagonizou, de diversas formas, ataques à candidata Dilma, na questão moral, fica incoerente esse canal de Tv, que se diz formador de opinião, defender tanta liberalidade nas questões morais, como infidelidade conjugal, bigamia, por exemplo, impunidade e outros absurdos.
Sem falar na falta de estética e de ética, com episódios como o investigador transar com a investigada, como método de obter informações e como os episódios macabros protagonizados pela avó asquerosa das personagens Kelly e Clara.
Cenas grotescas, diálogos pobres, cenas mal feitas, como a simulação da morte do Totó.
Até a atriz Fernanda Montenegro, que é divina nas suas interpretações, teve momentos ruins, talvez por conta dos textos ruins e medíocres, que tinha que interpretar. Pena!
A TV Globo, que sabia fazer boas novelas, agora apresenta grandes porcarias para o público brasileiro. Quem sabe acerta uma hora destas! Mas precisa repensar a contratação do autor Silvio de Abreu, como novelista: Ruin, ruin, seus textos.