sexta-feira, 29 de abril de 2011

POLÊMICAS NA EDUCAÇÃO

POLÊMICA Nº 1 - EDUCAÇÃO INCLUSIVA
Tem gerado polêmica a obrigatoriedade legal dos pais enviarem seus filhos com algum tipo de deficiência física ou mental para a escola e estes serem matriculados em turmas regulares (classes comuns) e não em escolas ou classes especiais. Isso tem gerado também preocupação e insatisfação a pais, professores e direções de escolas, não por terem má vontade, mas pelas dificuldades concretas que isso poderia acarretar. Ou não?

Algumas perguntas me parecem pertinentes quando se trata deste tema:

- O que torna uma escola Inclusiva?
- De quem estamos falando quando abordamos a escola inclusiva?
- Que sentimentos, emoções e reflexões nos ocorrem ao falar de inclusão?
-Os alunos com algum tipo de deficiência ou com necessidades educativas especiais, podem aprender nas classes comuns? (inclusão).
- A escola deverá oferecer atendimento especial?
- As escolas estão preparadas para receber esses alunos?

Para entender e tentar responder a essas perguntas é necessário ter alguns entendimentos:

PRIMEIRO: FUNDAMENTOS LEGAIS E INSTITUCIONAIS

A- Constituição Federal- Art. 205, inc. I: igualdede de condições para o acesso e permanência na escola: Inc. II: liberdade de para aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; Inc. II: pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas....Inc. VI: Gestão Democrática.
Art. 208, inc. III: atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino.

(esses fundamentos já nos indicam o direito ao acesso àqueles que, de alguma forma, são diferentes).

B- LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira), Lei 9394, de 20/12/1996:
Art. 58 - Entende-se por educação especial, para efeitos desta lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular e ensino, para educandos portadores de necessidades especiais. Parág. 1º. Haverá, quando necessário, serviço de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculariedades da clientela de educação especial.
Os art. 59 e 60 também tratam das condições para a educação especial.

C- Convenção da Guatemala, de 28/5/99;
O Brasil é signatário. Essa convenção teve o objetivo de atender reivindicações e demandas que foram objeto de Cartas, Acordos e Declarações em diversos momentos da história, na ONU, na OEA, na OIT (Org. Internacional do Trabalho), na Declaração de Caracas, da Organização Pan-Americana da Saúde, entre outras.
A Convenção da Guatemala, definiu o entendimento sobre a Deficiência, abordou a necessidade de ações concretas e Políticas Públicas para superar toda forma de discriminação ou restrição, baseada na deficiência e o comprometimento dos signatários para desenvolverem ações, com o objetivo de prevenir e eliminar todas as formas de exclusão, discriminação e proporcionar a plena integração dos mencionados sujeitos à sociedade.
Para isso apontou a necessidades de medidas de caráter legal, educacional, trabalhistas, de investimentos em bens, serviços, educação, trabalho, programas e atividades de transporte, lazer, habitação e de acessibilidade de forma geral, para garantir a plena inclusão dos mencionados seres humanos aos direitos de cidadania.

A partir desse compromisso, no que se refere à educação, o Conselho Nacional de Educação (CNE) os Conselhos Estaduais de Educação (CEE) em nosso país passaram a debater, ouvir e legislar, bem como fornecerem orientações e recursos para que efetivamente acontecesse a inclusão.
A Lei 7.853 passou a tornar obrigatório a todas as escolas, aceitarem matrículas de alunos com deficiência e transformou em crime a recusa a esse direito.
Em decorrência dessa Lei, em 2002 já haviam mais de 386 mil crianças e jovens matriculados nas salas de aula regulares.

Entre os Pareceres mais elucidativos, no Rio Grande do Sul, está o de nº 251/2010, do CEED. Alguns trechos desse parecer merecem ser citados:

" ...o que caracteriza uma escola inclusiva é o fato de ela se adaptar às necessidades de seus alunos e não esperar que os seus alunos se adaptem a um modelo previamente fixado. Assim, é preciso organizar a escola tendo a aprendizagem como centro das atividades escolares e o sucesso dos alunos, cada um de acordo com as suas possibilidades, como objetivo principal.
...Como parte importante da escolarização e a sociabilização da criança, necessário se faz que ela conviva com crianças de sua idade e se desenvolva no nível de suas possibilidades. Mesmo que a apreensão dos conteúdos do currículo aconteça de forma diversa da dos alunos da mesma idade, deverá desenvolver atividades relacionadas aos conteúdos trabalhados por seus colegas. ...realizar atividades próprias da sua idade, ainda que necessite de apoios importantes, disponibilizados DE DIFERENTES FORMAS, PROMOVE A AUTONOMIA E FAVORECE O SENTIMENTO DE PERTENCIMENTO.

C- GESTÃO ADMINISTRATIVA:
A partir da legislação, algumas perguntas são colocadas para as equipes diretivas das escolas. Noêmia Lopes de Joinville, SC, formula algumas: ( Revista Nova escola, edição 008).

l. Como ter certeza de que um aluno com deficiência está apto a frequentar a escola?
Essa questão, aos olhos da Lei, não existe. Todos têm esse direito. É dever do Estado oferecer matrícula, garanti-la e garantir pessoas para cuidar desses alunos, bem como todos as condições e equipamentos necessários.

2. As turmas que têm alunos com deficiência devem ser menores?
Sim, grupos menores favorecem a aprendizagem, pois possibilitam que os professores conheçam as necessidades de cada um, dentro de suas especificiades.

3. Quem tem deficiência aprende mesmo?

Sim, sempre há avanços. Num ritmo diferente, com desafios diferentes, mas todos podem melhorar suas capacidades de linguagem, de oralidade de entendimento de sinais gráficos, de convivência, etc.

4. Em que turma o aluno com deficiência deve ser matriculado?
Junto com colegas da mesma idade ou quase a mesma, de forma a facilitar a comunicação e a identificação e/ou pertencimento.

5. Alunos com deficiência atrapalham a qualidade de ensino em uma turma?
Não, ao contrário, pois ao buscar alternativas em relação ao atendimento das diferenças e não enfatizar a homogeneidade e a competição, todos acabam sendo beneficiados.

Os Pareceres determinam também as formas de avaliação e promoção de alunos com algum tipo de deficiência ou de diferenças, com necessidades educativas especiais.

COMENTÁRIOS
O que torna uma escola inclusiva, a meu ver, é a capacidade e o esforço da escola em acolher qualquer aluno, nas suas especificidades e singularidades e oferecer-lhes todos os recursos materiais, pedagógicos e afetivos para que efetivamente ele cresça como ser humano, em todas as dimensões e se sinta bem no ambiente escolar, conviva bem e aprenda.
Não falo só dos alunos com características diferentes, que se fazem visíveis enquanto necessidades educativas especiais, falo de TODOS.

Muitos alunos considerados NORMAIS não tem conseguido aprender e/ou integrar-se aos seus pares e é alto o índice dos que abandonam a escola.
Uma escola inclusiva é aquela que é capaz de oferecer alternativas pedagógicas diversificadas e criativas para atender às diferentes necessidades apresentadas pela diversidade de pessoas e de situações que estão em sala de aula.
A educação, ao buscar ofertar oportunidades para os alunos com maiores dificuldadess, acaba por beneficiar toda a turma. Ademais todos ganham com a inclusão, pois aprender a conviver com a diversidade, a compartilhar, a cooperar, a respeitar, vai acrescentar virtudes e potenciais de convivência que serão muito ricos pela vida afora.

Muitos pais temem a presença de alunos "diferentes" (com deficiência, estrangeiros, indígenas, etc.) em sala de aula. Esses pais podem ter certeza de que isso não é problema é privilégio, é mais oportunidade de crescimento humano. É humanizador.
Claro que vai exigir uma gestão participativa: currículo e planos de estudos devem ser realizados com o protagonismo dos sujeitos, com os alunos, principalmente. Isso requer capacidade e organização da gestão que torne o DIÁLOGO uma prática rotineira, franca e persistente.

Será necessário buscar e reivindicar recursos para adaptar os espaços físicos, equipar a escola com salas temáticas, equipamentos adequados, livros em Braile, materiais didáticos, Sala de Recursos, para que os alunos tenham atendimento especializado em turno inverso e principalmente professores que se preparam, que querem a inclusão, bem como algum especialista em BRAILE e em LIBRAS. Professores que tenham garantia da formação continuada em serviço, com tempo para se reunirem, trocarem experiências, prepararem seus materiais e seus planos de estudos, com apoiadores em sala de aula, com estímulo para realizarem cursos e congressos.
As turmas e cargas horárias precisam ser reduzidas.

A legislação garante esse apoio e recursos. É preciso exigir das mantenedoras (dos governos) em qualquer esfera. Vale a pena. É emocionante as conquistas que algumas escolas vêm obtendo em termos de aprendizagem de alunos que outrora nem iam à escola. Graças à generosidade e cidadania de professores e direções sensíveis.

terça-feira, 19 de abril de 2011

PLENÁRIA COM PROFESSORES DE ROSÁRIO DO SUL

Ontem, segunda-feira eu, o Irineu e minha filha Alice fomos a Rosário do Sul falar, escutar e refletir com professores de duas escolas, uma escola estadual pela manhã e uma escola municipal à tarde.
O Irineu e a Alice foram presenças de apoio durante a viagem e durante os encontros.
Mas antes de falar sobre isso, quero lembrar que no domingo foi aniversário da Alice e fizemos um bom churrasco aqui no apartamento, com todos os filhos, e alguns amigos. Fico muito feliz quando reúno a família, mas eu estava preocupada com o compromisso da segunda.

Desculpe Alice, sei que eu não disfarcei minha ansiedade. Tu sabes o quanto és alegria na minha vida, mas sabes também que quando se trata de aceitar convite para refletir sobre os "problemas" que se apresentam nas escolas, fico tensa, porque me preocupo com o desejo que as pessoas tem de ouvirem alguma fórmula que dê conta da complexidade que é a educação escolar.

Alice, amei que estavas comigo! Sei que é a primeira vez que presencias esse tipo de trabalho que faço frequentemente.
Gostei muito de ouvir os relatos sobre as tentativas que as escolas estão fazendo: alterando Regimento e construindo propostas pedagógicas para a Inclusão, implantando ensino técnico, tentando melhorar a EJA, entre outras coisas.

Percebi professores que ousam, se desafiam, acreditam, tentam e obtém resultados animadores.
Ouvi relatos de professores que se alegram em contar a luta para alfabetizar alunos com NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS (surdos, cegos, deficiência mental, etc.) e a alegria que sentem quando conseguem.

Debatemos a questão da diversidade e do que é a Inclusão. Refletimos sobre as vantagens da escola compreender a importância educativa do convívio com as diferenças, do quanto as múltiplas e diferentes tentativas de ofertar diversidade de possibilidades para a aprendizagem acontecer, podem beneficiar TODOS os sujeitos do processo educacional, pois não é pequeno o número de crianças e jovens tidos como "normais", mas que não apresentam evidências de boa aprendizagem e é grande o índice de reprovação e de evasão nas escolas.

Nas duas escolas conversamos sobre a inadequação da estrutura da escola e de seus currículos, face às mudanças que estão ocorrendo no mundo em relação às tecnologias, à comunicação e informação, ao processo produtivo, às crianças que, certamente, não são as mesmas de algumas décadas atrás.
A pergunta que tantamos debater foi: Será a Instituição Escolar um campo de possibilidades de humanização e emancipação humana"? Que acham? É um bom desafio!

Foram horas intensas, cansei, meus pés doíam, mas eu sempre volto desses encontros convicta de que apesar da crise que a instituição escolar parece estar vivendo, a coragem e protagonismo dos professores e a rebeldia e teimosia dos alunos, fazem acontecer muita coisa boa nas escolas.

Na próxima postagem vou falar um pouco sobre os desafios que estão postos a todas as escolas com a obrigatoriedade legal de aceitarem alunos nas turmas regulares e ditas "normais" de alunos "portadores de necessidades educativas especiais" ou dizendo de outra forma: alunos com algum tipo de diferença em relação aos outros aparentemente normais.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Tristeza e perplexidade

Fiquei imensamente triste com as tragédias no Japão, com a gravíssima situação das usinas nucleares de Fukushima, de saber que milhares de corpos se deterioram nas redondezas das usinas sem que possam ser retirados, chorados e sepultados, por causa do altíssimo risco de contaminação fatal. De saber que milhares ainda vão morrer contaminados, afetados por câncer em decorrência da inevitável contaminação.

Fiquei comovida com o necessário heroísmo dos técnicos que trabalham para desativar os reatores, já condenados a morte, já com sinais de enfermidade.
Mas quase tudo por conta da força da natureza, dos terremotos que o Japão tem sempre que enfrentar.
Mas minha tristeza é grande também pelas estúpidas mortes na Líbia e em outras guerras de baixa e de alta intensidade, estas sim, possíveis de ser evitadas. Acontecem pelo fracasso do diálogo. São mortes movidas pela ganância, pelo lucro e pelo poder.

No entanto a tristeza e as lágrimas são inevitáveis diante da estupidez do assassino na escola do Rio de Janeiro. Isso é inexplicável, é loucura pura. Não há explicação! É um tipo de loucura que arrasta consigo além das vidas, de crianças, a maioria meninas e, por si só já é medonho. Mas a tristeza aumenta porque significa um enorme retrocesso, pois vai gerar mais medo, mais grades, mais repressão, menos liberdade, menos confiança no ser humano.

É de uma estupidez tão grande e deixa-nos a pergunta: esse aluno ali esteve, anos a fio, comportado, enquadrado e eu me pergunto: o que faltou no nosso fazer de educadores, que não conseguiu chegar ao coração deste ser humano? Quantos passam por nós e viram assassinos, ou suicidas, como já aconteceu em Restinga Seca, onde fui educadora a maior parte de minha vida.
Fica uma dor imensa e uma enorme frustração enquanto educadora.
Que fazemos por e com essas pessoas? Anos na escola e saem desconhecidas, ficam invisíveis, quietas e loucas no seu canto, no seu silêncio. Silêncio tão apreciado pela maioria dos professores.

Ouvi nos depoimentos sobre esse rapaz: "ele era tão calmo, tão bem comportado".
Prefiro os maus comportados. Esses se revelam.
Coloco-me no lugar dos pais, meu Deus, que dor! Certamente não há consolo, é uma dor para toda a vida. Sinto-me solidária e hoje quero fazer silêncio no meu coração e sintonizar minhas energias na solidariedade a todos os que perderam seus filhos, colegas e amigos.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

DE TUDO UM POUCO

Olá gente, desculpem meu afastamento do Blog. Andei ocupadíssima. Viajei, dei palestra em outros municípios, mas principalmente andei trabalhando dia e noite na parte pedagógica de livros didáticos para uma editora, com os prazos estouradíssimos. Nossa, que sufoco!

Depois viajei novamente, fui ver meus sobrinhos Vini e Cecília e também meu irmão e cunhada. Foi gostoso, descansei a cabeça, aqueci meu coração com as crianças. Criança pra mim, é tudo de bom!
Me desafiei em aprender a fazer golas, para fazer Blasers, que estão na moda e vestem muito bem. Fiquei horas tirando molde, cortando chitão e montando (para treinar). Acho que já me defendo bem. Já fiz dois ( pra valer), mas ainda tenho algumas dificuldades. E quando invento de aprender alguma coisa, enquanto não consigo eu não desisto. Só o computador me assusta um pouco, tem coisas que não aprendo mesmo.

Ainda estou comprometida com alguns compromissos referentes a formação de professores fora de S.Maria. Haja estudar! Claro que falo muito de minha longa experiência, conto histórias e ouço muitas também. Continuo muito atenta sobre tudo que se relaciona à educação.

Tenho caminhado todos os dias pela cidade. Eu e o Irineu fazemos roteiros percorrendo ruas e becos e vamos observando como as pessoas tratam dos espaços próximos de suas casas. Nossa, o que mais se vê é lixo, muito lixo e cachorros! E a gente precisa caminhar olhando para o chão para não pisar nas bostas desses animais e é preciso andar afastada das cercas para não ser mordida. Mas ainda são seres que vivem livres, porque as pessoas vivem cercadas, com aquelas plaquinhas de aviso de cercas elétricas e câmeras de vigilância. Acho isso tão triste!

Crianças não se vê, devem estar confinadas em escolinhas, dentro dos prédios, presas na frente da televisão. Felizes são os cães e gatos que andam pelas ruas. E eu cuido muito quando ando de carro para não atropelar nenhum desses seres que nos são tão simpáticos, apesar dos cocôs que a gente tem que desviar.
Mas o lixo é algo terrível, as bocas de lobo invariavelmente estão sempre cobertas de lixo, sacolas plásticas, principalmente. Entulhos na frente das casas, licho e mais lixo. E as pessoas falam em cidadania, em cobrar seus direitos, mas poderiam cuidar pelo menos da frente de suas casas.

Falando em lixo,é um absurdo não ter em S.Maria a coleta seletiva e um sistemático trabalho de formação e de organização de cada bairro, no sentido de cuidados com o meio ambiente. As pessoas só sabem reclamar e esperar, transferir responsabilidades. Agir solidariamente é muito raro. Santa Maria é imunda, é uma lixeira.

No mais ando envolvida com burocracias da Prefeitura para requerer um alvará. É inacreditável o tempo que tenho gasto nisso devido ao desencontro de informações entre os setores da Prefeitura. Precisa muuuuuuuita paciência! E não se pode reclamar. Um dia desses eu reclamei e a funcionária me apontopu na direção de um cartáz que mencionava um artigo do Código penal informando que desacatar funcionário público é crime dá até seis anos de cadeia e/ou multa. Uma ameaça! Mas quem pune a incompetência e o desrespeito com o contribuinte?

E agora, para completar, minha mãe idosa está doente, e se ela já era meio teimosa, fica triplamente difícil de lidar com ela. Eu precisaria fazer um curso de como lidar com idosos. Sei que tem Estatuto e tudo, mas tenho tido muitas dificuldades, apesar do meu esforço.

Gente, voltei ao grupo de dança de salão e isso é muuuuuuito bom! É exercício com prazer. Na vida precisamos de prazer!
Desculpem a bagunça deste texto, mas é assim que estou vivendo agora.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Alarmismo proposital: provocar medo da inflação

Já deixei de ver novela e BBB da Globo, mas como eu me odeio, eu ainda vejo o Jornal Nacional.
Cada vez mais me convenço que o povo brasileiro, se assistir assiduamente o JN, vai ficar, ainda mais, mal informado.

Hoje o casal Bonner e seus editoriais, se superaram. Anunciaram o inusitado crescimento do PIB brasileiro, o terceiro maior do mundo. Motivo de alegria? Para a Globo, motivo de preocupações.
Passaram a palavra aos seus "preparados analistas" econômicos. Foi um festival de bobagens, ao fazerem afirmações sem nenhum fundamento em qualquer manualzinho inicial de economia.

Primeiro realçaram que o PIB cresceu, principalmente, no comércio. Isto é: o povo acreditou e se sentiu seguro e comprou, viajou, pagou escolas, comprou imóveis, automóveis, etc. Certo, até aí, mas não mencionaram os milhões de brasileiros, que com o Bolsa Familia, os PRONAFs e micro-créditos, puderam comprar alimentos e eletrodomésticos. Isso foi fundamental para aquecer todo circuito produtivo da economia interna.
Os ricos gastam fora do país. São os médios que gastam aqui e aquecem a economia.

Depois falaram que o governo vai cortar gastos, mas investe dinheiro no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Segundo eles um ato anula o outro e decorre daí um grande perigo do crescimento da inflação. Aí reside a maior bobagem.
Quando ocorre inflação? Quando os gastos são superiores à produção, pois a demanda maior que a produção, puxa os preços para cima. É preciso "esquentar" a moeda. Ora, os gastos em demasia, por conta de créditos, devem ser acompanhados de produção, para que a moeda não se desvalorize. Como aquecer o setor produtivo?

Injetando recursos na infraestrutura necessária à produção (Obras do PAC). Ou seja: esse é o papel do BNDES . É coerente o que a Presidente fez: mantem o poder mínimo de compra da base da pirâmide, reajustando o Bolsa-Familia e investindo recursos na infraestrutura produtiva.
Além disso, ela cumpre parte do que falou na campanha, que foi gerar oportunidades de trabalho, fazendo a economia crescer e cuidar de reduzir a extrema pobreza.

Existem aspectos do governo que ainda é cedo para julgar. Não estou gostando, por exemplo, da linha de atuação da ministra da cultura. Saudades do Gil! Mas isso é outro assunto, que ainda preciso de maiores informações.

Também ainda não dá para avaliar a retração dos concursos. Creio que é preciso frear o crescimento da máquina pública, aproveitando melhor o pessoal existente e pagando melhor. Isso ainda veremos. Em todo caso, alguns setores de servidores públicos devem se mobilizar. A luta para valorizar o trabalho continua fundamental.

Hoje me pareceu que os comentários foram, propositadamente, desqualificados. A TV Globo parece querer criar um clima de crise econômica, intencionando pautar as ações do Governo, numa tentativa de voltar aos princípios ortodoxos do mais tradicional neoliberalismo. Isso não é bom.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Notícia maravilhosa


Cada vez que eu descobria que estava grávida eu sentia uma enorme emoção, todas as quatro vezes. Eu ficava sensível, chorava facilmente: mistura de alegria com susto, diante da grandeza da alegria e da responsabilidade.
Curtimos muito nossos filhos e pensei que emoções daquela dimensão eu não mais sentiria.
Mas enganei-me. Hoje senti a mesma emoção, quando minha primeira filha, a Lúcia, anunciou que está grávida. Sinto-me grávida com ela.
Sei que o filho é dela (deles) mas também sei que os filhos não são só dos pais.
Estarei presente, respeitando os limites necessários.
Sei que minha filha está um pouco preocupada, mas filho é uma dádiva e só nos enriquece, nos humaniza. Estamos muito felizes, de verdade!

Congresso em El Pinar - Uruguai


Estivemos oito dias em El Pinar, Intendência (corresponde a município, no Brasil) pertencente à região metropolitana de Montevidéo.
Todos os anos o MOBREC (Movimento Brasileiro de Educadores Cristãos), organiza a Jornada de Verão, que une formação, convivência, troca de experiências e turismo.

Nos primeiros três dias o grupo (de 44 pessoas) relatou e avaliou o trabalho do ano referente às ações realizadas na educação e fez o planejamento para 2011. Nos dias restantes o grupo realizou passeios, com o objetivo de conhecer e interagir com outras culturas. Haviam professores do Uruguai e da Argentina. Quem tinha grana aproveitou para fazer compras, é claro.

Nossa primeira parada foi em Rivera e a última em Aceguá, adivinhem com que objetivo!
Em relação à formação, gostei de alguns relatos de experiências pedagógicas e tivemos uma reflexão com um professor uruguaio ( Langon) sobre a educação ambiental. Muito boa.
O planejamento foi bem produtivo. Quanto à convivência, é preciso ser generoso, tolerante, porque testemunha-se gestos de solidariedade mas também de muito egoísmo.

Andamos muito dentro de Montevidéo. Cidade bonita e, ao contrário do país, que tem praticamente só eucalipto e pinus no que se refere à vegetação de maior porte, Montevidéo é bem arborizada. Conseguiram preservar e plantar um tipo de árvore que é nativa, dentro da cidade. Ficou muito bonito. Cidade limpa, trânsito bem organizado. Claro que não fomos às periferias. Aliás as rodovias são ótimas, muito bem cuidadas.
Montevidéo tem lugares interessantes e a nossa guia tinha uma conversa boa, com bons e críticos comentários sobre a história do país. E foi nessas conversas que ela contou que não há indígenas no país, mas que havia, foram todos dizimados pelos colonizadores brancos. Negros? Muito poucos.

Vimos prédios históricos, como cassinos, palácio do Parlamento, a Catedral e outros. Entre eles o Shopping Punta Carretas que foi um grande presídio, onde a ditadura uruguaia, torturou e matou, como aqui. Lá esteve Mujica, o atual presidente uruguaio. O luxo do atual shopping soterrou a história horrenda que aconteceu no local.

Estivemos, também, na Colônia do Sacramento. Ali ainda está bem presente a arquitetura portuguesa e espanhola que marcaram suas diferenças nos prédios, nos calçamentos, na Igreja, etc.
Claro que passamos por Punta Del Este, a famosíssima praia. A cidade não tem muito de interessante, a não ser o luxo dos prédios e casas. A praia tem muita pedra, rochas enormes, como fala o nome de uma delas: Praia Brava. Mas são paisagens lindas, água fria, muito barco de luxo. Os preços são pela hora de morte. Quem não tiver bastante grana, passa até fome. A comida é muito cara.
Vimos algo interessante: na beira do mar, cravado nas rochas, o artista plástico Carlos Paez Vilaro construiu uma casa diferente, que é uma gigantesca escultura, denominada por ele de Casa Pueblo. Hoje, nesta grande casa (que foi ampliada mantendo a fidelidade artística), funcionam restaurantes, museus e hotel.

Foi um intenso passeio, viajamos de ônibus, numa turma grande, sem incidentes. Gastamos pouco, ficamos num antigo seminário católico. A comida era bem modesta e as instalações pouco confortáveis, mas passeamos, comemos comidas diferentes, tiramos fotos, rimos muito, conversamos bastante, alguns compraram muito (nós não). Nosso objetivo era conhecer um pouquinho o Uruguai, que aliás vive uma grande seca. Água não falta para abastecer as cidades, porque estão sobre o Aqüífero Guarany, mas para lavouras e pasto, está escassa.

Conhecemos uma festa popular, a Murga, que faz parte da longa programação do Carnavcal deles, que dura mais de mês. Nesse evento há apresentações e sátiras sobre a vida deles. E samba também. Muito interessante! E foi isso, estamos de volta, com muita vontade de viajar mais, conhecer outros lugares, outras culturas, aprender mais.